fres­co no ve­rão

Co­mo man­ter o seu cão re­al­men­te

Caes & Companhia - - GROOMING -

Nes­ta al­tu­ra do ano, é cos­tu­me a mai­o­ria dos do­nos ain­da pen­sa­rem que o me­lhor a fa­zer pa­ra man­ter o seu cão fres­co é ra­pa­rem-lhe o pe­lo. No en­tan­to, na gran­de mai­o­ria dos ca­sos, é exa­ta­men­te o opos­to. Ra­par o pe­lo ao seu ani­mal na al­tu­ra de mai­or ca­lor é o pi­or que lhe po­de fa­zer.

Os cães não trans­pi­ram co­mo nós. E o pe­lo ser­ve-lhes de apoio à fun­ção ter­mor­re­gu­la­do­ra do or­ga­nis­mo. Se lhes re­ti­ra­rem o pe­lo, eles irão so­bre­a­que­cer mui­to mais. E es­ta?

São di­fe­ren­tes de nós!

Es­que­ce­mo-nos fre­quen­te­men­te que os nos­sos cães são de ou­tra es­pé­cie. Ape­sar de ma­mí­fe­ros, so­mos com­ple­ta­men­te di­fe­ren­tes. To­dos po­de­mos con­cor­dar com es­ta afir­ma­ção. Mor­fo­lo­gi­ca­men­te, a nos­sa pe­le é bas­tan­te di­fe­ren­te. A nos­sa tem mui­to mais ca­ma­das, e é mui­to mais re­sis­ten­te pe­lo sim­ples fac­to que não te­mos tan­to pe­lo pa­ra nos pro­te­ger. Além dis­so, os cães não trans­pi­ram co­mo nós. A ter­mor­re­gu­la­ção do ser hu­ma­no faz-se atra­vés da trans­pi­ra­ção. Não im­por­ta quan­tas ca­mi­so­las te­mos ves­ti­das que o nos­so cor­po trans­pi­ra sem­pre. No en­tan­to, se re­ti­rar­mos a ca­mi­so­la a nos­sa trans­pi­ra­ção eva­po­ra mui­to mais de­pres­sa, o que faz com que nos sin­ta­mos fres­cos ime­di­a­ta­men­te. Is­so faz-nos pen­sar que os cães fun­ci­o­nam da mes­ma for­ma. Ti­ra-se a ca­mi­so­la (no ca­so, o pe­lo) e pron­to. Mas não é bem as­sim!

Co­mo é que o cão per­de o ca­lor?

Por cer­to já se per­gun­tou por que mo-

ti­vo a lín­gua do seu cão fi­ca tão gran­de quan­do ele es­tá a ar­far com ca­lor. É pre­ci­sa­men­te as­sim que ele se re­fres­ca! Nos cães as glân­du­las so­po­rí­fe­ras es­tão ape­nas li­mi­ta­das às al­mo­fa­das plan­ta­res e a for­ma co­mo re­gu­lam a tem­pe­ra­tu­ra tem uma du­pla es­tra­té­gia: ar­far e va­so­di­la­ta­ção. Só o ar­far pro­vi­den­cia 80% do sis­te­ma

de ar­re­fe­ci­men­to! O cão res­pi­ra mais de­pres­sa trans­fe­rin­do o ar fres­co pa­ra den­tro de si, dos te­ci­dos hú­mi­dos den­tro da sua bo­ca e pul­mões. On­de a hu­mi­da­de se irá eva­po­rar e dis­si­par o ca­lor. Ao mes­mo tem­po, os va­sos san­guí­ne­os di­la­tam per­mi­tin­do que o san­gue fi­que mais per­to da su­per­fí­cie per­mi­tin­do que es­te ar­re­fe­ça e se pro­pa­gue pe­lo res­to do cor­po do ani­mal. É as­sim que os cães se man­têm fres­cos.

Cães com du­pla pe­la­gem

Mui­tas ra­ças de cães, e su­as mis­tu­ras, pos­su­em du­pla pe­la­gem. A du­pla pe­la­gem é com­pos­ta por pe­lo de co­ber­tu­ra, ou ca­pa, que são os pe­los mais com­pri­dos e du­ros, e sub­pe­lo, ou lã, que são aque­les pe­los mais cur­tos, den­sos e ma­ci­os que se en­con­tram mais ren­te à pe­le. A pe­la­gem du­pla é im­per­meá­vel, pro­te­gen­do e iso­lan­do o seu cão tan­to do frio co­mo do ca­lor. Tal co­mo o iso­la­men­to das nos­sas ha­bi­ta­ções, o pe­lo per­mi­te que o in­te­ri­or do cor­po do cão es­te­ja a uma tem­pe­ra­tu­ra ide­al, pois pro­te­ge-o dos fa­to­res ex­ter­nos (ca­lor e frio). Des­te mo­do, o cor­po do seu cão não te­rá de tra­ba­lhar tan­to pa­ra se re­fres­car no ve­rão ou pa­ra se aque­cer no in­ver­no.

Cães sem sub­pe­lo

Nos cães sem du­pla pe­la­gem, co­mo o Cão de Água Por­tu­guês, o Ca­ni­che, o Yorkshi­re Ter­ri­er e o Bi­chon Mal­tês, por exem­plo, o pe­lo ser­ve tam­bém de pro­te­ção con­tra os rai­os so­la­res. No en­tan­to, não são tão re­sis­ten­tes ao frio e o pe­lo não é im­per­meá­vel. Es­tes cães po­dem per­fei­ta­men­te ser tos­qui­a­dos, sem qu­al­quer da­no, des­de que a pe­le não fi­que ex­pos­ta ao sol pa­ra não cau­sar quei­ma­du­ras so­la­res e can­cro de pe­le.

Ra­zões pa­ra tos­qui­ar

Exis­tem al­gu­mas ra­zões pa­ra se tos­qui­a­rem cães de pe­lo com­pri­do sem sub­pe­lo no ve­rão: • Po­de re­fres­car, no ca­so de ser uma ra­ça com pe­lo com­pri­do, sem sub­pe­lo, tal co­mo men­ci­o­nei an­te­ri­or­men­te; • A ma­nu­ten­ção é mais fá­cil e prá­ti­ca. Não é ne­ces­sá­rio es­co­var com tan­ta frequên­cia, o pro­ces­so do ba­nho e da se­ca­gem é mui­to mais rá­pi­do. No ca­so de não ter tem­po ou ir de fé­ri­as e não se que­rer pre­o­cu­par mui­to com o pe­lo do seu cão, é re­al­men­te uma boa op­ção pa­ra am­bos; • Evi­ta que pra­ga­nas, ou­ri­ços, es­pi­nhos ou ou­tro ti­po de er­vas, se agar­rem ao pe­lo. As pra­ga­nas são mui­to pe­ri­go­sas nes­ta al­tu­ra do ano; • É de­fi­ni­ti­va­men­te mais hi­gié­ni­co, pois há me­nos pe­lo em ca­sa e é mais fá­cil de dar ba­nho e de man­ter o cão lim­po; • Fa­ci­li­da­de na de­te­ção de pa­ra­si­tas ex­ter­nos;

• Em ca­so de ne­gli­gên­cia na ma­nu­ten­ção da pe­la­gem do seu cão, po­de ser mes­mo ne­ces­sá­rio ra­par o seu cão à

pe­le. Res­sal­vo a im­por­tân­cia na ma­nu­ten­ção da pe­la­gem diá­ria de for­ma a as­se­gu­rar a saú­de da pe­le e o bem-es­tar do seu ani­mal de es­ti­ma­ção.

Ra­zões pa­ra não tos­qui­ar

Ra­zões pa­ra não tos­qui­ar o seu cão de pe­lo com­pri­do (sem sub­pe­lo): • Se fi­car de­ma­si­a­do cur­to irá so­bre­a­que­cer o seu cão; • Ris­co de quei­ma­du­ras so­la­res e de can­cro de pe­le; • Po­de al­te­rar a tex­tu­ra do pe­lo do seu

A for­ma ide­al de pro­te­ger o seu cão de pe­la­gem du­pla do ca­lor é re­mo­ver o pe­lo mor­to atra­vés de ro­ti­nas de es­co­va­gem re­gu­lar

cão e tor­nar o pe­lo mais ba­ço e fi­no. No ca­so de cães com pe­la­gem li­sa e se­do­sa po­de tor­ná-la on­du­la­da; • Po­de tor­nar as pe­la­gens mais di­fí­ceis de man­ter, por­que fi­cam mais fi­nas e em­ba­ra­çam mais; No en­tan­to, é per­fei­ta­men­te se­gu­ro pa­ra a saú­de cor­tar o pe­lo ao seu cão de pe­lo com­pri­do sem sub­pe­lo, mes­mo que se­ja bas­tan­te cur­to (sem ter a pe­le à vis­ta). Des­de que o pro­te­ja do sol.

Cães ido­sos têm ou­tras “re­gras” de Gro­o­ming!

Te­nho um lu­gar es­pe­ci­al no meu co­ra­ção no que to­ca aos cães ido­sos. São cães que só por si me­re­cem uma aten­ção es­pe­ci­al. Pe­la sua ida­de avan­ça­da e al­guns pro­ble­mas de saú­de daí re­sul­tan­tes, me­re­cem um can­ti­nho de­di­ca­do a eles nes­te ar­ti­go. Um pon­to que acho bas­tan­te im­por­tan­te re­fe­rir é que se gos­ta de an­dar a ex­pe­ri­men­tar sa­lões de Gro­o­ming, fa­ça-o en­quan­to o seu cão é no­vo e nun­ca quan­do es­te atin­ge uma ida­de avan­ça­da. Che­ga a uma al­tu­ra na vi­da do seu cão que con­vém que ele se­ja tra­ta­do por al­guém que o co­nhe­ce e sa­be mui­to bem os seus pro­ble­mas de saú­de. Ima­gi­ne­mos que o seu cão tem um pro­ble­ma na tra­queia ou co­ra­ção, que tem pro­ble­mas de co­lu­na ou sim­ples­men­te uma lu­xa­ção da pa­te­la (bas­tan­te co­mum em ra­ças pe­que­nas). To­dos es­tes pro­ble­mas de saú­de au­men­tam com a ida­de. Mas mais im­por­tan­te, além do stress cau­sa­do pe­lo Gro­o­ming em si, é o stress de se­rem apre­sen­ta­dos a al­go no­vo. O cão é um ani­mal de há­bi­tos e po­de re­a­gir mal a mu­dan­ças. Por to­das es­tas ra­zões acon­se­lho a que le­ve o seu ani­mal on­de ele es­tá acos­tu­ma­do a ir, es­pe­ci­al­men­te quan­do ele co­me­çar a fi­car ve­lhi­nho.

Nos se­ni­o­res o con­for­to é o mais im­por­tan­te

Ou­tro pon­to que acho im­por­tan­te res­sal­var. Che­ga a uma al­tu­ra da vi­da do seu cão em que a be­le­za não é de to­do o mais im­por­tan­te. O con­for­to sim. Se o seu cão já se quei­xa quan­do o es­co­va, se ca­lhar es­tá na al­tu­ra de ado­tar um cor­te de pe­lo cur­ti­nho, de fá­cil ma­nu­ten­ção e, prin­ci­pal­men­te, de fá­cil e rá­pi­da exe­cu­ção. A par­te mais im­por­tan­te é que es­te cor­te é pa­ra man­ter to­do o ano, pois uma vez que a re­gu­la­ção da tem­pe­ra­tu­ra dos cães ido­sos já é de­fi­ci­en­te, pro­te­ger o seu cão do frio e do ca­lor é ex­tre­ma­men­te im­por­tan­te. No ca­so de cães in­con­ti­nen­tes, o pe­lo cur­to é mais hi­gié­ni­co. Se o seu cão usa fral­das, tor­na-se mui­to mais fá­cil de o man­ter lim­po.

Si­tu­a­ções es­pe­ci­ais

No ca­so do seu cão ser agres­si­vo ou ter gra­ves pro­ble­mas de saú­de, pro­cu­re um cen­tro ve­te­ri­ná­rio que te­nha o

ser­vi­ço de gro­o­ming. Se o seu cão não to­le­ra ser to­ca­do e age agres­si­va­men­te, já é stres­san­te o su­fi­ci­en­te quan­do é um adul­to jo­vem. Em ido­so, es­te stress po­de ser fa­tal. Se tem um ani­mal nes­ta si­tu­a­ção, fa­le com o seu mé­di­co ve­te­ri­ná­rio.

Não se tos­qui­am cães com pe­la­gem du­pla!

Co­mo men­ci­o­nei an­tes, a pe­la­gem du­pla tem uma fun­ção ter­mor­re­gu­la­do­ra mui­to im­por­tan­te. Co­mo tal, es­tes cães não se tos­qui­am. Por mui­to ca­lor que es­te­ja, por mui­to pe­lo que es­te­jam a lar­gar ou por qu­al­quer ou­tra ra­zão que ache que de­ve tos­qui­ar. Ex­ce­to no ca­so de exis­tir um pro­ble­ma de saú­de, se o cão es­tá em tra­ta­men­to ve­te­ri­ná­rio (ci­rur­gia, pro­ble­ma de pe­le) ou foi su­jei­to a uma ne­gli­gên­cia tal na ma­nu­ten­ção da sua pe­la­gem que a úni­ca so­lu­ção hu­ma­na é ra­par. Ca­so con­trá­rio, não se tos­qui­am!

Co­mo man­ter um cão de pe­la­gem du­pla

Se tos­qui­ar um cão com du­pla pe­la­gem es­tá a fa­zer com que ele dei­xe de se po­der pro­te­ger con­tra o ca­lor. A for­ma ide­al de pro­te­ger o seu cão de pe­la­gem du­pla do ca­lor é com uma boa ro­ti­na de es­co­va­gem. Ao re­mo­ver o pe­lo mor­to atra­vés da es­co­va­gem re­gu­lar, es­tá a fa­zer com que o sol não pe­ne­tre no pe­lo e com que o ar cir­cu­le atra­vés do mes­mo, pos­si­bi­li­tan­do uma cor­re­ta re­gu­la­ção tér­mi­ca. Se cor­tar o pe­lo ao seu cão, des­pe-o li­te­ral­men­te de qu­al­quer pro­te­ção con­tra o ca­lor, pois os rai­os so­la­res não en­con­tram qu­al­quer bar­rei­ra. E quan­do o pe­lo vol­ta a cres­cer, não vol­ta­rá a ser co­mo era an­tes. Ou se­ja, des­trui­rá mui­to pos­si­vel­men­te, e de for­ma per­ma­nen­te, o iso­la­men­to tér­mi­co do pe­lo do seu cão.

Alo­pe­cia pós tos­quia

Exis­te uma con­di­ção cha­ma­da alo­pe­cia pós tos­quia, que acon­te­ce em cães de du­pla pe­la­gem após se­rem tos­qui­a­dos. Tal co­mo o no­me in­di­ca, o pe­lo não vol­ta a cres­cer (alo­pe­cia) nos sí­ti­os on­de se cor­tou o pe­lo. A con­di­ção po­de ser per­ma­nen­te ou não. Po­de tam­bém es­tar as­so­ci­a­do a al­gum pro­ble­ma de ti­roi­de. Sa­be-se que a in­ci­dên­cia em cães de ra­ças Nór­di­cas e Spitz é mai­or. No en­tan­to, po­de acon­te­cer em qu­al­quer ani­mal de du­pla pe­la­gem.

Ao con­trá­rio do que pen­sa, na mai­o­ria dos ca­sos, ra­par o pe­lo do seu cão na al­tu­ra de mai­or ca­lor é o pi­or que lhe po­de fa­zer

Co­mo man­ter o seu cão fres­co no ve­rão

Em su­ma, se quer man­ter o seu cão re­al­men­te fres­co du­ran­te o ve­rão exis­tem al­gu­mas op­ções: • Tra­zer água fres­ca con­si­go e tê-la sem­pre à dis­po­si­ção do seu cão; • Mo­ni­to­ri­zar a ati­vi­da­de fí­si­ca do seu cão e fa­zê-lo pa­rar pa­ra be­ber água com re­gu­la­ri­da­de; • Se pos­sí­vel, dei­xá-lo brin­car na água. Se ti­ver um quin­tal, com­pre uma pis­ci­na pa­ra cri­an­ças e en­cha-a de água. Ou le­ve-o a pas­se­ar à bar­ra­gem, ao rio, à praia, etc. Vai-se mo­lhar e su­jar, mas vai fi­car fres­qui­nho; • Dê-lhe sem­pre aces­so a som­bra se vi­ver no ex­te­ri­or e se for cão de in­te­ri­or li­gue a ven­toi­nha ou o ar con­di­ci­o­na­do; • Po­de com­prar uma ca­ma de gel (co­o­ling pads) que é bas­tan­te efi­caz, mas tem de ter aten­ção ca­so o seu cão gos­te de ro­er.

Pro­te­ja o seu cão!

Se achar que o seu cão tem ca­lor, é per­fei­ta­men­te nor­mal, pois es­tá ca­lor. Mas não lhe ti­re a pro­te­ção, pois ele não é hu­ma­no, e o pe­lo faz par­te do seu sis­te­ma de ar­re­fe­ci­men­to. Man­te­nha-o sem­pre lim­po e li­vre de sub­pe­lo pa­ra que o ar pos­sa pe­ne­trar na pe­le. Bom Gro­o­ming!

Isa­bel No­bre Gro­o­mer Pro­fis­si­o­nal Fo­tos: Shut­ters­tock

Man­te­nha o seu cão sem­pre lim­po, bem es­co­va­do e li­vre de sub­pe­lo pa­ra que o ar pos­sa pe­ne­trar na pe­le.

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