Ci­men­tei­ras es­pe­ram vol­ta do cres­ci­men­to do con­su­mo em 2019

Após qua­tro anos de que­das su­ces­si­vas, com re­cuo de 26%, se­tor pro­je­ta ex­pan­são su­pe­ri­or a 3%

Valor Econômico - - | EMPRESAS INDÚSTRIA - Ivo Ri­bei­ro (Co­la­bo­rou Chi­a­ra Quin­tão)

De­pois de ver re­du­zi­do em um quar­to o con­su­mo de ci­men­to no mer­ca­do na­ci­o­nal, em qua­tro anos de que­das con­se­cu­ti­vas, os fa­bri­can­tes ins­ta­la­dos no país apostam num iní­cio de re­to­ma­da em 2019. A ex­pec­ta­ti­va se ba­seia em con­ver­sas re­a­li­za­das em en­con­tros en­tre re­pre­sen­tan­tes do se­tor e os can­di­da­tos que dis­pu­ta­vam a Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca. Pa­ra eles, em con­sen­so, “o me­lhor ca­mi­nho pa­ra au­men­tar a ati­vi­da­de econô­mi­ca do país pas­sa pe­la re­a­ti­va­ção da in­dús­tria da cons­tru­ção, que é uma gran­de ge­ra­do­ra de em­pre­gos”.

Por is­so, con­for­me Pau­lo Ca­mil­lo Pen­na, pre­si­den­te do Sin­di­ca­to Na­ci­o­nal da In­dús­tria do Ci­men­to (SNIC), já se vis­lum­bra um au­men­to nas ven­das, e no con­su­mo, de ci­men­to en­tre 3% e 3,5%. A men­sa­gem dei­xa­da ao se­tor foi de pri­o­ri­da­de na re­to­ma­da das obras de infraestrutura pa­ra­li­sa­das, li­ci­tar mais con­ces­sões em vá­ri­os seg­men­tos, man­ter o pro­gra­ma ha­bi­ta­ci­o­nal po­pu­lar Mi­nha Ca­sa, Mi­nha Vi­da e am­pli­ar con­di­ções de ren­da e cré­di­to pa­ra com­pra e re­for­ma de imó­veis. “A in­dús­tria da cons­tru­ção já vai pa­ra cin­co anos de re­tra­ção, uma a mais que nós”, co­men­tou Pen­na.

“Não é um nú­me­ro extraordinário [3% a 3,5% de cres­ci­men­to da de­man­da], mas já mar­ca um iní­cio de in­fle­xão da cur­va de­cli­nan­te do con­su­mo de ci­men­to no país, que vem des­de 2015”, diz. A re­ver­são es­ta­va pre­vis­ta pa­ra es­te ano, mas foi atro­pe­la­da pe­la gre­ve dos ca­mi­nho­nei­ros, em maio, e pe­la de­sa­ce­le­ra­ção da ati­vi­da­de econô­mi­ca do país a par­tir de ju­nho, com in­cer­te­zas po­lí­ti­cas, lem­brou o exe­cu­ti­vo ao Va­lor.

No iní­cio do ano, o se­tor ci­men­tei­ro pro­je­tou, con­for­me desempenho ve­ri­fi­ca­do a par­tir de de­zem­bro de 2017, que as ven­das de ci­men­to po­de­ri­am cres­cer de 1% a 1,5% nes­te ano, com­pa­ra­do com o desempenho de 2017, que foi de 53,3 mi­lhões de to­ne­la­das. “Ape­nas com a gre­ve dos ca­mi­nho­nei­ros a in­dús­tria te­ve uma per­da de 900 mil”, afir­mou.

Nas con­tas da en­ti­da­de, o que se ve­rá é um de­crés­ci­mo da or­dem de 2% an­te o desempenho de 2017. E a ca­pa­ci­da­de oci­o­sa do par­que fa­bril ci­men­tei­ro de­ve­rá ter­mi­nar o ano em 48% — o par­que ci­men­tei­ro tem con­di­ções de fa­bri­car 100 mi­lhões de to­ne­la­das ao ano. Em qua­tro anos, a re­tra­ção acu­mu­la­da nas ven­das da ci­men­tei­ras che­ga a 26%

Pen­na ob­ser­va que me­ta­de da re­tra­ção des­te ano fi­cou na con­ta da gre­ve e ou­tro tan­to é fru­to da de­sa­ce­le­ra­ção da ati­vi­da­de econô­mi­ca. Es­ti­ma­va-se ven­der 54 mi­lhões de to­ne­la­das em 2018. Ago­ra, nos cál­cu­los do SNIC, com nú­me­ros re­vi­sa­dos, após os da­dos de se­tem­bro, es­ti­ma-se ven­das de 52,1 mi­lhões de to­ne­la­das.

Os anos dou­ra­dos da in­dús­tria ci­men­tei­ra — de 2005 a 2014 — fi­ca­ram ape­nas na lem­bran­ça das fa­bri­can­tes lo­cais. No pe­río- do, o con­su­mo no país mais que do­brou, pa­ra 72 mi­lhões de to­ne­la­das. Ho­je, de 100 fá­bri­cas ins­ta­la­das, cer­ca de 20 es­tão com ati­vi­da­des pa­ra­li­sa­das e das 80 que ope­ram mui­tas es­tão com um ou até dois for­nos de­sa­ti­va­dos.

Os nú­me­ros com­pra­vam es­sa re­a­li­da­de. On­tem, o SNIC di­vul­gou que as ven­das in­ter­nas caí­ram 2,2% na so­ma de ja­nei­ro a se­tem­bro, na mes­ma ba­se de com­pa­ra­ção, pa­ra 39,52 mi­lhões de to­ne­la­das. Em se­tem­bro, fren­te ao mes­mo mês de 2017, o re­cuo foi de 5,6%, em 4,6 mi­lhões de to­ne­la­das. Em 12 me­ses, de ou­tu­bro do ano pas­sa­do a se­tem­bro, as ven­das caí­ram 2,9%, fi­can­do em 52,4 mi­lhões de to­ne­la­das.

Pen­na apon­ta ain­da du­as ques­tões que afli­gem o se­tor: o au­men­to do cus­to do fre­te, item cru­ci­al nes­se ne­gó­cio, e do co­que. Gas­tos com trans­por­te de ci­men­to cor­res­pon­di­am a 28% da re­cei­ta lí­qui­da das em­pre­sas. Com o re­a­jus­te de 114%, es­sa fa­tia ele­vou-se pa­ra cer­ca de 50%. “É um gran­de ba­que na con­ta das em­pre­sas”, dis­se. O co­que, que re­pre­sen­ta 35% do cus­to de fa­bri­ca­ção do ci­men­to e é tra­zi­do dos EUA, su­biu qua­se 200% em dois anos e meio, dis­se o exe­cu­ti­vo.

ANA PAU­LA PAI­VA/VA­LOR

Ca­mil­lo Pen­na, do SNIC: cres­cer 3,5% em 2019, so­bre a ba­se atu­al, não é extraordinário, mas mos­tra re­ver­são da qu­e­da

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