Zero Hora

RE­LA­TOR DA PEC EMER­GEN­CI­AL PRO­PÕE FIM DO PI­SO DE GAS­TOS EM SAÚ­DE E EDU­CA­ÇÃO

- Federal government of Brazil · Paulo Roberto Nunes Guedes · Como · Assassin's Creed · Party of the Brazilian Democratic Movement · Federal District · Getúlio Vargas

Ca­so a pro­pos­ta se­ja apro­va­da co­mo es­tá, Es­ta­dos e mu­ni­cí­pi­os fi­cam de­so­bri­ga­dos de fa­zer in­ves­ti­men­to mí­ni­mo nes­sas du­as áre­as.

A mi­nu­ta da pro­pos­ta de emen­da à Cons­ti­tui­ção (PEC) que re­cria o au­xí­lio emer­gen­ci­al pre­vê o fim dos mí­ni­mos de gas­tos em saú­de e edu­ca­ção, tan­to na União quan­to em Es­ta­dos e mu­ni­cí­pi­os.

Es­sa pro­pos­ta já ha­via si­do co­gi­ta­da pe­la equi­pe do mi­nis­tro da Eco­no­mia, Pau­lo Gu­e­des, no fim de 2019, quan­do foi en­vi­a­da a PEC do pac­to fe­de­ra­ti­vo, mas aca­bou per­den­do for­ça di­an­te das for­tes re­sis­tên­ci­as. Co­mo re­sul­ta­do, a ini­ci­a­ti­va foi de ape­nas fun­dir os mí­ni­mos em saú­de e edu­ca­ção pa­ra que os ges­to­res ti­ves­sem mais fle­xi­bi­li­da­de na apli­ca­ção dos re­cur­sos. Ago­ra, o re­la­tor, se­na­dor Mar­cio Bit­tar (MDB-AC), re­to­ma a ideia ori­gi­nal.

Ca­so es­sa ini­ci­a­ti­va se­ja apro­va­da pe­lo Con­gres­so, os par­la­men­ta­res fe­de­rais, es­ta­du­ais e mu­ni­ci­pais te­rão de de­ci­dir ano a ano qu­al se­rá o mon­tan­te de re­cur­sos des­ti­na­do à edu­ca­ção e à saú­de, dis­pu­tan­do com ou­tras de­man­das den­tro do or­ça­men­to. Atu­al­men­te, os Es­ta­dos e o Dis­tri­to Fe­de­ral pre­ci­sam des­ti­nar 12% das re­cei­tas com impostos às ações de saú­de. Os mu­ni­cí­pi­os têm de apli­car o equi­va­len­te a 15%. Na União, es­se per­cen­tu­al tam­bém era de 15% da re­cei­ta cor­ren­te lí­qui­da até 2017, quan­do o pi­so pas­sou a ser atu­a­li­za­do pe­la in­fla­ção.

His­tó­ria

No ca­so da edu­ca­ção, o mí­ni­mo é de 25% das re­cei­tas com impostos pa­ra Es­ta­dos e mu­ni­cí­pi­os. Na União, o pi­so era de 18% até 2017, quan­do o va­lor pas­sou a ser atu­a­li­za­do pe­la in­fla­ção.

Des­de a dé­ca­da de 1930, quan­do a Cons­ti­tui­ção pas­sou a pre­ver per­cen­tu­al de apli­ca­ção mí­ni­ma na edu­ca­ção, o pi­so dei­xou de exis­tir ape­nas em pe­río­dos au­to­ri­tá­ri­os: du­ran­te o Es­ta­do No­vo de Ge­tú­lio Var­gas (1937-1946) e no pe­río­do de 1967 a 1988, sob a Car­ta ou­tor­ga­da pe­lo re­gi­me mi­li­tar. Já a vin­cu­la­ção da saú­de foi in­cluí­da na atu­al Cons­ti­tui­ção, vi­gen­te há mais de 30 anos.

O tex­to, ao qu­al a agên­cia Es­ta­dão te­ve aces­so, tem a mar­ca de ho­rá­rio de 22h25­min de do­min­go e foi en­ca­mi­nha­do às li­de­ran­ças pa­ra uma ro­da­da de ava­li­a­ção, an­tes de ser pro­to­co­la­do pe­lo re­la­tor. Por is­so, ain­da po­de so­frer al­te­ra­ções. Na mi­nu­ta, os ar­ti­gos da Cons­ti­tui­ção que pre­ve­em os mí­ni­mos em saú­de e edu­ca­ção são sim­ples­men­te re­vo­ga­dos.

– As vin­cu­la­ções têm uma ra­zão de ser. O ja­bu­ti so­be na ár­vo­re e es­tá lá em ci­ma por uma ra­zão, não so­be so­zi­nho. A Cons­ti­tui­ção de 88, que co­lo­cou is­so co­mo pri­o­ri­tá­rio, ti­nha o ob­je­ti­vo de ga­ran­tir fa­ti­as do or­ça­men­to pa­ra áre­as es­sen­ci­ais. Mu­dar is­so não é tri­vi­al. É mais um pon­to que vai exi­gir lon­ga dis­cus­são – afir­mou o di­re­tor-exe­cu­ti­vo da Ins­ti­tui­ção Fis­cal In­de­pen­den­te (IFI) do Se­na­do, Fe­li­pe Sal­to.

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