Edição Público Lisboa

O PSD e a fá­bu­la da le­bre e da tar­ta­ru­ga

- Ma­nu­el Car­va­lho ma­nu­el.car­va­lho@pu­bli­co.pt Politics · Social Democratic Party · António Costa

Ame­nos de um ano de­pois das úl­ti­mas le­gis­la­ti­vas, o sis­te­ma po­lí­ti­co e par­ti­dá­rio es­tá tão fre­né­ti­co que até pa­re­ce que va­mos ser cha­ma­dos a vo­tos pa­ra ele­ger um no­vo Go­ver­no no pra­zo de se­ma­nas. To­do o país po­lí­ti­co? Não, há uma ilha de paz e sos­se­go on­de na­da dis­to pa­re­ce acon­te­cer: é o PSD de Rui Rio. Co­nhe­ce-se a pro­pos­ta do Or­ça­men­to? Sim, mas pa­ra já não é mo­men­to de se anun­ci­ar o sen­ti­do de vo­to. Há uma vo­ta­ção so­bre o referendo à eu­ta­ná­sia à por­ta? Sim, mas o PSD di­rá só na vés­pe­ra co­mo vai vo­tar. Há uma pro­pos­ta de lei po­lé­mi­ca que pro­põe, em ca­sos de­ter­mi­na­dos, a ins­ta­la­ção obri­ga­tó­ria da apli­ca­ção StayAway Co­vid? Pois, mas o PSD diz ape­nas que de­fen­de qua­tro me­ses de uso obri­ga­tó­rio de más­ca­ras. Há ruí­do e pro­tes­to com a subs­ti­tui­ção do pre­si­den­te do Tri­bu­nal de Contas? Sim, há, mas o PSD não o ali­men­ta e en­tra no jo­go do Go­ver­no pro­nun­ci­an­do-se so­bre a fi­gu­ra que lhe vai su­ce­der.

Há um la­do bom nes­ta ati­tu­de que le­va o PSD a as­so­bi­ar pa­ra o la­do, a aca­tar so­bras do poder em ne­go­ci­a­ções co­mo a das pre­si­dên­ci­as das CCDR, a ab­di­car do mai­or pal­co pa­ra con­fron­tar o

Go­ver­no que eram os de­ba­tes se­ma­nais, a as­su­mir o “nim” co­mo po­se de Es­ta­do, a dei­xar que ter­cei­ros as­su­mam as van­ta­gens e os ónus de um debate exal­ta­do: o de tem­pe­rar o cli­ma po­lí­ti­co. Num tem­po de ga­tos as­sa­nha­dos, o PSD de Rui Rio faz de Gar­fi­eld. A op­ção pe­la su­bal­ter­ni­da­de não tem mos­tra­do gran­des ga­nhos nas son­da­gens, não aca­bou com o tu­mul­to in­ter­no, não tem per­mi­ti­do a Rui Rio afir­mar-se co­mo do­no de uma pro­pos­ta po­lí­ti­ca al­ter­na­ti­va. Mas tam­bém tem evi­ta­do que se des­gas­te.

E is­to acon­te­ce não por fal­ta de jei­to ou por in­com­pe­tên­cia. Pe­lo con­trá­rio: Rui Rio é co­nhe­ci­do pe­la sua fri­e­za e por uma pro­ver­bi­al ca­pa­ci­da­de de jo­gar no tem­po lon­go. Ele sa­be que o

Go­ver­no de An­tó­nio Cos­ta es­tá a ser des­gas­ta­do pe­la mais ter­rí­vel cri­se que o país en­fren­ta em mui­tas dé­ca­das. E, acre­di­ta, man­ter-se dis­cre­to, co­la­bo­ran­te e in­di­fe­ren­te à guer­ri­lha po­lí­ti­ca que so­be de tom é a me­lhor for­ma de es­pe­rar que o poder lhe caia nas mãos. De­si­lu­dam-se por is­so os que vêem na ati­tu­de de Rio e do PSD uma inap­ti­dão pa­ra ca­val­gar os tem­pos de ins­ta­bi­li­da­de e as cres­cen­tes fra­gi­li­da­des do Go­ver­no. Se há al­go que ele pro­vou, é que não po­de ser su­bes­ti­ma­do nas su­as ca­pa­ci­da­des de ler a po­lí­ti­ca a pra­zo. Na fá­bu­la da cor­ri­da en­tre a le­bre e a tar­ta­ru­ga, ele se­rá sem­pre uma tar­ta­ru­ga.

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As car­tas des­ti­na­das a es­ta sec­ção de­vem in­di­car o no­me e a mo­ra­da do au­tor, bem co­mo um nú­me­ro te­le­fó­ni­co de con­tac­to. O PÚ­BLI­CO re­ser­va-se o di­rei­to de se­lec­ci­o­nar e even­tu­al­men­te re­du­zir os tex­tos não so­li­ci­ta­dos e não pres­ta­rá in­for­ma­ção pos­tal so­bre eles.
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