Vi­tal dar alen­to ao que é no­bre nos ou­tros»

Com o no­vo “O Es­tran­gei­ro”, filme que es­treia amanhã nas sal­sas por­tu­gue­sas, Pi­er­ce Bros­nan – even­tu­al­men­te o melhor Bond de sem­pre – en­car­na um pa­pel que o fez re­gres­sar à sua Ir­lan­da na­tal. Eis a en­tre­vis­ta exclusiva!

Destak - - Arte&lazer - JOHN-MIGUEL SA­CRA­MEN­TO, em Hollywo­od

Pi­er­ce Bros­nan tem, fe­liz­men­te, mui­to sen­ti­do de humor pa­ra atu­rar o seu es­ta­tu­to de ac­tor su­bes­ti­ma­do. Nun­ca foi pre­mi­a­do pe­la Aca­de­mia e, no en­tan­to, é um trans­for­ma­dor ca­paz de ser­vir qual­quer per­so­na­gem menos pre­vi­sí­vel. Já fez mui­ta te­le­vi­são ame­ri­ca­na, em iní­cio de car­rei­ra au­di­o­vi­su­al. Já so­bre­vi­veu com no­bre­za aos fil­mes do 007 e de to­dos aque­les efei­tos especiais. Já tra­ba­lhou com Ro­man Po­lans­ki. E com Tim Bur­ton. Já fez de ma­ta­dor de­sa­jei­ta­do e, ao la­do de Meryl Stre­ep, de na­mo­ra­do es­pe­ran­ço­so can­tan­do ABBA nu­ma ilha gre­ga. Mas, es­ta se­ma­na, o ir­lan­dês de olhos ver­de-es­me­ral­da está de vol­ta pa­ra fa­lar da sua ilha e das cor­ren­tes po­lí­ti­cas que a fa­zem san­grar. No no­vo O Es­tran­gei­ro apre­sen­ta-nos uma figura per­tur­ban­te que pa­re­ce ter um pé no ter­ro­ris­mo e o ou­tro na vida ci­vil mais ins­ti­tu­ci­o­nal. Con­tra­ce­na com Jackie Chan mas, co­mo se­ria de es­pe­rar, a fleu­ma aces­sí­vel vem to­da de­le. Com Bros­nan, as es­tre­las pa­re­cem es­tar à mão de se­me­ar. Tu­do é cal­mo e pro­fun­do, in­ter­rom­pi­do por uma gran­de presença fí­si­ca e pelo humor exis­ten­ci­al que os ir­lan­de­ses sem­pre sou­be­ram ex­por sem pi­e­da­de. A di­men­são de­le é sem­pre hu­ma­na. A au­ra é co­los­sal.

Qual foi, desde sem­pre, a sua re­la­ção com o cinema? Onde cres­ceu, na pro­vín­cia ir­lan­de­sa, ha­via ci­ne­mas?

Cres­ci nas mar­gens do rio Boy­ne, no sul da Ir­lan­da. Já en­tão sen­tia uma gran­de li­ga­ção com o cinema ame­ri­ca­no, tal­vez de­vi­do às his­tó­ri­as de cow­boys e ín­di­os. Ci­ne­mas, ha­via dois. Um de­les era o Pa­la­ce. O ou­tro era o Ly­ric. Era ne­les que se fa­zia o meu con­su­mo re­gu­lar de cinema. O pri­mei­ro filme que vi, se va­mos a fa­lar da gran­de di­men­são que o cinema po­de ter, foi o The De­fi­ant Ones. Um épi­co da­que­les bem gran­des, tal­vez de­ma­si­a­do gran­de pa­ra o miú­do co­mo eu. De res­to, a mi­nha vida era fei­ta num ambiente pro­te­tor e re­ser­va­do, pró­prio da edu­ca­ção ca­tó­li­ca que se ad­mi­nis­tra­va na­que­le tem­po.

O conflito en­tre a co­roa bri­tâ­ni­ca e o mo­vi­men­to in­de­pen­den­tis­ta ir­lan­dês, co­man­da­do pelo IRA, traz pa­ra a con­ver­sa idei­as de per­ten­ça, terra, pa­tri­o­tis­mo. Que re­la­ção tem com o lu­gar da pá­tria, com o ter­re­no que foi vi­vi­do e pro­te­gi­do pe­los nos­sos an­te­pas­sa­dos? Se­ria ca­paz de en­trar em conflito pa­ra pro­te­ger a sua terra?

Não há na­da que eu gos­te mais que a terra. Sen­tir um pe­da­ço de ter­re- no de­bai­xo dos pés, uma subs­tân­cia po­ei­ren­ta e gra­nu­la­da, é sem­pre um in­dí­cio de se­gu­ran­ça e es­ta­bi­li­da­de. Tal­vez te­nha a ver com o meu san­gue ir­lan­dês mas, re­al­men­te, o lu­gar e a terra são de gran­de sig­ni­fi­ca­do pa­ra mim. Jul­go que é as­sim com qual­quer pes­soa. A terra é o sí­tio de onde nos bro­ta o tra­ba­lho, a pro­du­ção, a cri­a­ção. E é da terra que nos sur­gem os so­nhos. Não há na­da que se com­pa­re a um pe­da­ço de ter­re­no no qual o in­di­ví­duo po­de er­guer a sua obra. A mi­nha es­po­sa, Ke­ely, e eu te­mos uma pe­que­na fa­zen­da no Hawaii, na ilha de Kawaii. Há 15 anos que an­da­mos pa­ra lá a cons­truir, a fa­zer, a as­sen­tar to­da uma vida. Tem si­do uma fonte de gran­de alegria ao lon­go des­te tem­po to­do.

«Já en­tão, [du­ran­te a in­fân­cia na Ir­lan­da] sen­tia uma gran­de li­ga­ção com o cinema nor­te-ame­ri­ca­no»

Pen­sei que mo­ra­va em Ma­li­bu…

Ti­ve, em tem­pos, uma propriedade em Ma­li­bu que fi­ca­va na gar­gan­ta de um ‘canyon’, na par­te mais re­ti­ra­da. Até que, um dia, olhas pe­la

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