Azul vê es­pa­ço pa­ra cres­ci­men­to ace­le­ra­do em 2019

Valor Econômico - - | EMPRESAS SERVIÇOS&TECNOLOGIA - Avi­a­ção Ci­bel­le Bou­ças Ivan Ryn­gel­blum) (Co­la­bo­rou

A Azul, ter­cei­ra mai­or com­pa­nhia aé­rea do Bra­sil, in­for­mou on­tem que es­pe­ra ace­le­rar seu rit­mo de cres­ci­men­to em 2019, im­pul­si­o­na­da pe­la recuperação da eco­no­mia e pe­lo au­men­to da frota, com a che­ga­da de 15 ae­ro­na­ves.

John Rod­ger­son, pre­si­den­te da com­pa­nhia aé­rea, dis­se que a me­lho­ria nos re­sul­ta­dos já co­me­ça­rá a ser ob­ser­va­da no qu­ar­to tri­mes­tre des­te ano. “A de­man­da es­tá boa no mer­ca­do bra­si­lei­ro. Além dis­so, o dó­lar e o pre­ço dos com­bus­tí­veis bai­xou em com­pa­ra­ção ao ter­cei­ro tri­mes­tre. Es­ta­mos bem ani­ma­dos com o qu­ar­to tri­mes­tre e o pró­xi­mo ano”, afir­mou.

No ter­cei­ro tri­mes­tre, a com­pa­nhia re­por­tou um lu­cro lí­qui­do de R$ 116,6 mi­lhões, em que­da de 41,5% em com­pa­ra­ção com o mes­mo in­ter­va­lo de 2017. O re­cuo foi as­so­ci­a­do a per­das com a des­va­lo­ri­za­ção de 25,1% do re­al no pe­río­do e com o au­men­to de 47,1% no pre­ço do com­bus­tí­vel por li­tro. O re­sul­ta­do, mes­mo em que­da, foi me­lhor que o es­pe­ra­do por ana­lis­tas de mer­ca­do.

A re­cei­ta lí­qui­da no tri­mes­tre cres­ceu 22,6%, pa­ra R$ 2,44 bi­lhões. O lu­cro ope­ra­ci­o­nal da com­pa­nhia te­ve que­da de 28,3%, pa­ra R$ 174,1 mi­lhões, re­sul­ta­do de au­men­to nos cus­tos e des­pe­sas ope­ra­ci­o­nais de 29,7%, pa­ra R$ 2,28 bi­lhões. O lu­cro an­tes de ju­ros, im­pos­tos, de­pre­ci­a­ção, amor­ti­za­ção e ar­ren­da­men­tos (Ebit­dar) cres­ceu 7,6%, pa­ra R$ 675,4 mi­lhões.

Rod­ger­son dis­se em en­tre­vis­ta ao Va­lor que a Azul vai man­ter o rit­mo de ex­pan­são de ro­tas em 2019, com aber­tu­ra de vo­os pa­ra seis a oi­to no­vas ci­da­des no país. “Mui­tas em­pre­sas se con­cen­tram em São Pau­lo e no Rio e es­que­cem o ta­ma­nho do país. A Azul es­tá cres­cen­do mui­to fo­ra da ro­ta Rio-São Pau­lo”, afir­mou.

O pre­si­den­te da Azul dis­se que 15 ae­ro­na­ves no­vas se­rão in­cluí­das na frota no ano que vem, aju­dan­do a im­pul­si­o­nar a ex­pan­são de vo­os. Das 15 ae­ro­na­ves, du­as se­rão do mo­de­lo Em­bra­er E195 E2, se­te se­rão Air­bus A320­neo, três se­rão A330­neo (usa­das em des­ti­nos in­ter­na­ci­o­a­nis) e três se­rão ATR (des­ti­na­das a vo­os re­gi­o­nais).

Os no­vos aviões pro­por­ci­o­nam um cus­to por as­sen­to de 26% a 29% me­nor em com­pa­ra­ção à frota atu­al da com­pa­nhia. “Es­ta­mos bem oti­mis­tas com o pró­xi­mo ano e com a trans­for­ma­ção da frota”, afir­mou Rod­ger­son. O exe­cu­ti­vo es­ti­ma am­pli­ar em 18% a ofer­ta de vo­os em 2019, an­te uma ex­pec­ta­ti­va de am­pli­a­ção de 16% nes­te ano. Nos no­ve pri­mei­ros me­ses de 2018, a com­pa­nhia re­gis­trou um in­cre­men­to na ofer­ta to­tal de 16,7%.

Rod­ger­son tam­bém dis­se que a Azul es­pe­ra uma ace­le­ra­ção no cres­ci­men­to da ofer­ta de vo­os no mer­ca­do bra­si­lei­ro. “Só o am­bi­en­te ma­cro­e­conô­mi­co mais es­tá­vel já é bom pa­ra a com­pa­nhia. É im­por­tan­te que o go­ver­no con­si­ga apro­var re­for­mas pa­ra dar mais con­fi­an­ça aos in­ves­ti­do­res e aos con­su­mi­do­res. Até ago­ra, o que es­ta­mos ven­do é mui­to po­si­ti­vo”, afir­mou o exe­cu­ti­vo, em re­la­ção aos pri­mei­ros atos de Jair Bol­so­na­ro (PSL), elei­to pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca pa­ra as­su­mir o car­go a par­tir de 1 de ja­nei­ro de 2019.

Pa­ra ofer­ta no mer­ca­do do­més­ti­co, a Azul es­ti­ma um cres­ci­men­to de 8% em 2019. Pa­ra es­te ano, a es­ti­ma­ti­va es­tá mais pró­xi­ma dos 7%. No acu­mu­la­do de ja­nei­ro a se­tem­bro, o au­men­to foi de 6,5%. “O mer­ca­do do­més­ti­co é o mais re­pre­sen­ta­ti­vo no nos­so ne­gó­cio e é on­de ve­jo mais opor­tu­ni­da­de de cres­ci­men­to”, dis­se. Em re­la­ção à de­man­da por vo­os in­ter­na­ci­o­nais, Rod­ger­son es­pe­ra um cres­ci­men­to em rit­mo mais len­to.

Rod­ger­son afir­mou ain­da que pre­vê um avan­ço mais for­te na mar­gem ope­ra­ci­o­nal no pró­xi­mo ano, gra­ças a um im­pac­to mais fraco do câm­bio nos cus­tos da com­pa­nhia. Pa­ra 2018, a Azul projeta au­men­to de 9% na mar­gem ope­ra­ci­o­nal, ex­cluin­do even­tos não-re­cor­ren­tes. No acu­mu­la­do de ja­nei­ro a se­tem­bro, o in­di­ca­dor cres­ceu 7,8%, o que in­di­ca uma pers­pec­ti­va de au­men­to no tri­mes­tre atu­al.

“A de­man­da em ou­tu­bro cres­ceu. Acre­di­to que em no­vem­bro e de­zem­bro ha­ve­rá me­lho­ra no in­di­ca­dor”, dis­se o exe­cu­ti­vo. Em ou­tu­bro, a de­man­da da Azul, me­di­da em pas­sa­gei­ros por quilô­me­tro trans­por­ta­do, cres­ceu 15,9%, em re­la­ção a ou­tu­bro de 2017.

LE­O­NAR­DO RO­DRI­GUES/VA­LOR

John Rod­ger­son, pre­si­den­te da Azul: “Só o am­bi­en­te ma­cro­e­conô­mi­co mais es­tá­vel já é bom pa­ra a com­pa­nhia”

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