OE tem 180 mi­lhões pa­ra ace­le­rar entradas na re­for­ma

Fim de cor­te em pen­sões an­te­ci­pa­das be­ne­fi­cia 44 mil pes­so­as Cri­a­da no­va pres­ta­ção pa­ra de­sem­pre­ga­dos com mais de 52 anos Rei­to­res ques­ti­o­nam re­du­ção de pro­pi­nas

Edição Público Lisboa - - FRONT PAGE - Raquel Mar­tins raquel.mar­tins@pu­bli­co.pt

A eli­mi­na­ção do cor­te do fac­tor de sus­ten­ta­bi­li­da­de nas pen­sões an­te­ci­pa­das já em 2019, uma me­di­da acor­da­da en­tre o Blo­co de Es­quer­da e o Go­ver­no no qua­dro do Or­ça­men­to do Es­ta­do pa­ra o pró­xi­mo ano, cus­ta­rá 182,6 mi­lhões de eu­ros e po­de­rá abran­ger um uni­ver­so po­ten­ci­al de 44.705 pen­si­o­nis­tas.

O fac­tor de sus­ten­ta­bi­li­da­de (que ago­ra implica uma re­du­ção de 14,5% no va­lor das pen­sões) apli­ca­do às pen­sões an­te­ci­pa­das é eli­mi­na­do de­fi­ni­ti­va­men­te em du­as fa­ses. Em Ja­nei­ro, dei­xa de se apli­car às pen­sões an­te­ci­pa­das pe­di­das por quem tem 63 ou mais anos e que aos 60 anos de ida­de ti­nha 40 anos de des­con­tos. Em Ou­tu­bro de 2019, es­se cor­te é eli­mi­na­do pa­ra to­das as pen­sões an­te­ci­pa­das pe­di­das por quem, aos 60 anos de ida­de, te­nha 40 anos de des­con­tos.

Es­tas pen­sões ape­nas te­rão o cor­te por an­te­ci­pa­ção de 6% por ca­da ano que fal­te pa­ra a ida­de le­gal, aca­ban­do a du­pla pe­na­li­za­ção.

O PCP já ti­nha acor­da­do com o Go­ver­no o fim do fac­tor de sus­ten­ta­bi­li­da­de em to­das as re­for­mas an­te­ci­pa­das, mas a me­di­da de­ve­ria en­trar em vi­gor em 2019 e em 2020. Nas negociações com o Blo­co fi­cou garantida a en­tra­da em vi­gor do no­vo re­gi­me em 2019.

Na úl­ti­ma quin­ta-fei­ra, os co­mu­nis­tas fa­la­ram num “com­pro­mis­so po­lí­ti­co” do Go­ver­no pa­ra avan­çar com a se­gun­da fa­se já a par­tir de Ja­nei­ro de 2019 e que a eli­mi­na­ção do fac­tor de sus­ten­ta­bi­li­da­de pa­ra os tra­ba­lha­do­res que se re­for­mem aos 60 anos che­ga­ria um ano de­pois, em Ja­nei­ro de 2020.

“Fi­cou de­fi­ni­do o fim da pe­na­li­za­ção pe­lo fac­tor de sus­ten­ta­bi­li­da­de em du­as fa­ses, já em Ja­nei­ro pa­ra quem tem 63 anos de ida­de e, a par­tir de Ja­nei­ro de 2020, pa­ra quem te­nha mais de 60 anos de ida­de”, anun­ci­ou na al­tu­ra o lí­der par­la­men­tar do PCP, João Oli­vei­ra.

On­tem, Ma­ri­a­na Mor­tá­gua não per­deu a opor­tu­ni­da­de pa­ra en­vi­ar uma far­pa aos par­cei­ros da co­li­ga­ção que ga­ran­te o apoio par­la­men­tar ao Go­ver­no. “A se­gun­da fa­se irá ini­ci­ar-se em Ja­nei­ro e a ter­cei­ra em Ou­tu­bro, e não ape­nas em Ja­nei­ro de 2020 co­mo cir­cu­lou re­cen­te­men­te”, su­bli­nhou, ci­ta­da pe­la Lu­sa.

“Pa­ra nós era fun­da­men­tal que entrasse em vi­gor ao lon­go da le­gis­la­tu­ra. Sem­pre dis­se­mos que não fa­zia sen­ti­do es­tar a adi­ar a re­vi­são pa­ra fo­ra da le­gis­la­tu­ra”, jus­ti­fi­cou ao PÚ­BLI­CO o de­pu­ta­do do Blo­co Jo­sé So­ei­ro.

Ida­de pes­so­al da re­for­ma

A re­vi­são do re­gi­me de fle­xi­bi­li­za­ção da ida­de da re­for­ma pre­vê tam­bém a de­fi­ni­ção de uma “ida­de per­so­na­li­za­da da re­for­ma” que va­ria em fun­ção da car­rei­ra con­tri­bu­ti­va, em li­nha com aqui­lo que em 2017 já ti­nha si­do dis­cu­ti­do com os par­cei­ros so­ci­ais e que nun­ca che­gou a avan­çar.

Is­to sig­ni­fi­ca que a ida­de da re­for­ma dei­xa­rá de ser a mes­ma in­de­pen­den­te­men­te dos des­con­tos (em 2019, pre­vê-se que se­ja 66 anos e cin­co me­ses) e pas­sa­rá a ser re­du­zi­da em fun­ção da car­rei­ra con­tri­bu­ti­va. Is­to é im­por­tan­te, por­que per­mi­te re­du­zir o cor­te de an­te­ci­pa­ção (6% por ca­da ano que fal­te pa­ra a ida­de le­gal) e va­lo­ri­zar as car­rei­ras con­tri­bu­ti­vas mais lon­gas — por exem­plo, um tra­ba­lha­dor que em 2018 tem 43 anos de con­tri­bui­ções tem co­mo ida­de le­gal de re­for­ma (com di­rei­to a re­ce­ber a to­ta­li­da­de da pen­são) os 65 anos e oi­to me­ses. Com as mu­dan­ças que o Go­ver­no se com­pro­me­te a fa­zer, a ida­de le­gal pas­sa a ser de 65 anos, ten­do uma re­du­ção de oi­to me­ses.

De acor­do com as con­tas fei­tas pe­lo Go­ver­no e pe­lo Blo­co, es­tas me­di­das te­rão um cus­to de 182,6 mi­lhões de eu­ros: 66,6 mi­lhões di­zem res­pei­to às al­te­ra­ções que en­tram em vi­gor em Ja­nei­ro e 116 mi­lhões com as mu­dan­ças que se

As pen­sões só pas­sa­rão a ter o cor­te por an­te­ci­pa­ção de 6% por ca­da ano que fal­te pa­ra a ida­de le­gal

apli­cam a par­tir de 1 de Ou­tu­bro. Nes­te úl­ti­mo ca­so, o im­pac­to vai es­ten­der-se ain­da a 2020.

Uma despenalização gra­du­al

A pri­mei­ra vez que o Go­ver­no me­xeu nas re­for­mas an­te­ci­pa­das dos tra­ba­lha­do­res com lon­gas car­rei­ras con­tri­bu­ti­vas foi em Ou­tu­bro de 2017, com a en­tra­da em vi­gor do fim dos cor­tes (fac­tor de sus­ten­ta­bi­li­da­de e re­du­ção de 0,5%) pa­ra quem tem pe­lo me­nos 60 anos de ida­de e 48 anos de car­rei­ra con­tri­bu­ti­va ou que te­nha co­me­ça­do a tra­ba­lhar com 14 anos (ou an­tes) e reú­na 46 anos de con­tri­bui­ções.

Num do­cu­men­to dis­cu­ti­do na Con­cer­ta­ção So­ci­al em 2017, o Go­ver­no pre­via que a se­gun­da fa­se do no­vo re­gi­me das re­for­mas an­te­ci­pa­das entrasse em vi­gor a par­tir de 1 de Ja­nei­ro de 2018, eli­mi­nan­do o fac­tor de sus­ten­ta­bi­li­da­de pa­ra os fu­tu­ros pen­si­o­nis­tas com 63 ou mais anos que reú­nem a con­di­ção de aos 60 anos te­rem, pe­lo me­nos, 40 de car­rei­ra con­tri­bu­ti­va. Es­ta se­gun­da fa­se abran­ge­ria, nas con­tas en­tão apre­sen­ta­das, 31.655 pes­so­as e cus­ta­ria 139 mi­lhões de eu­ros.

A ter­cei­ra fa­se era pa­ra apli­car a par­tir de 1 de Ja­nei­ro de 2019 aos pen­si­o­nis­tas en­tre os 60 e os 62 anos que, aos 62 anos, acu­mu­la­ram 40 de des­con­tos. Nes­ta si­tu­a­ção es­ta­ri­am mais de 50 mil po­ten­ci­ais be­ne­fi­ciá­ri­os de re­for­mas an­te­ci­pa­das, o que te­ria um im­pac­to anu­al de 263,4 mi­lhões de eu­ros nos co­fres da Se­gu­ran­ça So­ci­al.

A se­gun­da e ter­cei­ra fa­ses não che­ga­ram a avan­çar e, já em 2018, o Go­ver­no apro­vou uma so­lu­ção in­ter­mé­dia, abo­lin­do os cor­tes pa­ra quem tem 46 anos de con­tri­bui­ções e te­nha co­me­ça­do a tra­ba­lhar aos 16 anos. Es­ta me­di­da es­tá em vi­gor des­de 1 de Ou­tu­bro.

FER­NAN­DO VE­LU­DO/NFACTOS

Me­di­da acor­da­da pe­lo Go­ver­no pri­mei­ro com o PCP e de­pois com o Blo­co de Es­quer­da abran­ge 44 mil pes­so­as

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