So­ci­ais-de­mo­cra­tas re­jei­tam subs­ti­tui­ção dos elei­tos pe­lo mes­mo gé­ne­ro

Man­ter a quo­ta de 33% nas lis­tas com me­nos de no­ve can­di­da­tos é ou­tra das al­te­ra­ções apre­sen­ta­das pe­lo PSD

Edição Público Porto - - POLÍTICA - São Jo­sé Al­mei­da sao.jo­se.al­mei­da@pu­bli­co.pt

A re­jei­ção da nor­ma da pro­pos­ta do Go­ver­no que al­te­ra a lei da pa­ri­da­de nas lis­tas elei­to­rais, im­pon­do a obri­ga­to­ri­e­da­de de um elei­to, quan­do ab­di­ca do man­da­to, ser subs­ti­tuí­do por al­guém do mes­mo gé­ne­ro é re­jei­ta­da pe­lo PSD nas pro­pos­tas de al­te­ra­ção na es­pe­ci­a­li­da­de que o par­ti­do en­tre­gou on­tem na Co­mis­são dos As­sun­tos Cons­ti­tu­ci­o­nais.

“Eli­mi­ná­mos a subs­ti­tui­ção di­rec­ta de um elei­to por al­guém do mes­mo gé­ne­ro, uma mu­lher por uma mu­lher e um ho­mem por um ho­mem”, ex­pli­cou ao PÚ­BLI­CO a de­pu­ta­da do PSD San­dra Pe­rei­ra. “Te­mos dú­vi­das so­bre a cons­ti­tu­ci­o­na­li­da­de des­ta dis­po­si­ção na pro­pos­ta de lei do Go­ver­no”, pre­ci­sou a de­pu­ta­da, es­cla­re­cen­do que o PSD con­si­de­ra que ela “põe em cau­sa a con­ver­ti­bi­li­da­de de vo­tos em man­da­tos de acor­do com a for­ma co­mo ela es­tá cons­ti­tu­ci­o­nal­men­te pre­vis­ta”.

San­dra Pe­rei­ra ad­ver­te mes­mo pa­ra o fac­to de que com “es­ta obri­ga­to­ri­e­da­de de subs­ti­tui­ção por al­guém do mes­mo gé­ne­ro”, pre­vis­ta pe­lo Go­ver­no, “em te­o­ria, um pre­si­den­te da câ­ma­ra po­de­ria vir a ser subs­ti­tuí­do por al­guém que nem se­quer ti­ves­se si­do elei­to”, o que o PSD con­si­de­ra que “não é le­gí­ti­mo”.

Quan­to à obri­ga­to­ri­e­da­de pre­vis­ta pe­lo Go­ver­no na sua pro­pos­ta de lei de que os dois pri­mei­ros can­di­da­tos de ca­da lis­ta te­rem de ser um de ca­da gé­ne­ro, o PSD con­si­de­ra que “es­ta im­po­si­ção res­trin­ge a mar­gem de li­ber­da­de dos par­ti­dos em re­la­ção às es­co­lhas dos per­fis que con­si­de­ram ide­ais pa­ra os car­gos a que apre­sen­tam can­di­da­tos”.

Já em re­la­ção ao no­vo li­mi­ar mí­ni­mo de re­pre­sen­ta­ção por gé­ne­ro nas lis­tas elei­to­rais que o Go­ver­no pre­vê ago­ra que su­ba de 33% pa­ra 40%, a de­pu­ta­da San­dra Pe­rei­ra ex­pli­ca que o PSD con­si­de­ra que, “quan­do obri­ga a 40% de re­pre­sen­ta­ção mí­ni­ma de um gé­ne­ro, a pro­pos­ta de lei es­tá, de for­ma en­ca­po­ta­da, a obri­gar a 50% nos ca­sos dos cír­cu­los elei­to-

San­dra Pe­rei­ra De­pu­ta­da do PSD

rais com me­nos can­di­da­tos”.

A ques­tão, se­gun­do a de­pu­ta­da, co­lo­ca-se em al­guns cír­cu­los elei­to­rais nas elei­ções le­gis­la­ti­vas, mas so­bre­tu­do em re­la­ção às au­tár­qui­cas. “Nas lis­tas pa­ra as au­tár­qui­cas, mas tam­bém nas le­gis­la­ti­vas em re­la­ção a al­guns cír­cu­los, is­so acon­te­ce a par­tir do li­mi­te abai­xo dos no­ve can­di­da­tos”, afir­ma San­dra Pe­rei­ra. Daí que o PSD quei­ra “fa­zer uma di­fe­ren­ci­a­ção pa­ra as lis­tas com me­nos de no­ve can­di­da­tos pa­ra que nes­tes ca­sos se man­te­nha o cri­té­rio ac­tu­al de 33%”.

Há uma ou­tra al­te­ra­ção subs­tan­ci­al à ac­tu­al lei pro­pos­ta pe­lo Go­ver­no em que o PSD não me­xe: a in­tro­du­ção da não acei­ta­ção pe­lo Tri­bu­nal Cons­ti­tu­ci­o­nal das lis­tas elei­to­rais que não cum­pram a lei. Ac­tu­al­men­te, a pe­na­li­za­ção é a per­da da sub­ven­ção pú­bli­ca, de­pois de em 2006 o en­tão Pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca, Ca­va­co Sil­va, ter ve­ta­do a lei pre­ci­sa­men­te por não con­cor­dar com a re­jei­ção da lis­ta.

Eli­mi­ná­mos a subs­ti­tui­ção di­rec­ta de um elei­to por al­guém do mes­mo gé­ne­ro, uma mu­lher por uma mu­lher, um ho­mem por ou­tro ho­mem

CDS só em 2020

O CDS foi o pri­mei­ro par­ti­do a apre­sen­tar al­te­ra­ções à pro­pos­ta de lei. No que se re­fe­re às san­ções, man­tém o ac­tu­al re­gi­me, mas uma das al­te­ra­ções re­le­van­tes à pro­pos­ta do Go­ver­no é em re­la­ção à da­ta de en­tra­da em vi­gor da lei, que o CDS apon­ta pa­ra 1 de Ja­nei­ro de 2020. O ob­jec­ti­vo é que se “com­ple­te o ac­tu­al ci­clo elei­to­ral”, ex­pli­cou o lí­der da ban­ca­da, Nu­no Ma­ga­lhães, ao PÚ­BLI­CO.

Ou­tra al­te­ra­ção de re­le­vo é a re­jei­ção do li­mi­ar mí­ni­mo de 40% de re­pre­sen­ta­ção por se­xo as­so­ci­a­da à da re­gra de um re­pre­sen­tan­te de ca­da gé­ne­ro nos dois pri­mei­ros lu­ga­res de ca­da lis­ta. Em al­ter­na­ti­va, o CDS pro­põe 50% nos pri­mei­ros qua­tro lu­ga­res, sem obri­ga­to­ri­e­da­de de or­de­na­ção des­tes, ou se­ja, po­den­do ser “du­as mu­lhe­res se­gui­das de dois ho­mens”, su­bli­nha Nu­no Ma­ga­lhães.

Os cen­tris­tas pro­põem ain­da que as fre­gue­si­as com me­nos de dez mil elei­to­res fi­quem ex­cluí­das da apli­ca­ção da lei, “por­que nas pe­que­nas fre­gue­si­as é im­pos­sí­vel cum­prir es­te cri­té­rio”. Ex­clu­em da apli­ca­ção da lei tam­bém as me­sas das jun­tas de fre­gue­sia e a pró­pria Me­sa da As­sem­bleia da Re­pú­bli­ca.

MI­GUEL MANSO

PSD e CDS pro­pu­se­ram al­te­ra­ções à lei da pa­ri­da­de

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