Pes­ca­dos batem car­nes nas ex­por­ta­ções

Em­bar­ques glo­bais su­pe­ra­ram US$ 122 bi­lhões em 2017 e de­vem con­ti­nu­ar em al­ta

Valor Econômico - - AGRONEGÓCIOS - As­sis Mo­rei­ra

As ex­por­ta­ções glo­bais de pes­ca­dos, que já ren­dem tan­to qu­an­to a so­ma das ven­das ex­ter­nas de car­nes bo­vi­na, de fran­go e suí­na, ten­dem a con­ti­nu­ar em as­cen­são em meio à cres­cen­te de­man­da por atum, sal­mão e ou­tras es­pé­ci­es.

Em apre­sen­ta­ção na Or­ga­ni­za­ção Mun­di­al do Co­mér­cio (OMC), Már­cio Cas­tro de Sou­za, es­pe­ci­a­lis­ta sê­ni­or da área de pesca da FAO, a agên­cia da ONU pa­ra agricultura e ali­men­ta­ção, des­per­tou aten­ção ao fa­zer a cons­ta­ta­ção. Em 2017, as ex­por­ta­ções de pes­ca­do al­can­ça­ram US$ 122,3 bi­lhões, an­te os US$ 50,5 bi­lhões da car­ne bo­vi­na, os US$ 40,2 bi­lhões da car­ne suí­na e os US$ 30,3 bi­lhões da car­ne de fran­go.

Uma das ra­zões pa­ra a fol­ga­da li­de­ran­ça dos pes­ca­dos é a va­ri­e­da­de de es­pé­ci­es. Mes­mo paí­ses que mais ex­por­tam em al­gum mo­men­to tam­bém im­por­tam va­ri­e­da­des que não dis­põem.

Com o cres­ci­men­to po­pu­la­ci­o­nal, os pes­ca­dos con­se­guem fa­zer fa­ce à de­man­da em ex­pan­são por pro­teí­na ani­mal, acres­cen­tou Már­cio Cas­tro de Sou­za.

O au­men­to anu­al glo­bal do con­su­mo de pes­ca­do tem si­do du­as ve­zes mai­or que o cres­ci­men­to de­mo­grá­fi­co, se­gun­do a FAO. O con­su­mo pas­sou de 9 qui­los por pes­soa, em 1961, pa­ra 20,5 qui­los no ano pas­sa­do.

Na Amé­ri­ca La­ti­na, o con­su­mo por ha­bi­tan­te é de 9,8 qui­los por ha­bi­tan­te/ano, an­te 22,5 qui­los na Eu­ro­pa e 24 qui­los na Ásia.

A mai­o­ria da ofer­ta de pes­ca­do pa­ra con­su­mo hu­ma­no já vem da aqui­cul­tu­ra, com 54% do to­tal, e es­sa es­ca­la­da de­ve­rá con­ti­nu­ar. Até 2025, a ex­pec­ta­ti­va é que a pro­du­ção de pes­ca­do cres­ça pa­ra 196 mi­lhões de to­ne­la­das, an­te 171 mi­lhões de to­ne­la­das em 2016.

Apro­xi­ma­da­men­te 85% da pro­du­ção vi­rá dos paí­ses em de­sen­vol­vi­men­to. Mas há di­fe­ren­ças. Vá­ri­os emer­gen­tes en­fren­tam di­ver­sos en­tra­ves pa­ra ele­var su­as ven­das, co­mo infraestrutura e dis­tri­bui­ção de­fi­ci­en­tes.

No ca­so do Bra­sil, que tem um enor­me li­to­ral e boa quan­ti­da­de de es­pé­ci­es co­mer­ci­ais, um dos pro­ble­mas é a ca­rên­cia de ca­deia de fri­go­rí­fi­cos ade­qua­da pa­ra a con­ser­va­ção do pes­ca­do. Se­gun­do es­pe­ci­a­lis­tas, ou­tro é a tri­bu­ta­ção. A ra­ção pa­ra pei­xe pa­ga mais ta­xas do que os pro­du­tos vol­ta­dos a fran­gos ou ga­do, o que ini­be o avan­ço da aqui­cul­tu­ra.

Glo­bal­men­te, a Chi­na li­de­ra as ex­por­ta­ções mun­di­ais de pes­ca­do, com ven­das de US$ 20,1 bi­lhões em 2016 e 14,1% da fa­tia do mer­ca­do in­ter­na­ci­o­nal de pes­ca­do na­que­le ano. Em se­gui­da vêm No­ru­e­ga, com US$ 10,7 bi­lhões (7,6%), Vi­et­nã, com US$ 7,4 bi­lhões (5,1%), Tailândia, com US$ 5,89 bi­lhões (4,1%), e EUA, com US$ 5,81 bi­lhões (4,1%).

En­tre os de­sa­fi­os do seg­men­to pes­quei­ro glo­bal, Már­cio Cas­tro de Sou­za apon­ta a cres­cen­te pres­são pa­ra os pro­du­to­res e ex­por­ta­do­res pro­va­rem que seus pro­du­tos não são re­sul­ta­do de pesca ile­gal. Ou­tro obs­tá­cu­lo são as frau­des, já que mui­tas ve­zes es­pé­ci­es mais ba­ra­tas são ven­di­das no mer­ca­do in­ter­na­ci­o­nal com o ró­tu­lo de uma va­ri­e­da­de mais ca­ra.

No Bra­sil, por exem­plo, nas fes­tas na­ta­li­nas o pei­xe Po­la­ca, do Alas­ca, é ven­di­do co­mo pei­xe sal­ga­do ti­po ba­ca­lhau, com pre­ço até 600% mais ca­ro que seu va­lor re­al, se­gun­do fon­te do se­tor.

Co­mo pro­du­to pe­re­cí­vel, o pes­ca­do é es­pe­ci­al­men­te sen­sí­vel a bar­rei­ras téc­ni­cas. Por is­so, ex­por­ta­do­res eu­ro­peus mo­ni­to­ram as ne­go­ci­a­ções so­bre a saí­da do Rei­no Uni­do da União Eu­ro­peia pa­ra sa­ber se seus car­re­ga­men­tos vão ter de pa­rar nas fron­tei­ras e cor­rer ris­co de apo­dre­cer.

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