Sa­po­re pre­pa­ra no­va ofer­ta pa­ra união com IMC

Valor Econômico - - EMPRESAS - Juliana Schin­ca­ri­ol (Co­la­bo­ra­ram Sil­via Ro­sa e Adriana Mat­tos, de São Pau­lo)

A Sa­po­re, do em­pre­sá­rio Da­ni­el Men­dez, ne­go­cia com um con­sór­cio de ban­cos um fi­nan­ci­a­men­to de cer­ca de R$ 550 mi­lhões pa­ra lan­çar uma ofer­ta pú­bli­ca de aqui­si­ção de ações (OPA) por até 42,5% do ca­pi­tal da In­ter­na­ti­o­nal Me­al Com­pany (IMC), do­na das re­des Vi­e­na e Fran­go As­sa­do, apu­rou o Va­lor. A ope­ra­ção de­pen­de da ava­li­a­ção fi­nal das ins­ti­tui­ções fi­nan­cei­ras.

O fi­nan­ci­a­men­to se­ria re­a­li­za­do com um gru­po de três ban­cos — Bra­des­co, Ban­co do Bra­sil e Vo­to­ran­tim — por meio da Aban­zai, hol­ding que con­tro­la a Sa­po­re. A ideia é que a ope­ra­ção se­ja fei­ta por meio de de­bên­tu­res ou cé­du­la de cré­di­to ban­cá­rio (CCB), mas ain­da não há de­fi­ni­ção.

A OPA, de até 42,5% do ca­pi­tal da IMC, de­ve ser lan­ça­da a no máximo R$ 8,60 por ação. Co­mo a IMC apro­vou no iní­cio de ou­tu­bro uma re­du­ção de ca­pi­tal de R$ 100 mi­lhões, po­de ha­ver uma di­fe­ren­ça no va­lor a ser pa­go. A ope­ra­ção de­ve ser re­a­li­za­da pe­la Bra­sil Plu­ral por meio de lei­lão em bol­sa e a ex­pec­ta­ti­va é que se­ja apre­sen­ta­da nos pró­xi­mos di­as. Jun­tas, as du­as com­pa­nhi­as so­mam re­cei­ta de mais de R$ 3 bi­lhões e em­pre­gam cer­ca de 24 mil fun­ci­o­ná­ri­os.

A Sa­po­re, uma das mai­o­res ope­ra­do­ras de res­tau­ran­tes cor­po­ra­ti­vos do país, já ten­tou du­as ve­zes unir seus ne­gó­ci­os com a IMC, des­de o iní­cio de 2018. A pri­mei­ra ten­ta­ti­va, em 9 de fe­ve­rei­ro, en­vol­via o pa­ga­men­to de di­vi­den­dos ex­tra­or­di­ná­ri­os aos aci­o­nis­tas da IMC no va­lor de R$ 355,3 mi­lhões. A em­pre­sa de Men­dez pro­je­tou si­ner­gi­as de R$ 130 mi­lhões. A IMC con­si­de­rou os nú­me­ros al­tos de­mais e ques­ti­o­na­va o cál­cu­lo, no­ti­ci­ou o Va­lor à épo­ca, se­gun­do uma fon­te. Con­tas fi­nais apon­ta­vam uma si­ner­gia en­tre R$ 50 mi­lhões e R$ 80 mi­lhões.

Al­guns di­as de­pois, a IMC in­for­mou que seu con­se­lho de ad­mi­nis­tra­ção de­ci­diu não dar se­gui­men­to à aná­li­se da ofer­ta. Em fa­to re­le­van­te, dei­xou evi­den­te a fal­ta de en­ten­di­men­to en­tre as par­tes. Fi­cou aber­ta, no en­tan­to, a uma no­va ava­li­a­ção so­bre o as­sun­to.

Uma no­va in­ves­ti­da da em­pre­sa de Men­dez ocor­reu em ju­nho, sob no­vas con­di­ções. As em­pre­sas anun­ci­a­ram um acor­do de fu­são, que pre­via que os aci­o­nis­tas da IMC te­ri­am 65% da com­pa­nhia combinada e a Sa­po­re, 35% (Men­dez po­de­ria che­gar a uma par­ti­ci­pa­ção pos­te­ri­or de 41,79%). Em se­tem­bro, o con­se­lho de ad­mi­nis­tra­ção da IMC de­ci­diu res­cin­dir o com­pro­mis­so, após o tér­mi­no dos tra­ba­lhos de au­di­to­ria.

Am­bas as em­pre­sas te­ri­am en­con­tra­do di­ver­gên­ci­as nos nú­me­ros que de­ve­ri­am servir de ba­se pa­ra ava­li­a­ção dos ne­gó­ci­os.

Com a ne­ga­ti­va da IMC, foi le­van­ta­da a pos­si­bi­li­da­de de a Sa­po­re re­a­li­zar uma OPA com fun­dos de pri­va­te equity, mas a ne­go­ci­a­ção não avan­çou.

Ago­ra, se a es­tra­té­gia de OPA que es­tá sen­do for­mu­la­da for bem-su­ce­di­da, Men­dez po­de se tor­nar o mai­or aci­o­nis­ta da IMC com até 42,5% das ações. Na sequên­cia, po­de­ria ser re­a­pre­sen­ta­da a pro­pos­ta de fu­são nos mol­des da ofer­ta de ju­nho.

No ca­so de uma ofer­ta hostil por 100% das ações em­pre­sa, a ope­ra­ção en­vol­ve­ria R$ 1,4 bi­lhão (in­cluin­do prê­mio). A Sa­po­re fe­chou 2017 com cer­ca de R$ 25 mi­lhões em cai­xa.

Pro­cu­ra­da pe­la re­por­ta­gem, a Sa­po­re afir­mou que con­ti­nua aten­ta ao mer­ca­do pa­ra “en­trar for­te­men­te no va­re­jo, mas não há na­da de con­cre­to no mo­men­to”. Já a IMC in­for­mou que des­co­nhe­ce a no­va ini­ci­a­ti­va da Sa­po­re.

On­tem, a IMC di­vul­gou lu­cro lí­qui­do de R$ 13,2 mi­lhões no ter­cei­ro tri­mes­tre des­te ano, uma que­da de 39,3% na com­pa­ra­ção com igual pe­río­do do ano pas­sa­do. A re­cei­ta lí­qui­da da com­pa­nhia su­biu 11,5%, pa­ra R$ 400 mi­lhões e o Ebit­da caiu 3,6%, pa­ra R$ 50,6 mi­lhões.

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