Edição Público Lisboa

Res­pos­ta à pan­de­mia dá a Ja­cin­da Ar­dern e aos Tra­ba­lhis­tas o me­lhor re­sul­ta­do em 50 anos

Vi­tó­ria es­ma­ga­do­ra da pri­mei­ra-mi­nis­tra per­mi­te-lhe for­mar go­ver­no de par­ti­do úni­co, al­go que não acon­te­ce desde 1996

- No­va Ze­lân­dia So­fia Lo­re­na slo­re­na@pu­bli­co.pt Elections · Politics · Jacinda Ardern · Mary J. Blige · New Zealand · Nova · Auckland · National Party (South Africa) · World Health Organization · Johns Hopkins · New Zealand Labour Party · New Zealand First · Podemos

As son­da­gens fa­zi­am an­te­ver há me­ses uma vi­tó­ria bas­tan­te con­for­tá­vel, mas não pre­vi­am o re­sul­ta­do his­tó­ri­co ob­ti­do pe­la pri­mei­ra-mi­nis­tra, Ja­cin­da Ar­dern, nas elei­ções le­gis­la­ti­vas de on­tem na No­va Ze­lân­dia: Ar­dern e o Par­ti­do Tra­ba­lhis­ta, de cen­tro-es­quer­da, che­ga­ram per­to dos 50% dos vo­tos, o que lhes de­ve­rá per­mi­tir con­tro­lar 64 dos 120 lu­ga­res do Par­la­men­to. É o me­lhor re­sul­ta­do do par­ti­do em 50 anos e é tam­bém a pri­mei­ra mai­o­ria ab­so­lu­ta no país desde a re­for­ma do sis­te­ma elei­to­ral, em 1996.

“O re­sul­ta­do des­ta noi­te dá ao La­bour um man­da­to mui­to for­te e mui­to cla­ro”, dis­se Ar­dern, pe­ran­te apoi­an­tes reu­ni­dos em Auc­kland. A lí­der da opo­si­ção, Ju­dith Col­lins, há três me­ses na li­de­ran­ça do Par­ti­do Na­ci­o­nal (cen­tro-di­rei­ta), deu os pa­ra­béns à pri­mei­ra-mi­nis­tra pe­lo “re­sul­ta­do ex­tra­or­di­ná­rio”.

Ar­dern che­gou ao poder em 2017, com 37 anos aca­ba­dos de fa­zer, de­pois de uma cam­pa­nha em que sur­pre­en­deu pe­lo dis­cur­so pro­gres­sis­ta e por de­fen­der que fal­ta­va “amor” na po­lí­ti­ca. Na al­tu­ra, o Par­ti­do Na­ci­o­nal foi o mais vo­ta­do e

Ar­dern ne­go­ci­ou uma co­li­ga­ção com os po­pu­lis­tas do No­va Ze­lân­dia Pri­mei­ro (que ago­ra não ele­ge­ram nem o seu lí­der, Wins­ton Pe­ters) pa­ra con­se­guir go­ver­nar.

De­pres­sa se tor­nou po­pu­lar fo­ra do país, mas os ne­o­ze­lan­de­ses man­ti­nham-se cép­ti­cos so­bre as su­as ca­pa­ci­da­des — o Par­ti­do Na­ci­o­nal li­de­rou as in­ten­ções de vo­to até Fe­ve­rei­ro. De­pois apa­re­ceu uma pan­de­mia glo­bal e Ar­dern con­fir­mou que é na cri­se que faz a di­fe­ren­ça.

A es­tra­té­gia am­bi­ci­o­sa, que vi­sa­va não ter ca­sos e que des­cre­veu co­mo “agir ce­do e em for­ça”, foi mui­to elo­gi­a­da pe­la Or­ga­ni­za­ção Mun­di­al de Saú­de. O re­sul­ta­do es­tá à vis­ta: a No­va Ze­lân­dia, com 5 mi­lhões de ha­bi­tan­tes, re­gis­ta até ago­ra 25 mor­tos e pou­co mais de 1800 ca­sos de in­fec­ção por co­vid-19 (da­dos da uni­ver­si­da­de ame­ri­ca­na Johns Hop­kins).

Os ne­o­ze­lan­de­ses sen­tem-se se­gu­ros e pro­te­gi­dos quan­do olham pa­ra o res­to do mun­do, a pon­to de te­rem es­que­ci­do ( ou dei­xa­do de dar im­por­tân­cia) às pro­pos­tas gran­di­o­sas que Ar­dern fi­ze­ra e não pô­de cum­prir, co­mo ta­xar os lu­cros das gran­des em­pre­sas, um pro­gra­ma pa­ra cons­truir 100 mil ca­sas de ren­das aces­sí­veis ou o com­ba­te à po­bre­za in­fan­til. Ain­da as­sim, au­men­tou o sa­lá­rio mí­ni­mo e as li­cen­ças de ma­ter­ni­da­de.

Só que a popularida­de que ga­nhou com a res­pos­ta à emer­gên­cia sa­ni­tá­ria foi avas­sa­la­do­ra. “O coronavíru­s deu a Ar­dern uma tá­bua ra­sa”, dis­se à Al Ja­ze­e­ra Ben Tho­mas, co­men­ta­dor po­lí­ti­co. “Pô­de rei­ni­ci­ar a agen­da. Po­de­mos vê-la co­mo uma pri­mei­ra-mi­nis­tra que be­ne­fi­ci­ou com as crises, ou pen­sar que foi a No­va Ze­lân­dia que be­ne­fi­ci­ou de a ter co­mo pri­mei­ra-mi­nis­tra”.

Du­ran­te a cam­pa­nha, Ar­dern ten­tou mos­trar que a res­pos­ta cor­rec­ta é a segunda. E na re­ac­ção aos re­sul­ta­dos lem­brou que pas­sou a segunda me­ta­de do man­da­to a ge­rir a cri­se. “Es­pe­ro que es­ta elei­ção te­nha mos­tra­do que a No­va Ze­lân­dia é di­fe­ren­te. So­mos uma na­ção que sa­be ou­vir, que sa­be de­ba­ter. A ver­da­de é que so­mos de­ma­si­a­do pe­que­nos pa­ra per­der de vis­ta as pers­pec­ti­vas dos ou­tros. As elei­ções nem sem­pre fa­zem um gran­de tra­ba­lho em unir as pes­so­as. Mas tam­bém não pre­ci­sam de nos se­pa­rar”, afir­mou.

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