Rit­mo do PIB no fi­nal de 2017 me­lho­ra ex­pec­ta­ti­vas pa­ra 2018

Portugal vol­tou no quar­to tri­mes­tre do ano pas­sa­do a cres­cer mais do que a zo­na eu­ro, de­pois de um in­ter­reg­no de dois tri­mes­tres, su­pe­ran­do as ex­pec­ta­ti­vas de to­dos, Go­ver­no in­cluí­do. Se­rá es­te o rit­mo a se­guir du­ran­te es­te ano?

Edição Público Lisboa - - ECONOMIA - Eco­no­mia Sér­gio Aní­bal

De­pois de dois tri­mes­tres de cres­ci­men­to mais mo­de­ra­do, a eco­no­mia por­tu­gue­sa vol­tou, nos úl­ti­mos três meses de 2017, a apre­sen­tar um rit­mo ele­va­do que, não só per­mi­tiu que as es­ti­ma­ti­vas do Go­ver­no pa­ra o ano pas­sa­do fos­sem su­pe­ra­das, co­mo cria a ex­pec­ta­ti­va de que os re­sul­ta­dos des­te ano pos­sam vir a ser mais fa­vo­rá­veis do que o es­pe­ra­do.

De acor­do com os da­dos re­la­ti­vos ao quar­to tri­mes­tre de 2017 di­vul­ga­dos on­tem pelo Ins­ti­tu­to Na­ci­o­nal de Es­ta­tís­ti­ca (INE), o PIB por­tu­guês cres­ceu 0,7% fa­ce ao tri­mes­tre ime­di­a­ta­men­te an­te­ri­or. Es­te rit­mo de cres­ci­men­to su­pe­ra os 0,3% e os 0,5% que ti­nham si­do atin­gi­dos no se­gun­do e ter­cei­ro tri­mes­tres de 2017, res­pec­ti­va­men­te, re­gres­san­do o país a va­lo­res mais pró­xi­mos do que se ti­nham ve­ri­fi­ca­do na se­gun­da me­ta­de 2016 e no ar­ran­que de 2107, quan­do a eco­no­mia en­trou nu­ma fa­se de for­te ace­le­ra­ção.

O re­sul­ta­do fi­cou aci­ma das ex­pec­ta­ti­vas, não só de en­ti­da­des co­mo a Co­mis­são Eu­ro­peia e o Fun­do Mo­ne­tá­rio In­ter­na­ci­o­nal, mas tam­bém do pró­prio Go­ver­no, que pre­vi­am pa­ra o to­tal de 2017 um cres­ci­men­to de 2,6%. Afi­nal, com a ace­le­ra­ção dos meses fi­nais, a eco­no­mia cres­ceu um pou­co mais em 2017: 2,7%, o me­lhor re­sul­ta­do des­de o ano 2000.

Quan­do se com­pa­ra os da­dos do quar­to tri­mes­tre de 2017 com o mes­mo pe­río­do do ano an­te­ri­or, a va­ri­a­ção do pro­du­to in­ter­no bru­to (PIB) é de 2,4% um re­sul­ta­do que fi­ca li­gei­ra­men­te abai­xo dos 2,5% do ter­cei­ro tri­mes­tre e que se ex­pli­ca pelo fac­to de no fi­nal de 2016 se ter as­sis­ti­do a uma ace­le­ra­ção ain­da mais for­te que a ac­tu­al.

Pa­ra o fu­tu­ro, a no­va ace­le­ra­ção da eco­no­mia dá, no meio de uma con­jun­tu­ra eco­nó­mi­ca com di­ver­sos ris­cos, al­guns mo­ti­vos pa­ra op­ti-

Não só cons­ti­tui o mai­or cres­ci­men­to re­al des­te sé­cu­lo, co­mo ain­da re­co­lo­ca o país em con­ver­gên­cia re­al com a Eu­ro­pa

mis­mo. O fac­to de Portugal ter con­se­gui­do pas­sar de um cres­ci­men­to de 0,3% no se­gun­do tri­mes­tre pa­ra 0,5% no ter­cei­ro e pa­ra 0,7% no quar­to faz ele­var as ex­pec­ta­ti­vas em re­la­ção a qual po­de ser, a par­tir de ago­ra, o com­por­ta­men­to da eco­no­mia por­tu­gue­sa.

Quan­do apre­sen­tou o Or­ça­men­to do Es­ta­do pa­ra 2018 em Ou­tu­bro, o Go­ver­no as­su­miu que, de­pois de um cres­ci­men­to de 2,6% em 2017, a eco­no­mia iria abran­dar pa­ra 2,2% no ano se­guin­te. A Co­mis­são Eu­ro­peia, por exem­plo, era ain­da um pou­co mais pes­si­mis­ta, pro­jec­tan­do uma va­ri­a­ção do PIB de 2,1% em 2018.

Nes­tes dois ca­sos, aqui­lo que se An­tó­nio Cos­ta Pri­mei­ro-mi­nis­tro es­ta­va a as­su­mir com es­tas ex­pec­ta­ti­vas eram ta­xas de cres­ci­men­to tri­mes­trais ao lon­go do ano de 2018 em tor­no de 0,5%.

Pelo con­trá­rio, se a eco­no­mia por­tu­gue­sa con­se­guis­se re­pli­car nos qua­tro tri­mes­tres de 2018 o mes­mo rit­mo de cres­ci­men­to re­gis­ta­do no fi­nal de 2017 (0,7%), a ta­xa de cres­ci­men­to anu­al po­de­ria si­tu­ar-se nos 2,6%, is­to é, apro­xi­man­do-se do ní­vel atin­gi­do no ano pas­sa­do.

A diferença en­tre um rit­mo mais mo­de­ra­do co­mo o re­gis­ta­do no ter­cei­ro tri­mes­tre e um rit­mo mais ace­le­ra­do co­mo o do quar­to é tam­bém a diferença en­tre Portugal con­se­guir ou não ga­ran­tir o re­gres­so da con­ver­gên­cia fa­ce aos par­cei­ros da zo­na eu­ro.

Portugal zo­na eu­ro

Os re­sul­ta­dos ago­ra co­nhe­ci­dos em Portugal e tam­bém no res­to da União Eu­ro­peia, con­fir­ma­ram que a eco­no­mia por­tu­gue­sa con­se­guiu no to­tal de 2017 apre­sen­tar uma ta­xa de cres­ci­men­to su­pe­ri­or à da mé­dia da zo­na eu­ro: 2,7% fa­ce a 2,5%. Des­de o ano 2000 até ago­ra, a úni­ca vez que Portugal ti­nha con­se­gui­do um de­sem­pe­nho eco­nó­mi­co su­pe­ri­or ao dos seus par­cei­ros eu­ro­peus ti­nha si­do em 2009, quan­do o PIB caiu 3%, um va­lor mes­mo as­sim me­nos ne­ga­ti­vo do que a que­da de 4,5% da zo­na eu­ro.

No en­tan­to, quan­do se olha pa­ra as ta­xas de cres­ci­men­to tri­mes­trais, tor­na-se evi­den­te que es­ta con­ver­gên­cia es­tá lon­ge de es­tar as­se­gu­ra­da.

Se no pri­mei­ro tri­mes­tre do ano, a eco­no­mia por­tu­gue­sa cres­ceu 0,9% e a da zo­na eu­ro 0,6%, nos dois tri­mes­tres se­guin­tes, Portugal não con­se­guiu acom­pa­nhar a ace­le­ra­ção eu­ro­peia: na zo­na eu­ro a eco­no­mia cres­ceu 0,7% nos dois tri­mes­tres e a por­tu­gue­sa 0,3% e 0,5%, fa­zen­do an­te­ci­par que a con­ver­gên­cia por­tu­gue­sa ti­nha si­do um fe­nó­me­no de cur­ta du­ra­ção.

No quar­to tri­mes­tre, con­tu­do,

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