Co­mo tor­nar o Gro­o­ming nu­ma ati­vi­da­de de fa­mí­lia

Ca­da vez mais os nos­sos ani­mais fa­zem parte da fa­mí­lia. Por es­sa ra­zão, faz to­do o sen­ti­do in­te­grar os nos­sos fi­lhos nos cui­da­dos de Gro­o­ming dos ani­mais de es­ti­ma­ção do lar.

Caes & Companhia - - Nesta Edição - Isa­bel No­bre Gro­o­mer Pro­fis­si­o­nal IN Gro­o­ming & SPA Fo­tos: Shut­ters­tock

No en­tan­to, não nos po­de­mos es­que­cer que nun­ca po­de­mos de­le­gar na ín­te­gra a res­pon­sa­bi­li­da­de dos cui­da­dos nos nos­sos ani­mais a uma cri­an­ça, pois es­ta não tem ma­tu­ri­da­de para tal. Se­ria o mes­mo que de­le­gar o cui­da­do de um be­bé ao ir­mão mais ve­lho, exis­tem coi­sas que ele po­de aju­dar, mas a res­pon­sa­bi­li­da­de e a su­per­vi­são re­cai sem­pre so­bre os pais.

A al­tu­ra cer­ta!

Re­cor­do-me de pe­dir um cão aos meus pais des­de que me lem­bro de ser gen­te. Era fá­cil de me en­con­tra­rem num cen­tro co­mer­ci­al, pois es­ta­va sem­pre na lo­ja de ani­mais a na­mo­rar os cães. Mas os meus pais tra­ba­lha­vam mui­tas ho­ras e sem­pre me dis­se­ram que um cão não é um brin­que­do e que é pre­ci­so tra­tar de­le, le­var à rua e ter tem­po para lhe de­di­car. Na épo­ca não en­ten­dia is­so e acha­va que era ca­paz de fa­zer to­das es­sas coi­sas. Ho­je em dia sei que não era bem as­sim e que es­pe­rar por eu ser mais ve­lha e que os meus pais pu­des­sem ter mais tem­po, foi mes­mo a me­lhor es­co­lha. Quan­do fiz 9 anos, a mi­nha mãe ofe­re­ceu-me um cão, no Dia da Cri­an­ça, e foi nes­se dia que dei ba­nho a um cão pe­la pri­mei­ra vez, pois vi­nha mui­to su­jo e com bas­tan­tes pul­gas. Mas não o fiz so­zi­nha, foi uma ati­vi­da­de de fa­mí­lia e ain­da ho­je me lem­bro.

A ida­de ide­al para po­der in­cluir os seus fi­lhos no Gro­o­ming do seu ani­mal é a par­tir dos 8 anos de ida­de, mas sem­pre com su­per­vi­são

Dos 0 aos 4 anos

To­do o ti­po de in­te­ra­ção en­tre ani­mais e cri­an­ças de­ve ser su­per­vi­si­o­na­do por um adul­to. Es­pe­ci­al­men­te quan­do as cri­an­ças são mui­to no­vas.

Até cer­ca dos 4 anos de ida­de as cri­an­ças não en­ten­dem que os ani­mais são se­res vi­vos e vêem-nos co­mo mais um brin­que­do. Lo­go, com es­ta ida­de ain­da é mui­to ce­do para po­der in­cluir os seus fi­lhos no Gro­o­ming do cão, o mais pro­vá­vel é que ma­go­em o ani­mal ou a si mes­mas.

A par­tir dos 8 anos

A ida­de ide­al para po­der in­cluir os seus fi­lhos no Gro­o­ming do seu ani­mal é a par­tir dos 8 anos de ida­de, mas sem­pre com a sua su­per­vi­são.

A par­tir dos 8 anos de ida­de uma cri­an­ça po­de aju­dar a dar ba­nho, a se­car e a es­co­var. No en­tan­to, tam­bém é uma ida­de em que é mui­to fá­cil a cri­an­ça abor­re­cer-se com a ta­re­fa se es­ta for de­mo­ra­da. Ten­te tor­nar a ta­re­fa em al­go di­dá­ti­co, vá ex­pli­can­do o que es­tá a fa­zer e o porquê. As cri­an­ças ado­ram fa­zer perguntas e apren­der coi­sas no­vas.

Dar ba­nho ao cão

O ba­nho de um ani­mal de pe­lo cur­to po­de ser in­tei­ra­men­te da­do por uma cri­an­ça com es­ta ida­de. Dê ori­en­ta­ções so­bre o flu­xo de água e aju­de a se­gu­rar o ani­mal para que nem es­te se as­sus­te, nem a cri­an­ça se ma­goe.

Dei­xe-a pas­sar o champô, mas se­ja vo­cê a co­lo­car a quan­ti­da­de. To­me aten­ção para evi­tar que o champô vá para os olhos e se­ja vo­cê a en­xa­guar para que não fi­quem re­sí­du­os de champô no pe­lo. O mes­mo com o ama­ci­a­dor.

Se­ca­gem da pe­la­gem

Pe­gue nu­ma to­a­lha, dê ou­tra ao seu fi­lho e ex­pli­que co­mo se es­fre­ga o ani­mal para re­mo­ver o ex­ces­so de água. Ao usar o se­ca­dor, te­nha aten­ção para evi­tar que o seu fi­lho co­lo­que o se­ca­dor mui­to per­to da pe­le do seu ani­mal para não o quei­mar.

A cri­an­ça po­de usar uma lu­va de bor­ra­cha para es­co­var en­quan­to se­ca, além de ser uma boa ideia, pois pro­mo­ve o tra­ba­lho de equi­pa.

Cães de pe­lo com­pri­do

Não é boa ideia dei­xar uma cri­an­ça des­ta ida­de tra­tar do pe­lo de um ani­mal de pe­la­gem lon­ga, por­que o risco de fa­zer nós ao es­fre­gar no ba­nho é ele­va­do, as­sim co­mo o risco de o pe­lo não fi­car bem la­va­do ou en­xa­gua­do, o que po­de cau­sar hot-spots (der­ma­ti­te hú­mi­da bac­te­ri­a­na).

Es­co­va­gem

Se ti­ver um cão de pe­lo cur­to, no Gro­o­ming do dia-a-dia po­de pe­dir ao seu fi­lho para o es­co­var com uma lu­va de bor­ra­cha para re­mo­ver o pe­lo mor­to. Evi­den­te­men­te que te­rá sem­pre que ter­mi­nar a ta­re­fa, mas as cri­an­ças po­dem e de­vem ser in­te­gra­das em to­das as ati­vi­da­des fa­mi­li­a­res. Pro­mo­ve a res­pon­sa­bi­li­da­de.

A par­tir dos 12 anos

Com es­ta ida­de já exis­te al­gu­ma ma­tu­ri­da­de e já se po­dem co­me­çar a de­le­gar al­gu­mas ta­re­fas, sem­pre sob su­per­vi­são, evi­den­te­men­te.

Aos 12 anos uma cri­an­ça já se­rá per­fei­ta­men­te ca­paz de dar ba­nho a um ani­mal com qual­quer ti­po de pe­la­gem e de ter cui­da­dos com a água nos olhos, com um flu­xo de água mais len­to para não o as­sus­tar e en­xa­guar per­fei­ta­men­te, se­guin­do sem­pre as ori­en­ta­ções dos pais. Tam­bém já po­de se­car um ani­mal com­ple­ta­men­te e es­co­var. No en­tan­to, de­ta­lhes co­mo ti­rar nós nas axi­las, na bar­ri­ga, atrás das ore­lhas e na cau­da, que são zo­nas que o seu ani­mal não irá apre­ci­ar, de­vem ser fei­tas por um adul­to. Nes­tas ida­des já se po­de pe­dir a uma cri­an­ça que lim­pe as pa­ti­nhas, os olhi­nhos e as ore­lhi­nhas. Mas não se po­de pe­dir que cor­te as unhas, pois é uma coi­sa que, nor­mal­men­te, os ani­mais não gos­tam e há o risco de os ma­go­ar.

Es­co­lha da es­co­va

De­ve ter al­gu­ma aten­ção ao ti­po de es­co­va que es­co­lhe para dar a uma cri­an­ça. As car­da­dei­ras não são de to­do in­di­ca­das, pois po­dem ar­ra­nhar o ani­mal. Es­co­lha uma es­co­va mais su­a­ve se é o seu fi­lho a es­co­var.

Uma ta­re­fa di­ver­ti­da

Ati­vi­da­des en­tre ir­mãos tor­na sem­pre a ta­re­fa mais di­ver­ti­da. Po­dem aju­dar-se mu­tu­a­men­te e o mais ve­lho po­de en­si­nar o mais no­vo co­mo agir. Nor­mal­men­te, as me­ni­nas gos­tam mais des­te ti­po de ta­re­fas que os me­ni­nos, mas não é por is­so que não os de­ve­mos in­cluir.

A cri­an­ça não é a res­pon­sá­vel

Es­co­lha uma es­co­va mais su­a­ve se é o seu fi­lho a es­co­var; as car­da­dei­ras não são in­di­ca­das, pois po­dem ar­ra­nhar o ani­mal

Po­de e de­ve in­cluir os seus fi­lhos nos cui­da­dos de Gro­o­ming dos seus ani­mais. Mas pen­se ne­les co­mo os seus as­sis­ten­são tes e não em si co­mo as­sis­ten­te de­les. E nun­ca, mas nun­ca, dei­xe os cui­da­dos de Gro­o­ming dos seus ani­mais à res­pon­sa­bi­li­da­de de uma cri­an­ça.

Ve­jo mui­tas ve­zes pais men­ci­o­na­rem que a cul­pa do ani­mal es­tar em mau es­ta­do de pe­la­gem é por­que os fi­lhos não tra­ta­ram de­les e que os cães são de­les. Mas não é ver­da­de, não é o no­me de­les que es­tá no mi­cro­chip do seu cão, nem no re­gis­to da Jun­ta de Fre­gue­sia, nem no bo­le­tim de va­ci­nas. Não são os seus fi­lhos que com­pram a ali­men­ta­ção, nem pa­gam a con­ta do ve­te­ri­ná­rio. Ou se­ja, os ani­mais sem­pre da res­pon­sa­bi­li­da­de de um adul­to. O mais que po­de fa­zer é in­cluir os seus fi­lhos nos cui­da­dos de ro­ti­na, mas sem­pre com a sua aju­da e su­per­vi­são.

Tem­po de usu­fruir!

In­cluir to­da a fa­mí­lia no Gro­o­ming, até por­que os ani­mais fa­zem parte des­ta, é fun­da­men­tal, mas não se es­que­ça que to­das as ati­vi­da­des re­la­ci­o­na­das com ani­mais de­vem ser mo­ni­to­ri­za­das com aten­ção, es­pe­ci­al­men­te nas cri­an­ças mais no­vas ou que te­nham ani­mais há pou­co tem­po. Bom Gro­o­ming! ■

A par­tir dos 8 anos de ida­de uma cri­an­ça po­de aju­dar a dar ba­nho, a se­car e a es­co­var.

A cri­an­ça po­de usar uma lu­va de bor­ra­cha para es­co­var en­quan­to se­ca.

A par­tir dos 12 anos de ida­de já se po­de pe­dir a uma cri­an­ça que es­co­ve os den­tes, lim­pe as pa­ti­nhas, os olhi­nhos e as ore­lhi­nhas.

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