Edição Público Lisboa

Por­tu­gal só por uma vez te­ve re­co­lher obri­ga­tó­rio. Foi há 45 anos

- Lu­ci­a­no Al­va­rez Portugal · European Union · Lisbon · Cabo Frio · Lisboa, Region

Ore­co­lher obri­ga­tó­rio já foi apli­ca­do, parcial ou to­tal­men­te, em vá­ri­os paí­ses do mun­do — e da União Eu­ro­peia — com a che­ga­da da pan­de­mia. Por­tu­gal vi­veu es­ta si­tu­a­ção em 1975, ape­nas na re­gião de Lis­boa, a 25 de No­vem­bro. Nes­sa al­tu­ra o país es­ta­va à bei­ra de uma guer­ra ci­vil, com con­fron­tos en­tre os mi­li­ta­res cha­ma­dos “mo­de­ra­dos” e os “re­vo­lu­ci­o­ná­ri­os”.

Não ha­via ain­da Cons­ti­tui­ção, que só se­ria vo­ta­da em 1976. Foi de­cla­ra­do o es­ta­do de sí­tio na re­gião de Lis­boa, e du­rou oi­to di­as. Es­sa si­tu­a­ção im­pli­ca­va o re­co­lher obri­ga­tó­rio à noi­te e só per­mi­tia a cir­cu­la­ção com um sal­vo-con­du­to, pas­sa­do pelos mi­li­ta­res. O es­ta­do de sí­tio e o re­co­lher obri­ga­tó­rio ter­mi­na­ram a 2 de De­zem­bro.

Mais re­cen­te­men­te, já em con­tex­to pan­dé­mi­co, o país en­trou nu­ma si­tu­a­ção pró­xi­ma do re­co­lher obri­ga­tó­rio. Du­ran­te a vi­gên­cia do es­ta­do de emer­gên­cia, en­tre Mar­ço e Maio, foi de­cre­ta­do o de­ver ge­ral de re­co­lhi­men­to pa­ra a po­pu­la­ção, o de­ver es­pe­ci­al de pro­tec­ção

(apli­ca­do a pes­so­as mai­o­res de 70 anos) e o de­ver de con­fi­na­men­to (pa­ra do­en­tes com co­vid-19). No pri­mei­ro ca­so, eram per­mi­ti­das des­lo­ca­ções pa­ra o tra­ba­lho, far­má­cia, su­per­mer­ca­do, pa­ra as­sis­tir pes­so­as vul­ne­rá­veis ou pe­que­nas des­lo­ca­ções pa­ra pra­ti­car ac­ti­vi­da­de fí­si­ca, sem li­mi­ta­ções ho­rá­ri­as.

Du­ran­te o cur­to pe­río­do da Pás­coa, fo­ram ain­da li­mi­ta­das as des­lo­ca­ções en­tre con­ce­lhos.

Mais re­cen­te­men­te, quan­do to­do o país es­ta­va já em si­tu­a­ção de aler­ta, a Área Me­tro­po­li­ta­na de Lis­boa re­gres­sou à si­tu­a­ção de ca­la­mi­da­de pú­bli­ca com res­tri­ções na cir­cu­la­ção. No Ve­rão, os ca­sos de con­tá­gio co­me­ça­ram a su­bir di­a­ri­a­men­te e a mai­or par­te con­cen­tra­va-se nes­ta re­gião.

Fo­ram adop­ta­das vá­ri­as me­di­das es­pe­ci­ais pa­ra con­ter o ví­rus em 19 fre­gue­si­as. En­tre elas es­ta­va o “de­ver cí­vi­co de re­co­lhi­men­to do­mi­ci­liá­rio”, o que im­pli­ca­va que as pes­so­as só de­ves­sem sair de ca­sa pa­ra ir tra­ba­lhar, ir às com­pras, pra­ti­car des­por­to ou pres­tar au­xí­lio a fa­mi­li­a­res.

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