Me­xer……

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Quan­do pe­que­no gos­ta­va mui­to de me­xer. O miú­do me­xia em tu­do, até que a sua avó, nu­ma da­que­las oca­siões, atri­bui-lhe o no­me de Me­xer. Pri­mei­ro fi­cou en­tre ele e sua avó, mas de­pois mais pes­so­as co­nhe­ce­ram-lhe as­sim, des­de a fa­mí­lia aos ami­gos, e o no­me Edson An­dré Si­toe aca­bou fi­can­do ape­nas no bi­lhe­te de iden­ti­da­de, pois pa­ra to­dos ele é Me­xer.

Edson nas­ceu em Maputo, a 8 de Se­tem­bro de 1988. É! Mui­tos anos an­tes de Maputo ser di­vi­di­da em ci­da­de de Maputo, a ca­pi­tal do país, e pro­vín­cia de Maputo.

Co­mo jo­ga­dor de fu­te­bol, Me­xer é pro­du­to do BEBEC, um tor­neio de fu­te­bol in­fan­til. Ele re­pre­sen­tou o bair­ro do Al­to-Maé. O mis­ter Ed­gar, um ele­men­to do qua­dro téc­ni­co do Gru­po Des­por­ti­vo de Maputo, apai­xo­nou-se pe­lo ta­len­to de Me­xer e con­vi­dou-lhe pa­ra in­te­grar-se nas ca­ma­das de for­ma­ção do clu­be.

Foi no Des­por­ti­vo que Me­xer fez a sua ini­ci­a­ção. Mas, tam­bém,

che­gou a jo­gar nas ca­ma­das de for­ma­ção do Maha­fil. Aquan­do da des­co­ber­ta, o pe­que­no Me­xer jo­ga­va na de­fe­sa. Mas no Des­por­ti­vo, Ed­gar pós-lhe à trin­co, pe­las su­as ca­pa­ci­da­des téc­ni­cas. Já nos se­ni­o­res, vol­tou a ser de­fe­sa, ape­sar de al­gu­mas ve­zes ter si­do cha­ma­do pa­ra jo­gar no cen­tro do ter­re­no.

Ele é cal­mo, bom no jo­go aéreo e no de­sar­me, mas tem di­fi­cul­da­des pa­ra fi­na­li­zar [é por is­so que é de­fe­sa]. Em 2005, foi con­vo­ca­do pe­la pri­mei­ra vez pa­ra a Selecção Na­ci­o­nal sub-17, que dis­pu­tou o Tor­neio da CPLP, na ci­da­de de Bra­sí­lia (Brasil). E naquele tor­neio a sua exi­bi­ção ge­rou co­bi­ça de clu­bes bra­si­lei­ros. Che­gou a ter al­gu­mas pro­pos­tas, mas na­da além dis­so. De­pois da­que­la par­ti­ci­pa­ção, Me­xer foi su­bin­do pa­ra ca­ma­das ime­di­a­ta­men­te su­pe­ri­o­res. E quan­do che­gou à Selecção sub23, os Mam­bi­nhas, foi-lhe con­fi­a­da a bra­ça­dei­ra de ca­pi­tão. E foi nos Mam­bi­nhas, com 21 anos de ida­de, on­de es­pe­rou uma va­ga na Selecção prin­ci­pal.

A Selecção Na­ci­o­nal de Fu­te­bol, os Mam­bas, es­ta­va na du­pla cam­pa­nha pa­ra o Cam­pe­o­na­to Afri­ca­no das Na­ções (CAN2010) e o Mun­di­al de 2010, que ti­ve­ram lu­gar em An­go­la e Áfri­ca do Sul, res­pec­ti­va­men­te. O de­fe­sa Fa­nu­el es­te­ve cas­ti­ga­do por acu­mu­la­ção de car­tões ama­re­los e as­sim não pô­de de­fron­tar o Qué­nia.

A sus­pen­são de Fa­nu­el ge­rou a opor­tu­ni­da­de que Me­xer tan­to es­pe­ra­va. O téc­ni­co Mart No­oij na pro­cu­ra de um jo­ga­dor tec­ni­ca­men­te bom, tac­ti­ca­men­te dis­ci­pli­na­do, e igualmente bom a jo­gar à zo­na, pa­ra ac­tu­ar no cen­tro da de­fe­sa dos Mam­bas, en­con­trou Me­xer. Con­vo­cou-lhe, e fê-lo jo­gar à ti­tu­lar. O atle­ta fez da opor­tu­ni­da­de uma es­treia me­mo­rá­vel. Foi di­an­te do Qué­nia, a 6 de Se­tem­bro de 2009, em Maputo.

Um mês de­pois, Me­xer vol­tou a ser ti­tu­lar, des­ta fei­ta, con­tra Ni­gé­ria, em Abu­ja, pe­lo fac­to de Dá­rio Khan não ter com­pa­re­ci­do. O jovem jo­ga­dor fez do jo­go uma es­pé­cie de “se­cond re­quest” da sua es­treia. A par­ti­da sor­riu pa­ra Me­xer, mes­mo a der­ro­ta por 0-1, com um go­lo mar­ca­do aos 93 mi­nu­tos, não fez a exi­bi­ção do atle­ta pas­sar des­per­ce­bi­da. E a 14 de No­vem­bro de 2009, man­te­ve a ti­tu­la­ri­da­de di­an­te da Tu­ní­sia, num jo­go em que Mo­çam­bi­que ven­ceu por 1-0, e qua­li­fi­cou-se pa­ra o CAN-2010.

As três “ti­tu­la­ri­da­des” mu­da­ram o ru­mo da vi­da do jo­ga­dor. Me­xer des­per­tou in­te­res­se de clu­bes co­mo Spor­ting, Spor­ting de Bra­ga, FC Por­to, to­dos de Por­tu­gal; Bron­dly (Di­na­mar­ca); e clu­bes sul-afri­ca­nos co­mo Su­pers­port, BidVest Wits e Ma­me­lo­di Sun­downs. O úl­ti­mo foi dos pri­mei­ros a apre­sen­tar a pro­pos­ta. Da­dos pu­bli­ca­dos na al­tu­ra, pe­lo prin­ci­pal jor­nal des­por­ti­vo do país, de­sa­fio, in­di­cam que o Ma­me­lo­di iria pa­gar 200 mil dó­la­res norte-ame­ri­ca­nos pe­la com­pra do jo­ga­dor, uma so­ma mo­ne­tá­ria de 6.700 dó­la­res co­mo sa­lá­rio, e 1350 dó­la­res co­mo pré­mio de jo­go, nú­me­ros as­tro­nó­mi­cos pa­ra a re­a­li­da­de mo­çam­bi­ca­na. O jo­ga­dor e o en­tão pre­si­den­te do Des­por­ti­vo, Mi­cha­el Gris­pos, che­ga­ram a vi­a­jar pa­ra Áfri­ca do Sul pa­ra con­ver­sar com os pro­po­nen­tes.

A ida à Áfri­ca do Sul che­gou a

ge­rar po­lé­mi­ca, por­que se acre­di­tou que o Spor­ting de Por­tu­gal era a me­lhor pro­pos­ta pa­ra Me­xer. Con­tu­do, Gris­pos re­a­giu afirmando que se o Spor­ting es­ti­ves­se in­te­res­sa­do de­ve­ria apre­sen­tar uma pro­pos­ta de con­tra­to e não pa­ra ir fa­zer tes­te de 30 di­as, uma vez que os clu­bes sul-afri­ca­nos já ha­vi­am adi­an­ta­do, e Me­xer já era jo­ga­dor de Selecção Na­ci­o­nal, por is­so não fa­zia sen­ti­do sair pa­ra fa­zer tes­tes.

Na se­ma­na se­guin­te, o Spor­ting Clu­be de Por­tu­gal for­ma­li­zou o in­te­res­se pe­lo jo­ga­dor, fa­zen­do uma pro­pos­ta de 250 mil dó­la­res. Após ne­go­ci­a­ções, Me­xer ru­mou pa­ra o clu­be de Al­va­la­de, na pri­mei­ra quin­ze­na de De­zem­bro, e as­si­nou por du­as tem­po­ra­das e meia.

Foi um mo­men­to úni­co pa­ra Me­xer. Tu­do di­fe­ren­te: che­gar no ae­ro­por­to, en­con­trar adep­tos do clu­be do seu co­ra­ção es­pe­ran­do por ele; pe­di­dos pa­ra fo­to­gra­fi­as com adep­tos; e vá­ri­os ór­gãos de co­mu­ni­ca­ção so­ci­al. É! Coi­sa do ou­tro mun­do, co­mo ele mes­mo re­ve­lou em su­as entrevistas.

Após a as­si­na­tu­ra do con­tra­to, Me­xer fi­cou pou­co tem­po em Lis­boa, por­que te­ve de vol­tar pa­ra se in­te­grar na Selecção Na­ci­o­nal, que es­ta­va pres­tes a par­ti­ci­par da fa­se fi­nal do CAN-2010, em An­go­la. Con­tu­do, deu tem­po pa­ra vi­si­tar o Es­tá­dio Al­va­la­de XXI e a Aca­de­mia de Al­co­che­te, on­de se en­con­trou com o di­rec­tor des­por­ti­vo, Sá Pin­to, e o en­tão trei­na­dor do Spor­ting, Car­los Car­va­lhal.

Sá Pin­to li­mi­tou-se em ape­nas man­tê-lo bem-dis­pos­to. Já Car­los Car­va­lhal pro­cu­rou, em apro­xi­ma­da­men­te uma ho­ra, dar-lhe con­se­lhos e co­nhe­cê-lo me­lhor. Em prin­cí­pio, a ideia era em­pres­tar Me­xer à um ou­tro clu­be pa­ra ob­ser­vá-lo de per­to, mas lo­go de­pois de vi­su­a­li­za­rem os ví­de­os que o seu agen­te, Sha­fee Si­dat, tra­zia, mu­da­ram de ideia e co­lo­ca­ram a pos­si­bi­li­da­de de jo­gar no Spor­ting re­fém da sua ac­tu­a­ção no CAN-2010.

Os Mam­bas não par­ti­ci­pa­vam num CAN há sen­si­vel­men­te 12 anos. O sor­teio co­lo­cou Mo­çam­bi­que no mes­mo gru­po que a Ni­gé­ria, Egip­to e Be­nin. Me­xer foi um dos 23 elei­tos pa­ra par­ti­ci­par no mai­or even­to do fu­te­bol afri­ca­no. Mo­çam­bi­que ter­mi­nou a pri­mei­ra fa­se na úl­ti­ma po­si­ção com um pon­to, ob­ti­do atra­vés de um em­pa­te a du­as bo­las no jo­go de es­treia, di­an­te do Be­nin. Me­xer foi ti­tu­lar nas pri­mei­ras du­as par­ti­das, e fi­cou de fo­ra no en­con­tro en­tre Mo­çam­bi­que e Ni­gé­ria. Ter­mi­na­do o CAN, Me­xer ru­mou pa­ra o seu no­vo clu­be. O cen­tral re­gres­sou com uma le­são na zo­na da co­xa es­quer­da, que im­pos­si­bi­li­tou o even­tu­al em­prés­ti­mo e lhe dei­xou fo­ra dos rel­va­dos por apro­xi­ma­da­men­te seis se­ma­nas. De­pois de re­cu­pe­rar, o jo­ga­dor per­ma­ne­ceu em Al­va­la­de. A pri­mei­ra épo­ca foi di­fí­cil pa­ra o atle­ta, não fez ne­nhum jo­go, só trei­nou.

Na tem­po­ra­da se­guin­te, Me­xer foi em­pres­ta­do pa­ra Olha­nen­se. O clu­be do Olhão deu-lhe a opor­tu­ni­da­de de jo­gar e mos­trar o seu po­ten­ci­al em cam­po. Na al­tu­ra, o Olha­nen­se era trei­na­do pe­lo mo­çam­bi­ca­no Daú­do Fa­qui­rá, que apos­tou em Me­xer. En­con­trou di­fi­cul­da­des pa­ra ga­nhar o seu es­pa­ço, por is­so jo­gou em vá­ri­as po­si­ções, à ex­cep­ção do ata­que e guar­da-re­des, até que um dos dois de­fe­sas cen­trais que já jo­ga­va há al­gum tem­po no Olhão fo­ra vendido.

Na pri­mei­ra tem­po­ra­da no Olha­nen­se, Me­xer fez 21 jo­gos. O Spor­ting vol­tou a em­pres­tar o jo­ga­dor.

O Mam­ba foi ti­tu­lar em 26 dos 27 jo­gos que par­ti­ci­pou, ten­do si­do um ele­men­to pre­pon­de­ran­te na equi­pa. As exi­bi­ções de Me­xer re­sul­ta­ram na sua con­tra­ta­ção pa­ra o Na­ci­o­nal da Ma­dei­ra, co­man­da­do por Ma­nu­el Ma­cha­do. Me­xer in­gres­sou na Ma­dei­ra na épo­ca 2012/13 e já es­ta­va adap­ta­do ao cam­pe­o­na­to por­tu­guês. O cen­tral fez 33 jo­gos, e ape­sar de não ser um bom fi­na­li­za­dor, mar­cou os seus pri­mei­ros dois golos na Li­ga por­tu­gue­sa. Na tem­po­ra­da se­guin­te, foi to­ta­lis­ta e viu ape­nas um car­tão ama­re­lo. Aliás, ele foi con­si­de­ran­do um dos me­lho­res de­fe­sas cen­trais a ac­tu­ar na pri­mei­ra Li­ga por­tu­gue­sa, na épo­ca 2013/14. Apro­vei­tan­do-se da sim­pa­tia que gran­je­ou atra­vés das su­as exi­bi­ções, Me­xer aler­tou ao seu trei- na­dor que ha­via mais jo­ga­do­res ta­len­to­sos em Mo­çam­bi­que e re­co­men­dou Zai­na­di­ne Jú­ni­or. A se­guir, fo­ram tam­bém pa­ra o Na­ci­o­nal Re­gi­nal­do Fai­fe e Te­li­nho. A pres­ta­ção de Me­xer no Na­ci­o­nal ge­rou co­bi­ça de clu­bes de ou­tros paí­ses eu­ro­peus. Em Ja­nei­ro de 2014, o cen­tral che­gou a fa­zer tes­tes mé­di­cos e a as­si­nar um con­tra­to pe­lo Ren­nes da Fran­ça, mas o ne­gó­cio ava­li­a­do em dois mi­lhões de eu­ros aca­bou cain­do por ter­ra. Me­xer ex­pli­cou de­pois que hou­ve pro­ble­ma de or­ga­ni­za­ção in­ter­na do clu­be, cor­ria ris­cos de des­cer de di­vi­são e que o seu empresário e o téc­ni­co do Na­ci­o­nal acon­se­lha­ram-lhe a vol­tar e aju­dar o clu­be da Ma­dei­ra a lu­tar por um lu­gar nas com­pe­ti­ções eu­ro­pei­as.

Três me­ses de­pois, Me­xer foi as­so­ci­a­do ao Mó­na­co da Fran­ça, uma trans­fe­rên­cia que po­dia ser re­a­li­za­da por três mi­lhões de eu­ros. Mas a 19 de Ju­nho de 2014, o cen­tral as­si­nou pe­lo Sta­de Ren­nais FC, um con­tra­to es­ti­ma­do em 2,2 mi­lhões de eu­ros e vá­li­do por três tem­po­ra­das. E em Fe­ve­rei­ro de 2016, Me­xer acei­tou re­no­var o seu vín­cu­lo con­tra­tu­al com o clu­be fran­cês até 2019.

Fo­ra dos rel­va­dos, Edson Si­toe noi­vou-se com Be­nil­de Ner­cia, em De­zem­bro de 2015, e a 16 de Ju­nho de 2017 ca­sa­ram. O atle­ta tem in­te­res­ses eco­nó­mi­cos no

fu­te­bol.. ra­mo imo­bi­liá­rio. Já em 2014, ha­via co­me­ça­do a pre­pa­rar a sua re­for­ma in­ves­tin­do na imo­bi­liá­ria com o di­nhei­ro que ga­nha jogando

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