Ga­tos: Ame­ri­can Curl

Um ga­to de ore­lhas en­ca­ra­co­la­das

Caes & Companhia - - CONTENTS -

O Ame­ri­can Curl dis­tin­gue-se pe­las su­as ore­lhas sin­gu­la­res, en­ro­la­das pa­ra trás, que po­di­am ter si­do de­se­nha­das por um de­sig­ner van­guar­dis­ta. E dão ao seu fo­ci­nho uma apa­rên­cia có­mi­ca e di­ver­ti­da.

Num dia de Ju­nho de 1981, uma ga­ti­nha pre­ta de pe­lo com­pri­do e se­do­so – de ore­lhas pou­co usu­ais – apa­re­ceu jun­to à por­ta de ca­sa do ca­sal Joe e Gra­ce Ru­ga. Joe ob­ser­vou a si­tu­a­ção e de­ci­diu que a me­lhor solução pa­ra a ga­ti­nha não fi­car jun­to a sua ca­sa se­ria pe­dir à sua es­po­sa que não lhe des­se co­mer. Gra­ce não li­gou ao seu ma­ri­do e se­guiu o seu co­ra­ção, dei­xan­do co­mi­da no al­pen­dre. A ca­ri­nho­sa ga­ti­nha não tar­dou mui­to a ga­nhar o amor do ca­sal Ru­ga, so­bre­tu­do de Joe. Cha­ma­ram-lhe Shu­la­mith, no­me he­breu de­ri­va­do pa­ra pa­la­vra sha­lom (paz), que se po­de tra­du­zir co­mo “tran­qui­la”. To­dos os Ame­ri­can Curl têm a Shu­la­mith no seu pe­di­gree, pois es­ta foi a fun­da­do­ra da ra­ça. Em de­zem­bro de 1981,

Shu­la­mith pa­riu a sua pri­mei­ra ni­nha­da de 4 ga­ti­nhos, dos quais dois ti­nham as ore­lhas en­ca­ra­co­la­das co­mo as da mãe. Era o iní­cio de uma no­va ra­ça.

Os ga­ti­nhos

Os ga­ti­nhos nas­cem com as ore­lhas re­tas. Es­tas cur­vam-se en­tre umas pou­cas ho­ras após o nas­ci­men­to e a pri­mei­ra se­ma­na de vi­da. Nem to­dos os ga­ti­nhos nas­ci­dos de pais Ame­ri­can Curl pu­ros de­sen­vol­vem as ore­lhas en­ca­ra­co­la­das. En­tre as 6 e as 16 se­ma­nas de ida­de as ore­lhas en­tram num pe­río­do de tran­si­ção, no qual o grau de en­ro­la­men­to va­ria. Co­mo a car­ti­la­gem da sua ore­lha é du­ra não se de­ve ma­ni­pu­lar, pois po­de­mos pro­vo­car da­nos. Pre­ci­sa­men­te por as su­as ore­lhas não se­rem fle­xí­veis, o ga­to tem di­fi­cul­da­de na sua lim­pe­za, por is­so o do­no de­ve re­cor­rer re­gu­lar­men­te ao uso de co­to­ne­tes de al­go­dão pa­ra a sua hi­gi­e­ne. As ore­lhas são mo­de­ra­da­men­te gran­des, lar­gas na ba­se e as su­as pon­tas são ar­re­don­da­das e fle­xí­veis. Ca­da ore­lha cur­va-se num ar­co su­a­ve.

Ex­pres­si­vi­da­de das ore­lhas

O ros­to do ga­to é pou­co ex­pres­si­vo, não ex­te­ri­o­ri­za sen­ti­men­tos. Mas é ca­paz de mos­trar uma gran­de quan­ti­da­de de es­ta­dos aní­mi­cos atra­vés das su­as ore­lhas. Do­ta­das de mo­bi­li­da­de gra­ças aos 32 mús­cu­los que o ani­mal con­tro­la. Se um ga­to le­van­ta as ore­lhas, as vol­ta pa­ra trás e con­trai as pu­pi­las, é si­nal de ame­a­ça. Se um ga­to le­van­ta as ore­lhas e abre os olhos com­ple­ta­men­te, quer jo­gar. Se um ga­to bai­xa ao ore­lhas, com­ple­ta­men­te co­la­das à par­te de trás da ca­be­ça, se­mi­cer­ra os olhos e vol­ta a ca­be­ça pa­ra o ou­tro la­do, es­tá a de­mons­trar que não tem in­ten­ções de ata­car e que es­pe­ra re­ce­ber a mes­ma con­si­de­ra­ção. Es­ta ex­pres­si­vi­da­de tão ri­ca é bas­tan­te li­mi­ta­da nos ga­tos Ame­ri­can Curl, por cul­pa das su­as pe­cu­li­a­res ore­lhas en­ca­ra­co­la­das.

A sua ge­né­ti­ca

A ge­né­ti­ca da ra­ça é bem co­nhe­ci­da gra­ças à in­ves­ti­ga­ção do ge­ne­ti­cis­ta bri­tâ­ni­co de re­no­me Roy Ro­bin­son, que ana­li­sou os da­dos de 383 ga­ti­nhos pro­ce­den­tes de 81 ni­nha­das e de­ter­mi­nou que a for­ma pe­cu­li­ar das su­as ore­lhas se de­ve a um ge­ne au­tos­só­mi­co do­mi­nan­te, o que quer di­zer que qual­quer ga­to com ape­nas um ge­ne mos­tra es­ta ca­rac­te­rís­ti­ca. Atu­al­men­te exis­tem du­as va­ri­e­da­des, uma de pe­lo cur­to (Ame­ri­can Curl Shorthair) e ou­tra de pe­lo com­pri­do (Ame­ri­can Curl Longhair), que apa­re­ceu mais tar­de. O grau de cur­va­tu­ra da ore­lha va­ria bas­tan­te en­tre os in­di­ví­du­os. Ao nas­cer as ore­lhas es­tão er­gui­das, mas co­me­çam a en­ca­ra­co­lar nos pri­mei­ros di­as de vi­da; o pro­ces­so não se es­ta­bi­li­za até aos 4 me­ses.

Um ga­to de ca­sa

É um ga­to que pos­sui um gran­de equi­lí­brio emo­ci­o­nal, sem dei­xar de ser um ani­mal ati­vo. Adap­ta-se bem à vi­da em apar­ta­men­to, em­bo­ra ne­ces­si­te de jo­gar e de se di­ver­tir, pois é um ga­to mui­to in­te­li­gen­te que gos­ta de ex­plo­rar o que o ro­deia. Con­vi­ve bem com ou­tros ga­tos, e tam­bém to­le­ra os cães.

A ra­ça des­ta­ca-se pe­las ore­lhas en­ca­ra­co­la­das pa­ra trás, que dão ao seu fo­ci­nho uma apa­rên­cia có­mi­ca e di­ver­ti­da

Exis­tem du­as va­ri­e­da­des da ra­ça, uma de pe­lo cur­to e ou­tra de pe­lo com­pri­do, que apa­re­ceu mais tar­de.

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