Gro­o­ming des­de pe­que­ni­no

O Gro­o­ming é um as­pe­to es­sen­ci­al na vi­da dos ani­mais de es­ti­ma­ção. Tão es­sen­ci­al co­mo pro­vi­den­ci­ar cui­da­dos ve­te­ri­ná­ri­os ou uma boa ali­men­ta­ção. Fa­rá par­te in­te­gran­te da sua ro­ti­na e é de ex­tre­ma im­por­tân­cia que co­me­ce des­de que es­te che­ga a ca­sa. Ou se­ja

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Ape­sar de a gran­de mai­o­ria dos mé­di­cos ve­te­ri­ná­ri­os acon­se­lhar que o ba­nho só de­ve ser da­do após o pla­no de va­ci­na­ção ter­mi­nar, a mai­or par­te dos ca­chor­ros que me apa­re­cem pre­ci­sam ur­gen­te­men­te de um ba­nho, pois chei­ram mui­to mal. E não é só o chei­ro! An­tes de ir pa­ra a no­va ca­sa o ca­chor­ro es­te­ve mui­to tem­po a pi­sar fe­zes, uri­na, com as pa­tas nas pa­pas, na brin­ca­dei­ra com os ir­mãos, etc.

O que te­mos de evi­tar?

O gran­de pro­ble­ma é, es­sen­ci­al­men­te, o pe­ri­go das cor­ren­tes de ar e do frio que o ca­chor­ro pos­sa apa­nhar se não for de­vi­da­men­te se­co. É por is­so, jun­ta­men­te com o sis­te­ma imu­ni­tá­rio dé­bil pe­la gran­de quan­ti­da­de de va­ci­nas que irá to­mar até ter­mi­nar o pla­no de va­ci­na­ção, que a coi­sa po­de cor­rer mal. Um do­no ex­pe­ri­en­te po­de per­fei­ta­men­te dar de ime­di­a­to uma va­len­te ba­nho­ca ao seu ca­chor­ro as­sim que es­te che­ga a ca­sa. Aos do­nos me­nos ex­pe­ri­en­tes acon­se­lho que con­tac­tem um cen­tro de es­té­ti­ca ca­ni­no pa­ra que o cão to­me o pri­mei­ro ba­nho e vá bem se­qui­nho pa­ra ca­sa. Ca­so não pre­ten­da ir con­tra o con­se­lho do seu mé­di­co ve­te­ri­ná­rio ou te­nha re­ceio, po­de sem­pre op­tar por ba­nhos se­cos, com pro­du­tos pró­pri­os pa­ra o efei­to que po­de ad­qui­rir em uma boa Pet Shop.

An­tes do pri­mei­ro ba­nho

Re­gra ge­ral, os cães não cos­tu­mam gos­tar mui­to de to­mar ba­nho e mui­to me­nos do se­ca­dor. A pre­pa­ra­ção é im­por­tan­te, por is­so quan­do pen­sar em dar o pri­mei­ro ba­nho as­se­gu­re-se que tem tu­do o que pos­sa pre­ci­sar à mão. Ne­ces­si­ta de ter um bom champô, um bom ama­ci­a­dor, um pen­te ou uma es­co­va su­a­ve.

A pri­mei­ra vez…

Fe­che-se na ca­sa de ba­nho, com tu­do à mão, in­cluin­do uma to­a­lha. Mais im­por­tan­te: nun­ca dei­xe o seu cão so­zi­nho

na ba­nhei­ra, pois ele po­de sal­tar, ma­go­ar-se e/ou as­sus­tar-se. Após ter tu­do pre­pa­ra­do, co­lo­que o seu cão cal­ma­men­te na ba­nhei­ra e fa­le com ele num tom de voz su­a­ve. Na­da de stress, o do­no tem de es­tar tran­qui­lo pa­ra po­der trans­mi­tir tran­qui­li­da­de. A água con­vém que es­te­ja a uma tem­pe­ra­tu­ra té­pi­da. Li­gue o chu­vei­ro com pou­co flu­xo de água, pa­ra não fa­zer mui­to ba­ru­lho e dei­xe-o chei­rar. Apre­sen­te-lhe a água e o chu­vei­ro. Dei­xe que ele se acal­me e fi­que re­la­xa­do an­tes de lhe co­lo­car a água por ci­ma de­le.

Iní­cio do ba­nho

As­sim que vir que o cão es­tá tran­qui­lo, co­lo­que o chu­vei­ro na par­te tra­sei­ra, o mais jun­to pos­sí­vel à pe­le, mais uma vez pa­ra mi­ni­mi­zar o ba­ru­lho da água e per­mi­ta al­guns se­gun­dos pa­ra que se acos­tu­me à sen­sa­ção. Vá an­da­do de­va­ga­ri­nho, com mui­ta cal­ma e an­tes de che­gar à ca­be­ça, pa­re e co­lo­que o champô. Não se es­que­ça que o seu cão não é um par de mei­as! Não pre­ci­sa de usar mui­ta for­ça pa­ra o es­fre­gar, fa­ça tu­do len- ta­men­te e de ci­ma pa­ra bai­xo. Não se es­fre­ga um cão, es­pe­ci­al­men­te se ti­ver pe­lo com­pri­do. É mais uma mas­sa­gem e me­nos co­mo se es­ti­ves­se a la­var mei­as…

La­var a ca­be­ça

Dei­xe a par­te da ca­be­ça pa­ra o fi­nal, pois é o mais as­sus­ta­dor. Li­gue o chu­vei­ro com pou­co flu­xo de água, pro­va­vel­men­te ain­da me­nos do que uti­li­zou no cor­po.

Aos do­nos me­nos ex­pe­ri­en­tes acon­se­lho que con­tac­tem um Gro­o­mer pa­ra o cão to­mar o pri­mei­ro ba­nho e ir bem se­qui­nho pa­ra ca­sa

Co­me­ce da zo­na do pes­co­ço pa­ra a fren­te. É mui­to na­tu­ral que o cão se sa­cu­da, pois a água nas ore­lhas in­co­mo­da. Op­ci­o­nal­men­te, po­de co­lo­car du­as bo­li­nhas de al­go­dão nos ou­vi­dos, ca­so te­nha re­ceio de dei­xar en­trar água pa­ra o seu in­te­ri­or. Já fa­lei an­te­ri­or­men­te que não há pro­ble­ma se en­trar água lim­pa pa­ra os ou­vi­dos. Só é um pro­ble­ma no ca­so da água su­ja (praia, la­gos, char­cos), por cau­sa das bac­té­ri­as.

Co­mo ter­mi­nar o ba­nho?

En­xa­gue o seu pa­tu­do, len­ta­men­te. Co­lo­que o ama­ci­a­dor se­guin­do o mes­mo pro­ce­di­men­to an­te­ri­or. En­xa­gue no­va­men­te. De se­gui­da vai aper­tar le­ve­men­te o pe­lo do seu ca­chor­ro pa­ra re­mo­ver a mai­or quan­ti­da­de de água pos­sí­vel. E co­bra-o com o to­a­lhão de ba­nho que dei­xou pre­vi­a­men­te pre­pa­ra­do. Se­que-o mui­to bem e, de se­gui­da, es­tá na al­tu­ra de se­car com o se­ca­dor.

Se­car o pe­lo com o se­ca­dor

O mais pro­vá­vel é que o se­ca­dor que tem em ca­sa se­ja de uso hu­ma­no. Uti­li­ze a ve­lo­ci­da­de mí­ni­ma pa­ra que o ca­chor­ro se ha­bi­tue aos pou­cos ao ba­ru­lho. É per­fei­ta­men­te na­tu­ral que ele quei­ra fu­gir. Co­lo­que-o no seu co­lo pa­ra o re­con­for­tar, pois é com­ple­ta­men­te nor­mal que te­nha re­ceio do se­ca­dor. Tu­do é no­vi­da­de e o ba­ru­lho po­de ser as­sus­ta­dor pa­ra ele. Se­que-o e es­co­ve-o ao mes­mo tem­po, com uma es­co­va ma­cia. Dei­xe-o chei­rar o se­ca­dor e a es­co­va, os ca­chor­ros são mui­to cu­ri­o­sos e quan­do per­ce­bem que ne­nhu­ma des­sas coi­sas lhe faz mal, nor­mal­men­te, fi­cam mais tran­qui­los.

Fa­ça do gro­o­ming uma ro­ti­na

É im­por­tan­te que vá con­ver­san­do com o ca­chor­ro, man­ten­do-se cal­mo e que te­nha mui­ta pa­ci­ên­cia. In­de­pen­den­te­men­te de ele se por­tar mal ou bem, dê­lhe sem­pre qual­quer re­com­pen­sa após o ba­nho ou mes­mo após uma sim­ples es­co­va­gem. É ra­ro o ani­mal que gos­ta de ba­nho ou de qual­quer ro­ti­na de gro­o­ming. Mas é tu­do uma ques­tão de há­bi­to. Quan­do sa­bem que de­pois de tu­do, no fi­nal, há uma re­com­pen­sa mui­to boa à sua es­pe­ra, ga­ran­to que, com o tem­po, se co­me­çam a por­tar mui­to bem!

Va­mos co­nhe­cer o Ziggy e o Tot­ti

Te­nho al­guns cli­en­tes que nun­ca to­ma­ram ba­nho em ca­sa. Se­ja por­que os do­nos têm re­ceio ou por­que, sim­ples­men­te, pre­fe­rem que se­ja ou­tra pes­soa a fa­zer. Re­cen­te­men­te re­ce­bi dois cli­en­tes no­vos. São dois ir­mãos de ni­nha­da, da ra­ça Yorkshi­re Ter­ri­er, de do­nos di­fe­ren­tes: o

Ziggy e o Tot­ti. São uns pa­tus­cos! Vêm sem­pre, mais ou me­nos, na mes­ma al­tu­ra e con­se­gui ver o seu de­sen­vol­vi­men­to em re­la­ção à apren­di­za­gem de co­mo se com­por­tar em ci­ma de uma me­sa de gro­o­ming. Em ca­sa, têm uma edu­ca­ção bas­tan­te dis­tin­ta. Um é mais co­ra­jo­so e o ou­tro mais me­dro­so. O que fez com que de­mo­ras­se um pou­co mais a pas­sar pa­ra o ní­vel se­guin­te com um, em re­la­ção ao ou­tro.

A pri­mei­ra vi­si­ta…

Co­me­ça­ram a vir com 3 me­ses, ape­nas pa­ra to­mar ba­nho. Pri­mei­ro veio o Tot­ti. Uma bo­li­nha de pe­lo, pe­que­ni­na e fo­fa. Vo­cês sa­bem co­mo é! Ain­da ho­je ado­ro re­ce­ber ca­chor­ros. Co­me­cei com tu­do já pre­pa­ra­do. Na pri­mei­ra vez li­mi­tei-me a apre­sen­tar ao

Tot­ti a ba­nhei­ra, a água, o champô, o se­ca­dor, o pen­te e o cor­ta-unhas. Ain­da as­sim, o Tot­ti te­ve de ser se­co ao co­lo. Ou se­ja, nes­sa ses­são não fiz ques­tão de lhe en­si­nar o que era es­tar em ci­ma da me­sa. Achei que ele fi­ca­va mais tran­qui­lo ao co­lo e foi o que fiz.

Dei­xe o ca­chor­ro chei­rar e co­nhe­cer os di­fe­ren­tes uten­sí­li­os, pois quan­do es­te per­ce­ber que ne­nhum lhe faz mal fi­ca­rá mais cal­mo

Uma evo­lu­ção na­tu­ral

Es­tes dois cães vêm quin­ze­nal­men­te, o que me per­mi­tiu pla­ne­ar o que apre­sen­tar de ca­da vez que vi­nham. O Ziggy, ir­mão mais co­ra­jo­so, na se­gun­da vez co­nhe­ceu a má­qui­na. Fiz-lhe a zo­na in­gui­nal. Es­ta­va per­fei­ta­men­te à von­ta­de em ci­ma de uma me­sa. In­de­pen­den­te, não pre­ci­sou de co­lo pa­ra na­da. Ele era o rei do sí­tio, co­lo pa­ra quê? Na ter­cei­ra vi­si­ta do Ziggy cor­tei-lhe a pon­ta das ore­lhas. No en­tan­to, só aí à quar­ta ou quin­ta vi­si­ta do Totty é que re­sol­vi apre­sen­tar ins­tru­men­tos de cor­te na zo­na da ca­be­ça. Ape­nas, e só, quan­do o vi tran­qui­lo o su­fi­ci­en­te pa­ra tal. Nes­te mo­men­to, es­tes dois me­ni­nos fi­ze­ram 7 me­ses. Es­tão uns me­ni­nos cres­ci­dos e os do­nos re­sol­ve­ram fa­zer-lhes um cor­te. De­no­tem que foi a pri­mei­ra vez que eles cor­ta­ram o pe­lo. Mas não es­tra­nha­ram na­da e por­ta­ram-se lin­da­men­te, pois já es­ta­vam mui­to, mas mui­to ha­bi­tu­a­dos a tu­do o que en­vol­ve o gro­o­ming. A úni­ca di­fe­ren­ça é que de­mo­rou mais uns 15 mi­nu­ti­nhos.

Afi­nal, o gro­o­ming não é mau!

O gro­o­ming é al­go que irá ser uma par­te mui­to im­por­tan­te da vi­da do seu ca­chor­ro. A for­ma co­mo o seu ca­chor­ro en­ca­ra o gro­o­ming em adul­to é di­re­ta­men­te in­flu­en­ci­a­da pe­la for­ma co­mo é apre­sen­ta­do ao mes­mo em ca­chor­ro. Ou pe­la fal­ta de apre­sen­ta­ção. Não te­nho a mais pe­que­na dú­vi­da que os ma­nos, Totty e Ziggy, se­rão sem­pre um so­nho de cães pa­ra tra­tar e que po­de­rei fa­zer com eles tu­do o que os do­nos pos­sam que­rer. Quer à má­qui­na, quer à te­sou­ra. Nun­ca te­rão nós, pois dei­xam­se es­co­var mui­tís­si­mo bem. Evi­den­te­men­te, sem­pre que ter­mi­na uma ses­são de gro­o­ming es­tes dois me­ni­nos le­vam um (ou vá­ri­os) bis­coi­tos. Tam­bém pos­so di­zer que eles acham que o meu es­pa­ço é a sua ca­sa, de tão à von­ta­de que aqui es­tão.

Gro­o­ming des­de pe­que­ni­no

Pro­va­vel­men­te não te­rá tem­po ou dis­po­ni­bi­li­da­de fi­nan­cei­ra pa­ra le­var o seu cão ao gro­o­ming de 15 em 15 di­as. Mas pe­lo me­nos uma vez por mês, com um ba­nho em ca­sa pe­lo meio, já não se­ria na­da mau em ter­mos de trei­no de gro­o­ming. Co­mo diz o di­ta­do: É de pe­que­ni­no que se tor­ce o pe­pi­no! No gro­o­ming, é de pe­que­ni­no que se trei­na o ca­chor­ri­nho. Bom Gro­o­ming!

Fo­tos: Shut­ters­tock Gro­o­mer Pro­fis­si­o­nal Isa­bel No­bre

Re­gra ge­ral, os cães não cos­tu­mam gos­tar mui­to de to­mar ba­nho e mui­to me­nos do se­ca­dor.

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