Re­tri­e­ver do La­bra­dor

O ale­gre com­pa­nhei­ro de fa­mí­lia

Caes & Companhia - - Nesta Edição -

O Re­tri­e­ver do La­bra­dor é um cão do­ta­do de in­vul­gar in­te­li­gên­cia e equi­lí­brio emo­ci­o­nal, ati­vo, de­di­ca­do, se­den­to por agra­dar ao do­no e fá­cil de trei­nar. Dei­xou, ao lon­go dos anos, de ser ex­clu­si­va­men­te um cão de ca­ça e pas­sou a ser um dos me­lho­res com­pa­nhei­ros para a sua fa­mí­lia.

Ape­sar dos Re­tri­e­ver do La­bra­dor te­rem, ofi­ci­al­men­te, co­mo seu país de ori­gem o Rei­no Uni­do, es­ta ra­ça tem os seus pri­mór­di­os na pe­que­na ilha de Ter­ra No­va (New­foun­dland), no Ca­na­dá, si­tu­a­da ao lon­go da cos­ta da Amé­ri­ca do Nor­te, no Oce­a­no Atlân­ti­co, zo­na onde era fre­quen­te os pes­ca­do­res uti­li­za­rem cães de apa­rên­cia se­me­lhan­te co­mo au­xi­li­a­res na pesca.

St. John’s Dog

No séc. XIX com o enor­me au­men­to da in­dús­tria pes­quei­ra na­que­la zo­na, co­me­çou a ser no­tó­ria a exis­tên­cia de dois ti­pos dis­tin­tos de cães – des­cen­den­tes de cães tra­zi­dos por pes­ca­do­res eu­ro­peus, no­me­a­da­men­te, por­tu­gue­ses e bas­cos – um mai­or, mais for­te e com uma pe­la­gem mais com­pri­da (co­nhe­ci­do co­mo New­foun­dland) e ou­tro mais pe­que­no com um pe­lo mais den­so e com­pac­to.

Es­te úl­ti­mo, co­nhe­ci­do co­mo Les­ser New­foun­dland (por ser mais pe­que­no) ou por St. John’s Dog (de­vi­do ao por­to de em­bar­ca­ção lo­cal), e só mais tar­de por La­bra­dor – há quem di­ga que o no­me pro­vém da re­gião de La­bra­dor, a sul da ilha de Ter­ra No­va e ou­tros que de­fen­dem que o no­me ad­vém da pa­la­vra la­vra­dor, que em in­glês sig­ni­fi­ca ho­mem de tra­ba­lho, nes­te ca­so, cão. Es­tes cães pre­tos, de ta­ma­nho mé­dio e pe­lo cur­to, eram usa­dos pe­los pes­ca­do­res em to­das as ta­re­fas que fos­se pre­ci­so nadar: trans­por­tar cor­das en­tre os bar­cos, re­cu­pe­rar pei­xes que fu­gi­am e pu­xar pe­que­nos bar­cos e re­des de pesca nas águas ge­la­das.

Ape­sar de ter, ofi­ci­al­men­te, co­mo seu país de ori­gem o Rei­no Uni­do, a ra­ça tem os seus pri­mór­di­os na pe­que­na ilha de Ter­ra No­va

A in­fluên­cia do Con­de de Mal­mes­bur­ry

Ape­sar da re­co­nhe­ci­da uti­li­da­de des­tes cães, a ra­ça qua­se se ex­tin­gue en­tre o fi­nal do séc. XVIII e iní­cio do séc. XIX, de­vi­do aos im­pos­tos so­bre cães im­ple­men­ta­dos na pe­que­na ilha, e à proi­bi­ção da im­por­ta­ção de cães da ilha para In­gla­ter­ra, de­vi­do à ins­tau­ra­ção da qua­ren­te­na.

A con­ti­nui­da­de da ra­ça do La­bra­dor de ho­je, de­ve o seu aper­fei­ço­a­men­to e exis­tên­cia aos Con­des de Mal­mes­bur­ry, prin­ci­pal­men­te ao se­gun­do Con­de de Mal­mes­bur­ry, que no iní­cio de 1800, ao re­co­nhe­cer as qua­li­da­des des­te cão, co­mo co­bra­dor em ter­ra e na água, aca­bou por com­prar vá­ri­os exem­pla­res aos pes­ca­do­res, en­tão re­tor­na­dos da ilha de Ter­ra No­va. Cru­zou es­tes cães, com cães de cor­ço bri­tâ­ni­cos, aper­fei­ço­an­do e apu­ran­do as­sim a ra­ça para le­van­te de ca­ça e co­bro das pe­ças aba­ti­das e evi­tan­do a sua extinção.

Fi­xa­ção da ra­ça

Nos pri­mór­di­os da ra­ça, os cri­a­do­res da­vam pre­fe­rên­cia aos La­bra­do­res pre­tos e sa­cri­fi­ca­vam os de co­res ama­re­la ou cho­co­la­te/cor de fí­ga­do. No iní­cio de 1900, as ou­tras co­res começaram a ser acei­tes, em­bo­ra não tan­to quan­to a cor pre­ta.

Três dos gran­des de­sen­vol­vi­men­tos que aju­da­ram a fi­xar a ra­ça fo­ram: a cres­cen­te po­pu­la­ri­da­de que a ra­ça te­ve no iní­cio do séc. XIX, o seu re­co­nhe­ci­men­to pe­lo En­glish Ken­nel Club em 1903, que le­vou à cri­a­ção de pa­râ­me­tros da ra­ça, e, co­mo con­sequên­cia do re­co­nhe­ci­men­to, a pre­sen­ça da ra­ça em Ex­po­si­ções Ca­ni­nas – que fez com que cer­tos exem­pla­res, no­me­a­da­men­te ma­chos, cri­as­sem uma re­pu­ta­ção ba­se­a­da nas su­as vi­tó­ri­as e se tor­nas­sem im­por­tan­tes re­pro­du­to­res, o que le­vou à cri­a­ção e apu­ra­men­to de um ti­po.

Em 1916 foi cri­a­do o pri­mei­ro Clu­be de Ra­ça e em 1925 fun­da­do o Clu­be do La­bra­dor Ama­re­lo (“Yel­low La­bra­dor Club”), com o ob­je­ti­vo de pro­mo­ver o La­bra­dor pu­ro. Ain­da em 1916 o no­vo La­bra­dor Club de­fi­niu o pri­mei­ro es­ta­lão da ra­ça. Já nos anos 30 começaram a tor­nar-se co­nhe­ci­dos os La­bra­dor de cor cho­co­la­te com o Afi­xo “Buc­cleu­ch”. Foi es­te Afi­xo que ins­cre­veu os pri­mei­ros 7 La­bra­dor nos re­gis­tos de ca­ça do Ken­nel Club e o seu tra­ba­lho de­ve-se tam­bém a um dos me­lho­res ma­chos re­pro­du­tor e Cam­peão de cam­po da sua épo­ca, o exem­plar “Pe­ter of Fas­kally”.

No iní­cio da II Gu­er­ra Mun­di­al as três co­res eram re­co­nhe­ci­das e igual­men­te apre­ci­a­das no Rei­no Uni­do.

A sua po­pu­la­ri­da­de con­ti­nu­ou a au­men­tar e dois anos mais tar­de o La­bra­dor era o cão de ca­ça bri­tâ­ni­co mais po­pu­lar.

A ra­ça na atu­a­li­da­de

Des­de o pri­mei­ro es­ta­lão da ra­ça em 1923 que não há al­te­ra­ções mor­fo­ló­gi­cas de fun­do na ra­ça. O es­ta­lão atu­al­men­te em vi­gor, re­co­nhe­ci­do pe­la Fe­de­ra­ção Ci­no­ló­gi­ca In­ter­na­ci­o­nal (FCI) e ado­ta­do em Por­tu­gal, da­ta de 2010.

Nos Es­ta­dos Uni­dos o es­ta­lão da ra­ça é de­fi­ni­do pe­lo Ame­ri­can Ken­nel Club e a prin­ci­pal di­fe­ren­ça é a exi­gên­cia do AKC de uma al­tu­ra à cruz 5 cm mais al­ta que o da FCI. Além dis­so, a gran­de di­fu­são do La­bra­dor nos Es­ta­dos Uni­dos na ver­ten­te de Tra­ba­lho, cri­ou li­nhas de san­gue de cães mais le­ves e ágeis, acu­sa­dos pe­los de­fen­so­res dos exem­pla­res de Ex­po­si­ção de fal­ta de es­sên­cia e tem­pe­ra­men­to ner­vo­so. Por sua vez, os adep­tos des­tas li­nhas de­tra­ba­lho con­si­de­ram que os cães de Ex­po­si­ção apre­sen­tam ex­ces­so de pe­so e tem­pe­ra­men­to lin­fá­ti­co. Para além da sua evo­lu­ção ge­né­ti­ca e tem­pe­ra­men­tal, o La­bra­dor tam­bém so­freu pe­que­nas al­te­ra­ções mor­fo­ló­gi­cas, sen­do ho­je um cão mais ro­bus­to e com pe­la­gem mais den­sa que ou­tro­ra. Po­de-se nos di­as de ho­je con­si­de­rar a exis­tên­cia de du­as li­nha­gens de La­bra­dor – a de Ex­po­si­ção e a de Tra­ba­lho (de ca­ça) – a sua exis­tên­cia é fru­to do cri­té­rio de se­le­ção dos cri­a­do­res com um e ou­tro pro­pó­si­to.

Ini­ci­al­men­te era uti­li­za­do ex­clu­si­va­men­te para re­co­lher a ca­ça aba­ti­da pe­lo ca­ça­dor, co­bran­do as pe­ças de cai­am

Prin­ci­pais ap­ti­dões da ra­ça

Ini­ci­al­men­te o La­bra­dor era uti­li­za­do ex­clu­si­va­men­te co­mo um cão para re­co­lher a ca­ça, aba­ti­da pe­lo ca­ça­dor, co­bran­do as pe­ças de ca­ça que ca­em. No en­tan­to, nos di­as de ho­je as su­as ha­bi­li­da­des ex­ce­ci­o­nais le­va­ram-no a uma enor­me va­ri­e­da­de de ou­tras ap­ti­dões e fun­ções, tais co­mo cães de as­sis­tên­cia (cão-guia, cão para sur­dos e cão de ser­vi­ço ou me­di­cal dog), de te­ra­pia, de bus-

ca e sal­va­men­to e ain­da de apoio mi­li­tar na bus­ca de nar­có­ti­cos e ex­plo­si­vos.

A ra­ça em Por­tu­gal

O La­bra­dor con­ti­nua a ser uma das ra­ças mais po­pu­la­res no nos­so país. Se­gun­do da­dos do Clu­be Por­tu­guês de Ca­ni­cul­tu­ra foi a se­gun­da ra­ça com mai­or nú­me­ro de re­gis­tos em 2016, com 1.281 exem­pla­res re­gis­ta­dos.

Es­ta­lão da ra­ça

Um es­ta­lão de ra­ça é usa­do co­mo mo­de­lo para des­cre­ver um cão ide­al de cer­ta ra­ça. É a es­te que, nu­ma Ex­po­si­ção Ca­ni­na, o juiz re­cor­re ao ava­li­ar os cães em com­pe­ti­ção, e é tam­bém com ba­se no es­ta­lão que os cri­a­do­res da ra­ça se­le­ci­o­nam quais os cães que usam para re­pro­du­ção.

Ori­gi­ná­rio do Rei­no Uni­do, tem a fun­ção de co­bro. De acor­do com a clas­si­fi­ca­ção da FCI es­tá in­te­gra­do no Gru­po 8 –Re­tri­e­vers, Le­van­ta­do­res, Co­bra­do­res e Cães de água. Sec­ção 1 Re­tri­e­vers. Su­jei­to a pro­va de tra­ba­lho. A ex­pe­ta­ti­va mé­dia de vi­da de um La­bra­dor é de 10 a 12 anos, po­den­do variar para mais ou me­nos, de­pen­den­do do seu es­ti­lo de vi­da.

Apa­rên­cia ge­ral

Pos­sui um cor­po for­te, cur­to, mui­to ati­vo (evi­tan­do, as­sim, ex­ces­so de pe­so ou acu­mu­la­ção de mas­sa), com crâ­nio lar­go; tron­co lar­go e pro­fun­do ao lon­go do pei­to e das cos­te­las; lar­go e po­de­ro­so ao lon­go do lom­bo e dos quar­tos tra­sei­ros. O seu mo­vi­men­to é li­vre, avan­çan­do so­bre o ter­re­no; ali­nha­do e cor­re­to vis­to des­de a fren­te até à tra­sei­ra.

O ta­ma­nho ide­al, me­di­do do so­lo até ao gar­ro­te, é de 56 a 57 cm nos ma­chos e de 54 a 56 cm nas fê­me­as.

Uma ca­be­ça mui­to tí­pi­ca

Crâ­nio lar­go, bem de­se­nha­do, com bo­che­chas pou­co car­nu­das e stop bem de­fi­ni­do. Na­riz lar­go, com na­ri­nas bem de­sen­vol­vi­das. Fo­ci­nho po­de­ro­so e não pon­ti­a­gu­do. Os ma­xi­la­res são de com­pri­men­to mé­dio e den­tes for­tes com uma mor­de­du­ra per­fei­ta e re­gu­lar em te­sou­ra, ou se­ja, a den­ti­ção su­pe­ri­or com uma so­bre­po­si­ção mui­to pró­xi­ma da den­ti­ção in­fe­ri­or, in­se­ri­das no qua­dra­do das man­dí­bu­las. Os olhos são de ta­ma­nho mé­dio, com uma ex­pres­são in­te­li­gen­te e bem-in­ten­ci­o­na­da, de cor cas­ta­nha ou ave­lã. As ore­lhas não são gran­des nem pe­sa­das, in­se­ri­das per­to da ca­be­ça e re­la­ti­va­men­te che­ga­das atrás.

O pes­co­ço é lim­po, for­te, po­de­ro­so e bem in­se­ri­do nos om­bros.

Cor­po de for­ma ci­lín­dri­ca

As su­as cos­tas apre­sen­tam uma li­nha dor­sal ni­ve­la­da. Lom­bo lar­go, cur­to e for­te. Pei­to de boa lar­gu­ra e pro­fun­di­da­de, com cos­te­las bem ar­que­a­das nu­ma for­ma ci­lín­dri­ca – es­ta for­ma não po­de ser atri­buí­da por ex­ces­so de pe­so.

Cau­da de lon­tra

A gran­de ca­rac­te­rís­ti­ca da cau­da é ser mui­to lar­ga na ba­se e gra­du­al­men­te ir es­trei­tan­do à me­di­da que che­ga à pon­ta. De ta­ma­nho mé­dio, sem fran­jas, mas bem co­ber­ta da pe­la­gem den­sa, cur­ta e for­te, atri­buin­do-lhe a for­ma ar­re­don­da­da que a ca­rac­te­ri­za com a des­cri­ção da “cau­da de lon­tra” e fun­ci­o­na co­mo le­me quan­do se des­lo­ca na água. Po­de mo­ver-se ale­gre­men­te, mas nun­ca de­ve en­ro­lar so­bre as cos­tas.

Mem­bros

Os mem­bros an­te­ri­o­res de­vem ser di­rei­tos des­de o co­to­ve­lo até ao chão, vis­tos

quer da fren­te, quer de per­fil. Om­bro com­pri­do e in­cli­na­do; an­te­bra­ço di­rei­to e com boa es­tru­tu­ra ós­sea; pés di­an­tei­ros re­don­dos e com­pac­tos; de­dos bem ar­que­a­dos e al­mo­fa­das bem de­sen­vol­vi­das. Os mem­bros pos­te­ri­o­res de­vem ser bem de­sen­vol­vi­dos, sem des­cair para a cau­da; jo­e­lho bem do­bra­do; jar­re­tes bem des­ci­dos (jar­re­tes de va­ca são al­ta­men­te in­de­se­já­veis); pés tra­sei­ros re­don­dos e com­pac­tos; de­dos bem ar­que­a­dos e al­mo­fa­das bem de­sen­vol­vi­das.

Fa­lhas des­clas­si­fi­ca­ti­vas

Cão agres­si­vo ou de­ma­si­a­do tí­mi­do. Qual­quer cão que cla­ra­men­te exi­ba per­tur­ba­ções fí­si­cas ou com­por­ta­men­tais de­ve ser des­clas­si­fi­ca­do.

Pe­la­gem

O pe­lo é ou­tro as­pe­to mui­to ca­rac­te­rís­ti­co da ra­ça. Cur­to e den­so, com uma li­gei­ra as­pe­re­za ao to­que, sem on­du­la­ções ou fran­jas.

O seu sub­pe­lo tor­na o La­bra­dor um cão to­le­ran­te a to­das as in­tem­pé­ri­es e ca­paz de su­por­tar águas ge­la­das, pois a água não che­ga di­re­ta­men­te a ter con­tac­to com a pe­le.

Em re­la­ção à cor po­de ser to­tal­men­te pre­to, ama­re­lo ou cas­ta­nho (cho­co­la­te).

•Ama­re­lo: Po­de variar des­de uma co­lo­ra­ção cre­me cla­ro até um ver­me­lho ra­po­sa. Em al­gu­mas par­tes, co­mo nas ore­lhas, cal­ca­nha­res e li­nha da co­lu­na, é nor­mal pre­do­mi­nar uma co­lo­ra­ção mais es­cu­ra que a do res­to do cor­po. Os olhos de­vem ser cas­ta­nhos ou ave­lã.

•Pre­to: De­ve ser ne­gro por in­tei­ro, po­den­do-se ad­mi­tir uma pe­que­na man­cha bran­ca no pei­to. A pe­la­gem de­ve ser bri­lhan­te, para de­mar­car ain­da mais a cor.

•Cho­co­la­te: De­ve variar da cor fí­ga­do ao cho­co­la­te es­cu­ro, sen­do pre­fe­rí­vel um cas­ta­nho mais es­cu­ro. Tal co­mo o pre­to, de­ve ser mui­to bri­lhan­te e lus­tro­sa. Os olhos de­vem ser cas­ta­nhos ou ave­lã. O na­riz de­ve ser cas­ta­nho e não pre­to, co­mo no ca­so dos La­bra­dor ama­re­los e pre­tos.

O pe­lo é cur­to e den­so, com uma li­gei­ra as­pe­re­za ao to­que, sem on­du­la­ções ou fran­jas, em pre­to, ama­re­lo ou cas­ta­nho

Cru­za­men­tos de co­res

Não exis­te qual­quer re­gra ou proi­bi­ção de cru­za­men­to en­tre as três co­res. Na te­o­ria, nu­ma ni­nha­da po­dem nas­cer as três co­res, se bem pla­ne­a­da. No en­tan­to, se pre­ten­de ob­ter uma ou mais de­ter­mi­na­das co­res es­pe­cí­fi­cas, nos ca­chor­ros que irão nas­cer de uma de­ter­mi­na­da cru­za, é ne­ces­sá­rio que co­nhe­ça bem a ge­né­ti­ca que es­tá por trás de ca­da um dos re­pro­du­to­res. Is­to por­que, as três co­res são pro­du­zi­das atra­vés da in­te­ra­ção de dois di­fe­ren­tes pa­res de ge­nes (do-

mi­nan­tes ou re­ces­si­vos). Os exem­pla­res de­ten­to­res de ge­nes do­mi­nan­tes pas­sam sem­pre as su­as ca­rac­te­rís­ti­cas para a pró­xi­ma ge­ra­ção. Nos exem­pla­res com ge­nes re­ces­si­vos, co­mo um cão ama­re­lo que trans­por­te o ge­ne re­ces­si­vo cas­ta­nho, as ca­rac­te­rís­ti­cas só se­rão trans­mi­ti­das para os ca­chor­ros se am­bos os pais ti­ve­rem ge­nes re­ces­si­vos, uma vez que os dois se com­ple­men­tam.

Exemplo de cru­za­men­to

Quan­do um La­bra­dor com ge­nes do­mi­nan­tes (pre­tos ou ama­re­los) é cru­za­do com ou­tro com exa­ta­men­te a mes­ma ge­né­ti­ca, a ni­nha­da que vai nas­cer só po­de ter: ca­chor­ros pre­tos com ge­nes do­mi­nan­tes ou ca­chor­ros ama­re­los com ge­nes do­mi­nan­tes. No en­tan­to, se um La­bra­dor pre­to ou ama­re­lo, com ge­nes do­mi­nan­tes, cru­zar com um La­bra­dor pre­to com ge­nes re­ces­si­vos ama­re­lo, o nor­mal é que nas­ça uma ni­nha­da onde me­ta­de dos ca­chor­ros te­nha o ge­ne do­mi­nan­te pre­to e a ou­tra me­ta­de te­nha ge­nes pre­tos e ama­re­los. O mes­mo acon­te­ce com o cho­co­la­te, em­bo­ra es­ta cor se­ja a mais di­fí­cil de con­se­guir ob­ter.

Cui­da­dos com a pe­la­gem

Sen­do um cão de pe­lo cur­to e den­so, o La­bra­dor re­quer um cui­da­do re­la­ti­va­men­te sim­ples no que to­ca à sua pe­la­gem. No en­tan­to, é acon­se­lhá­vel que fa­ça uma es­co­va­gem (pri­mei­ro com uma es­co­va de cer­das de pon­tas ar­re­don­da­das e de­pois com uma es­co­va car­da­dei­ra) pe­lo me­nos uma vez por se­ma­na, ex­ce­tu­an­do as al­tu­ras de mai­or per­da de pe­lo, aí de­ve­rá fa­ze-lo pe­lo me­nos du­as ve­zes por se­ma­na para re­mo­ver os pe­los mortos e res­tos de su­ji­da­de. A es­co­va­gem de­ve ser fei­ta de for­ma gen­til e sem­pre na di­re­ção do pe­lo. De­pois da es­co­va­gem é co­mum pas­sar um pa­no ma­cio para re­ti­rar as par­tí­cu­las que a es­co­va não con­se­gue e tor­nar o pe­lo mais bri­lhan­te. Quan­do a es­co­va­gem é bem fei­ta e re­gu­lar não exis­te qual­quer ne­ces­si­da­de de dar ba­nhos fre­quen­tes ao La­bra­dor, pe­lo con­trá­rio, uma vez que o ba­nho re­ti­ra os óle­os na­tu­rais do pe­lo, que são es­sen­ci­ais para uma boa saú­de e pro­te­ção con­tra as condições me­te­o­ro­ló­gi­cas. No en­tan­to, quan­do for ne­ces­sá­rio dar ba­nho ao seu La­bra­dor use água mor­na e um bom champô para cães (sem ál­co­ol na com­po­si­ção). Te­nha em con­ta que, de­vi­do ao seu sub­pe­lo, a sua pe­la­gem de­mo­ra até es­tar com­ple­ta­men­te se­ca, sen­do por is­so re­co­men­dá­vel que após o ba­nho lhe re­ti­re to­do o ex­ces­so de água com uma to­a­lha, no sen­ti­do do pe­lo, e o se­que com um se­ca­dor.

Para que a es­co­va­gem e o ba­nho do seu cão se tor­nem prá­ti­cas sim­ples e agra­dá­veis ao lon­go da sua vi­da, de­ve ha­bi­tuá-lo des­de ca­chor­ro.

Tem­pe­ra­men­to

O La­bra­dor pos­sui um ex­ce­len­te tem­pe­ra­men­to. Os gran­des pon­tos a ter em con­ta no seu tem­pe­ra­men­to são a sua bon­da­de, ca­ri­nho, de­di­ca­ção, in­te­li­gên­cia, fi­de­li­da­de, obe­di­ên­cia e von­ta­de de agra­dar o do­no, sem si­nais de agres­si­vi­da­de nem ti­mi­dez in­jus­ti­fi­ca­da.

É um cão ati­vo, mui­to ágil, de­ten­tor de um ex­ce­len­te fa­ro e que con­si­de­ra a água co­mo seu se­gun­do ha­bi­tat na­tu­ral.

O La­bra­dor pos­sui um ex­ce­len­te tem­pe­ra­men­to e é um alu­no bri­lhan­te, cheio de von­ta­de de apren­der e agra­dar

Edu­ca­ção e trei­no

Em­bo­ra se­ja um cão de fá­cil trei­no, é ne­ces­sá­rio que to­me cons­ci­ên­cia que se­rá ne­ces­sá­rio des­de o iní­cio de­di­car al­gum tem­po a es­te te­ma. É du­ran­te os pri­mei­ros di­as na no­va ca­sa que o ca­chor­ro apren­de as re­gras que nun­ca mais es­que­ce­rá.

O La­bra­dor é um alu­no bri­lhan­te e cheio de von­ta­de de apren­der e agra­dar. Con­tu­do, se­ja co­e­ren­te nas or­dens uti­li­zan­do sem­pre co­man­dos cur­tos. A pre­ci­são é a cha­ve e de­ve apro­vei­tar as si­tu­a­ções para re­for­çar as con­du­tas po­si­ti­vas ou emen­dar as in­de­se­já­veis. O tom de voz com que dá as or­dens é de ex­tre­ma im­por­tân­cia.

Um dos exem­plos de trei­no de hi­gi­e­ne que po­de fa­zer des­de lo­go é de­pois do ca­chor­ro acor­dar, co­mer, be­ber água ou brin­car. Nes­tas si­tu­a­ções é pro­vá­vel que

quei­ra fa­zer xi­xi, mui­tas ve­zes ele “avi­sa” co­me­çan­do a fa­re­jar o chão, co­lo­que-o no lo­cal onde pre­ten­de que ele fa­ça as ne­ces­si­da­des (uma zo­na co­ber­ta com jor­nais é acon­se­lhá­vel), até que ele te­nha to­das as va­ci­nas em dia e pos­sa co­me­çar a ir à rua. Aí trei­ne-o de igual ma­nei­ra, mas le­van­do-o para o ex­te­ri­or. Para es­ti­mu­lar e de­sen­vol­ver as ca­pa­ci­da­des so­ci­ais do seu cão, de­ve exis­tir, des­de ce­do, in­te­ra­ção com ou­tros cães, de sua con­fi­an­ça. É tam­bém mui­to im­por­tan­te que o seu ca­chor­ro te­nha brin­que­dos que o es­ti­mu­lem fí­si­ca e men­tal­men­te, com di­fe­ren­tes chei­ros, sons e tex­tu­ras. Es­tes brin­que­dos po­dem ser usa­dos co­mo re­com­pen­sa por fa­zer al­go que lhe te­nha pe­di­do, há cães que re­a­gem mais ra­pi­da­men­te a re­com­pen­sas com brin­que­dos do que com bis­coi­tos. Para além do trei­no de obe­di­ên­cia, po­de ain­da es­ti­mu­lar o seu ol­fa­to – es­con­den­do ob­je­tos de que ele gos­te, bis­coi­tos ou até as cri­an­ças da fa­mí­lia, para que ele os pos­sa encontrar. Para além de sa­tis­fa­zer a cons­tan­te ne­ces­si­da­de de tra­ba­lho do La­bra­dor é um “jo­go” bas­tan­te di­ver­ti­do.

Os co­men­tá­ri­os

Quem pas­seia, ou já pas­se­ou, um La­bra­dor na rua, sa­be que é fre­quen­te ou­vir inú­me­ros co­men­tá­ri­os que nos dei­xam, a nós do­nos, chei­os de or­gu­lho. A mai­o­ria des­tes co­men­tá­ri­os re­fe­rem o seu ar mei­go, que­ri­do, sim­pá­ti­co, co­mo es­tá bem tra­ta­do, co­mo é bo­ni­to, tu­do is­to sem­pre co­mo uma enor­me quan­ti­da­de de fes­tas que a ex­pres­são do La­bra­dor, por si só, atrai.

Mas para além des­tes co­men­tá­ri­os é fre­quen­te ou­vir a per­gun­ta: “É um Re­tri­e­ver, não é?” – Sim, é um Re­tri­e­ver, mas não é o úni­co.

Apro­vei­te para in­for­mar as pessoas que o abor­dam, de que para além do Re­tri­e­ver do La­bra­dor, exis­tem mais 5 ra­ças na fa­mí­lia dos Re­tri­e­vers, ca­da uma de­las com as su­as di­fe­ren­tes ca­rac­te­rís­ti­cas: o Gol­den Re­tri­e­ver, o Flat Co­a­ted Re­tri­e­ver, o No­va Sco­tia Duck Tol­ling Re­tri­e­ver, o Curly Co­a­ted Re­tri­e­ver e o Che­sa­pe­a­ke Bay Re­tri­e­ver.

Ma­tu­ri­da­de e re­pro­du­ção

É na pu­ber­da­de que se ma­ni­fes­tam os pri­mei­ros si­nais do des­per­tar das glân­du­las se­xu­ais. Quan­do o ma­cho co­me­ça a le­van­tar a per­na para uri­nar es­tá a dar si­nais da ne­ces­si­da­de de co­lo­car a sua mar­ca (vi­sí­vel e ol­fa­ti­va) no seu am­bi­en­te. Is­to ocor­re nor­mal­men­te por vol­ta dos 12 me­ses

Na fê­mea o pri­mei­ro cio dá-se en­tre os 7 e os 12 me­ses, ma­ni­fes­tan­do-se por um cor­ri­men­to va­gi­nal de san­gue e um

Além do Re­tri­e­ver do La­bra­dor, exis­tem mais 5 ra­ças na fa­mí­lia dos Re­tri­e­vers, ca­da uma de­las com as su­as di­fe­ren­tes ca­rac­te­rís­ti­cas

in­cha­ço da vul­va, por ve­zes sig­ni­fi­ca­ti­vo. O cio di­vi­de-se em três fa­ses: o pré-es­tro du­ran­te o qual a fê­mea re­jei­ta os ma­chos, que se apro­xi­mam atraí­dos pe­lo odor das fe­ro­mo­nas; o es­tro que re­pre­sen­ta o pe­río­do em que a fê­mea acei­ta o ma­cho; e o pós-es­tro, pe­río­do hor­mo­nal sob a in­fluên­cia da pro­ges­te­ro­na (hor­mo­na da gra­vi­dez). Ca­so a co­bri­ção te­nha si­do fe­cun­dan­te, es­te pe­río­do du­ra o tem­po da ges­ta­ção, cer­ca de 2 me­ses. Ca­so con­trá­rio pro­lon­ga-se en­tre 6 se­ma­nas a 3 me­ses.

Du­ran­te o pri­mei­ro ano de vi­da de­ve to­mar aten­ção com o seu pe­so, uma vez que tem ten­dên­cia para en­gor­dar

Os La­bra­dor atin­gem a sua ma­tu­ri­da­de se­xu­al aos 2 anos de ida­de, coin­ci­din­do nor­mal­men­te com o ter­cei­ro cio das ca­de­las, há quem di­ga que os ma­chos atin­gem um pou­co mais ce­do, por vol­ta do ano e meio.

An­tes de de­ci­dir aca­sa­lar um ma­cho e uma fê­mea, é re­co­men­dá­vel que tes­te am­bos em re­la­ção aos pro­ble­mas de saú­de mais fre­quen­tes: des­pis­te da dis­pla­sia da an­ca, des­pis­te da dis­pla­sia do co­to­ve­lo e tes­te das ta­ras ocu­la­res. Além des­tes exis­tem atu­al­men­te um gran­de nú­me­ro de tes­tes ge­né­ti­cos dis­po­ní­veis. O cru­za­men­to po­de ser fei­to por mon­ta na­tu­ral (ca­so os re­pro­du­to­res es­te­jam isen­tos de do­en­ças se­xu­al­men­te trans­mis­sí­veis) ou por in­se­mi­na­ção uti­li­zan­do sé­men re­fri­ge­ra­do ou con­ge­la­do. A mai­o­ria dos par­tos ocor­re de for­ma na­tu­ral, sal­vo al­gu­mas ex­ce­ções onde po­de ha­ver a ne­ces­si­da­de de re­cor­rer a ce­sa­ri­a­na. Ape­sar de, por nor­ma, se­rem bo­as mães, a fê­mea po­de, por ve­zes, pre­ci­sar de aju­da para to­mar con­ta dos ca­chor­ros, em mé­dia, en­tre 6 a 8 ca­chor­ros por ni­nha­da.

De­sen­vol­vi­men­to dos ca­chor­ros

O pe­so ha­bi­tu­al de um ca­chor­ro à nas­cen­ça é en­tre 350 e 600 gra­mas, de­pen­den­do de vá­ri­os fa­to­res en­tre os quais o nú­me­ro de ca­chor­ros da ni­nha­da.

As 8 se­ma­nas após o par­to são ful­crais para o bom de­sen­vol­vi­men­to fí­si­co, men­tal e so­ci­al do ca­chor­ro – o con­tac­to com a mãe e a in­te­ra­ção com os ir­mãos tor­ná-lo-ão um cão equi­li­bra­do, so­ciá­vel e sau­dá­vel. Por is­so, nun­ca de­ve le­var para sua ca­sa ca­chor­ros com ida­des in­fe­ri­o­res a 8 se­ma­nas. Nes­sa al­tu­ra o ca­chor­ro pe­sa­rá en­tre 6 a 8 Kg.

Du­ran­te o pri­mei­ro ano de vi­da do seu ca­chor­ro de­ve to­mar es­pe­ci­al aten­ção com o seu pe­so, uma vez que os La­bra­dor têm ten­dên­cia para en­gor­dar e po­dem, por is­so, vir a ter pro­ble­mas ar­ti­cu­la­res ou na co­lu­na em adul­tos.

Co­mo re­fe­rên­cia, um ca­chor­ro de 1 ano de­ve­rá pe­sar en­tre 25 a 35 Kg (exis­te al­gu­ma di­fe­ren­ça en­tre ma­cho e fê­mea), ten­do em aten­ção que a es­tru­tu­ra ós­sea po­de cau­sar al­te­ra­ções.

Es­co­lha do ca­chor­ro

O Re­tri­e­ver Clu­be de Por­tu­gal e o Clu­be Por­tu­guês de Ca­ni­cul­tu­ra po­dem in­for­má-lo so­bre os cri­a­do­res re­co­nhe­ci­dos da ra­ça. Es­tes cri­a­do­res pla­nei­am me­ti­cu­lo­sa­men­te to­dos os aca­sa­la­men­tos. Os cri­a­do­res só­ci­os do Re­tri­e­ver Clu­be

de Por­tu­gal só po­dem anun­ci­ar no web­si­te do RCP as ni­nha­das que obe­de­çam às re­gras que es­tão pu­bli­ca­das no mes­mo si­te.

Vi­si­te vá­ri­os cri­a­do­res. De­pois de es­co­lher o cri­a­dor é im­por­tan­te que se des­lo­que para co­nhe­cer to­da a ni­nha­da, as­sim co­mo os pais dos ca­chor­ros. Só as­sim po­de ava­li­ar o ca­chor­ro que vai es­co­lher, num to­do. Se es­ti­ver con­fu­so, per­gun­te! Um bom cri­a­dor te­rá pa­ci­ên­cia para res­pon­der às su­as ques­tões e per­mi­ti­rá vá­ri­as vi­si­tas. Trans­mi­ta ao cri­a­dor o que pre­ten­de fa­zer com o seu ca­chor­ro, para que ele o pos­sa aju­dar na es­co­lha. Du­ran­te a vi­si­ta ve­ja se o es­pa­ço onde os ca­chor­ros es­tão se en­con­tra lim­po. Ve­ri­fi­que se a mãe e os ca­chor­ros es­tão ale­gres e cu­ri­o­sos, sem de­mons­trar si­nais de ti­mi­dez. Tal co­mo re­fe­ri­do an­te­ri­or­men­te é im­por­tan­te co­nhe­cer os pais do ca­chor­ro e ter em sua pos­se os tes­tes de saú­de atrás re­fe­ri­dos de am­bos os pro­ge­ni­to­res, uma vez que au­men­ta a pro­ba­bi­li­da­de do ca­chor­ro não vir a so­frer es­te ti­po de pro­ble­mas. Re­cor­da­mos que não de­ve ad­qui­rir um cão por im­pul­so e pres­são dos seus fa­mi­li­a­res, de­ve ter em con­ta que vai ado­tar um no­vo mem­bro para a sua fa­mí­lia para os pró­xi­mos 10 a 14 anos.

Saú­de e dia-a-dia

Es­co­lha uma ra­ção equilibrada e de boa

Vai ser fe­liz e sen­tir-se bem, des­de que te­nha a com­pa­nhia dos seus do­nos e se­ja in­se­ri­do nos seus pro­gra­mas

qua­li­da­de e si­ga as in­di­ca­ções dos ró­tu­los. Não per­mi­ta que o seu ca­chor­ro se trans­for­me num cão obe­so. Se, por ou­tro la­do, o seu ca­chor­ro não qui­ser co­mer, fa­le com o seu mé­di­co ve­te­ri­ná­rio. Po­de ser si­nal de que qual­quer coi­sa não es­tá bem.

Além da es­co­va­gem se­ma­nal, é re­co­men­dá­vel que ve­ri­fi­que os seus olhos, den­tes, unhas, ore­lhas e ouvidos, cer­ti­fi­can­do-se de que se en­con­tram lim­pos. Co­mo to­das as ra­ças, tam­bém o La­bra­dor tem pre­dis­po­si­ção para al­gu­mas do­en­ças. Os pro­ble­mas ar­ti­cu­la­res são os mais co­nhe­ci­dos na ra­ça, no­me­a­da­men­te, a dis­pla­sia de an­ca e co­to­ve­lo, de­ve por is­so cer­ti­fi­car-se de que am­bos os pais são isen­tos. Tam­bém al­guns exem­pla­res apre­sen­tam pro­ble­mas cu­tâ­ne­os co­mo aler­gi­as, in­fe­ções ou der­ma­ti­tes.

Ne­ces­si­da­des de exer­cí­cio

Du­ran­te o cres­ci­men­to os es­for­ços e brin­ca­dei­ras de­vem ser mo­de­ra­dos. Não exa­ge­re nos pas­sei­os!

É na­tu­ral que quei­ra, des­de lo­go, le­var o seu ca­chor­ro a dar lon­gos pas­sei­os, para mais sen­do o La­bra­dor um cão cheio de ener­gia. No en­tan­to, não é acon­se­lhá­vel que tal acon­te­ça du­ran­te o pri­mei­ro ano de vi­da, para que não in­ter­fi­ra no pro­ces­so de cal­ci­fi­ca­ção in­te­gral dos os­sos. Mas po­de pas­se­ar na areia mo­lha­da e dei­xar o seu ca­chor­ro nadar. Foi com es­sa fun­ção que a ra­ça nas­ceu. Evi­te pi­sos es­cor­re­ga­di­os e es­ca­das, e au­men­te gra­du­al­men­te os pas­sei­os. Cla­ro que só de­ve fa­zer tu­do is­to com

Apro­vei­te a enor­me pai­xão que o La­bra­dor tem por água para o le­var a la­gos, ri­os e prai­as ati­ran­do ob­je­tos para es­te co­brar

o seu ca­chor­ro a par­tir do mo­men­to em que ter­mi­ne o pro­gra­ma de va­ci­na­ção in­di­ca­do pe­lo mé­di­co ve­te­ri­ná­rio.

Que ati­vi­da­des po­de fa­zer com o seu La­bra­dor?

Para além do exer­cí­cio diá­rio e re­gu­lar, os La­bra­dor po­dem par­ti­ci­par em mui­tas ou­tras ati­vi­da­des que são es­ti­mu­lan­tes para os cães e di­ver­ti­das para os do­nos. Sen­do que o Agi­lity, Obe­di­ên­cia e Fris­bee são so­be­ja­men­te co­nhe­ci­das, há ou­tras que lhe po­de­rão in­te­res­sar:

•Fi­eld Tri­als – Pro­vas de des­por­to ca­ni­no em que o la­bra­dor de­mons­tra o seu po­ten­ci­al ina­to co­mo Re­tri­e­ver. Ape­sar de se­rem di­re­ci­o­na­das para cães de ca­ça po­dem ser fei­tas subs­ti­tuin­do a pe­ça de ca­ça por um ob­je­to ha­bi­tu­al­men­te de­sig­na­do com dum­mie. Ne­las se ava­lia a ca­pa­ci­da­de de co­bro do cão em di­fe­ren­tes si­tu­a­ções, a di­fe­ren­tes dis­tân­ci­as, com ou sem vi­si­bi­li­da­de da pe­ça. Em­bo­ra es­ta mo­da­li­da­de ain­da es­te­ja pou­co di­na­mi­za­da em Por­tu­gal, já exis­tem trei­nos des­por­ti­vos de co­bro or­ga­ni­za­dos pe­lo Re­tri­e­ver Clu­be de Por­tu­gal, es­tan­do o pró­xi­mo agen­da­do para 15 de se­tem­bro.

•TAN ou Tes­te de Ap­ti­dões Na­tu­rais Pro­va – Pro­va de tra­ba­lho que vi­sa afe­rir as ap­ti­dões na­tu­rais do cão. Per­mi­te ver o cão em ação e ava­li­ar, num am­bi­en­te cam­pes­tre, 5 pa­râ­me­tros dis­tin­tos: so­ci­a­bi­li­da­de, equi­lí­brio, na­riz, ca­pa­ci­da­de de co­bro e à von­ta­de com a água. É ne­ces­sá­rio que os cães se­jam ap­tos nos 5 pa­râ­me­tros para que pos­sam re­ce­ber o Cer­ti­fi­ca­do.

•Man­trai­ling – Ver­ten­te da ati­vi­da­de de bus­ca e sal­va­men­to que ava­lia a ca­pa­ci­da­de que o cão tem em se­guir o odor hu­ma­no.

Se­rá o cão que pre­ten­de?

An­tes de ir para a fren­te com a de­ci­são de ter um La­bra­dor na sua vi­da, de­ve

in­for­mar-se so­bre se é es­ta a ra­ça que se ade­qua ao seu es­ti­lo de vi­da, de­ven­do fa­zê-lo jun­to de cri­a­do­res con­cei­tu­a­dos. De­ven­do ain­da ques­ti­o­nar-se so­bre o se­guin­te:

•Es­tá pre­pa­ra­do para ocu­par al­guns mi­nu­tos de to­dos os seus dia para tra­tar do seu cão em ge­ral, dar-lhe co­mi­da e ve­ri­fi­car se es­tá tu­do bem com ele?

•Es­tá pre­pa­ra­do para dis­pen­sar al­gum do seu tem­po e pa­ci­ên­cia, to­dos os di­as, no trei­no do seu cão?

•Es­tá pre­pa­ra­do para exer­ci­tar o seu La­bra­dor, fa­ça chu­va ou fa­ça sol, pe­lo me­nos uma ho­ra por dia?

•Es­tá pre­pa­ra­do para ter um ami­go cu­ja fe­li­ci­da­de e bem-es­tar de­pen­dem a tem­po in­tei­ro de si, cu­ja es­pe­ran­ça mé­dia de vi­da é de 10 a 14 anos. Se res­pon­deu “Sim” a to­das as perguntas, o pró­xi­mo pas­so é es­co­lher o seu ca­chor­ro. Não pre­ci­sa de ter um jar­dim. Bas­ta ter a cer­te­za da sua dis­po­ni­bi­li­da­de. ■

Nos pri­mór­di­os da ra­ça, os cri­a­do­res da­vam pre­fe­rên­cia aos La­bra­do­res pre­tos e ape­nas no iní­cio de 1900, as ou­tras co­res começaram a ser acei­tes.

Re­quer exer­cí­cio fí­si­co e ser es­ti­mu­la­do men­tal­men­te, por is­so, in­de­pen­den­te­men­te de vi­ver num apar­ta­men­to ou nu­ma vi­ven­da com um jar­dim enor­me, é mui­to im­por­tan­te que pas­se tem­po diá­rio com o seu cão.

Es­ti­mu­le o seu ol­fa­to – es­con­den­do ob­je­tos de que ele gos­te ou bis­coi­tos – para além de sa­tis­fa­zer a cons­tan­te ne­ces­si­da­de de tra­ba­lho do La­bra­dor é um “jo­go” bas­tan­te di­ver­ti­do.

É um cão ati­vo, mui­to ágil, de­ten­tor de um ex­ce­len­te fa­ro e que con­si­de­ra a água co­mo seu se­gun­do ha­bi­tat na­tu­ral.

No­ta de agra­de­ci­men­to: O Re­tri­e­ver Clu­be de Por­tu­gal agra­de­ce a Ra­quel Pa­che­co, a Ana Ba­ce­lo, aos só­ci­os que ce­de­ram e per­mi­ti­ram a pu­bli­ca­ção de fo­to­gra­fi­as de exem­pla­res de sua pro­pri­e­da­de para ilus­trar es­te ar­ti­go e ain­da à Co­mis­são de Ra­ça Re­tri­e­ver do La­bra­dor do RCP.

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