Edição Público Lisboa

Rhon­da Fle­ming (1923-2020): mor­reu a rainha do Te­ch­ni­co­lor

Com uma car­rei­ra só pos­sí­vel na era dou­ra­da de Hollywo­od, re­pre­sen­tou nos prin­ci­pais gé­ne­ros do ci­ne­ma dos anos 40 e 50

- Ci­ne­ma Luís Mi­guel Qu­ei­rós lm­quei­ros@pu­bli­co.pt Entertainment · Movies · Santa Monica · Hollywood · David O. Selznick · Alfred Hitchcock · Carl Linnaeus · Isle of Lewis · Charlton Heston · Ford Motor Company · Burt Lancaster · Kirk Douglas · Douglas Aircraft Corporation · Afonso I of Portugal · Como · Fritz Lang · Golden · Elizabeth Taylor · Elizabeth · Sophia Loren · Cleopatra VII of Egypt · Rhonda Fleming · Edwin L. Marin · John Wayne · Glenn Ford · Stewart Granger · Lancaster · John Sturges · Bing Crosby · Bob Hope · Robert Siodmak · Joseph Cotten · Allan Dwan · Dana Andrews · George Sanders · Sidney Salkow · Sterling Hayden · William Castle · Vivien Leigh · Claudette Colbert

Cha­ma­ram-lhe “rainha do Te­ch­ni­co­lor” e foi, de fac­to, o ci­ne­ma a co­res que a tor­nou uma es­tre­la. “De re­pen­te, os meus olhos ver­des eram ver­des, o meu ca­be­lo rui­vo fla­me­ja­va, a mi­nha pe­le era de por­ce­la­na bran­ca”, re­cor­da­va em 1990 Rhon­da Fle­ming, que mor­reu na quarta-feira, aos 97 anos, em San­ta Mo­ni­ca, na Ca­li­fór­nia. Um su­ces­so de cu­jo pe­sa­do pre­ço de­pres­sa se aper­ce­beu: “Su­bi­ta­men­te, só in­te­res­sa­va o meu as­pec­to e não os pa­péis que in­ter­pre­ta­va.”

Fle­ming, cu­jo ver­da­dei­ro no­me era Ma­rilyn Louis, nas­ceu em 1923 na ter­ra do ci­ne­ma, Hollywo­od, fi­lha de um agen­te de se­gu­ros e de uma ac­triz de te­a­tro e mo­de­lo de ori­gem su­e­ca. Des­co­ber­ta aos 17 anos por um fa­mo­so agen­te da época, Henry Wil­son, an­tes de fa­zer 20 anos já ti­nha con­tra­to as­si­na­do com o es­tú­dio de Da­vid O. Selz­nick. E des­con­ta­das umas pri­mei­ras apa­ri­ções ne­gli­gen­ciá­veis no gran­de ecrã, di­fif cil­men­te po­de­ria ter de­se­ja­do um co­me­ço mais aus­pi­ci­o­so pa­ra a sua car­rei­ra: em 1945, es­tre­ou-se no seu pri­mei­ro pa­pel se­cun­dá­rio re­le­van­te pe­la sá­bia mão de Al­fred Hit­ch­cock, em A Ca­sa En­can­ta­da, on­de re­pre­sen­tou uma do­en­te men­tal. Tan­to ela co­mo a sua mãe ha­ve­ri­am de fi­car bas­tan­te cho­ca­das, con­ta­rá Fle­ming mais tar­de, quan­do fo­ram ver ao di­ci­o­ná­rio o que sig­ni­fi­ca­va “nin­fo­ma­nía­ca”.

Um ano de­pois, con­se­guiu um pa­pel se­cun­dá­rio em Al­vo­ra­da de Fo­go, de Edwin L. Ma­rin, o pri­mei­ro dos seus wes­terns. Em 1950, Lewis R. Fos­ter, que veio a ser o seu mais re­cor­ren­te re­a­li­za­dor, já lhe deu o pa­pel fe­mi­ni­no prin­ci­pal em A Águia e o Fal­cão, pro­ta­go­ni­za­do por John Way­ne. Ao lon­go dos anos 50, con­tra­ce­nou com Charl­ton Hes­ton em Pony Ex­press, Glenn Ford em The Re­adhe­ad and the Cow­boy, Stewart Gran­ger em

A Ar­ma dum Bra­vo, e Burt Lan­cas­ter e Kirk Dou­glas no clás­si­co Du­e­lo de Fo­go, di­ri­gi­do por John Stur­ges.

Os fil­mes que mais a po­pu­la­ri­za­ram fo­ram pro­va­vel­men­te duas co­mé­di­as mu­si­cais dos anos 40: Na Cor­te do Rei Ar­tur, de Tay Gar­nett, com Bing Crosby, e O Gran­de Te­nó­rio, de Ale­xan­der Hall, com Bob Ho­pe. Mas foi no film noir que tra­ba­lhou com ci­ne­as­tas mais ta­len­to­sos. Em 1946, Ro­bert Si­od­mak deu-lhe lu­gar na sua adap­ta­ção do po­li­ci­al A Es­ca­da de Ca­ra­col, em 1947 tra­ba­lhou com Jac­ques Tour­neur num dos gran­des fil­mes ne­gros da história do ci­ne­ma, O Ar­re­pen­di­do, co­mo se­cre­tá­ria (pa­ra to­do o ser­vi­ço) de um con­ta­bi­lis­ta cor­rup­to. Co­mo in­tér­pre­te de va­ri­a­ções da per­so­na­gem-ti­po fe­mi­ni­na do film noir (be­la, es­pi­ri­tu­o­sa e pe­ri­go­sa), o ano mais in­ten­so foi, po­rém, 1956: Budd Bo­et­ti­cher pô-la a con­tra­ce­nar com Jo­seph Cot­ten em As­sas­si­no à Sol­ta, Al­lan Dwan deu-lhe o pa­pel prin­ci­pal em

Sligh­tly Scar­let, e Fritz Lang jun­tou-a a Da­na An­drews e Ge­or­ge San­ders em

Ci­da­de nas Tre­vas.

Tam­bém in­ter­pre­tou a sua quo­ta-par­te de fil­mes de aventuras mais ou me­nos ol­vi­dá­veis e nem se­quer lhe fal­tou uma in­cur­são nos fil­mes de pi­ra­tas: The Gol­den Hawk, de Sid­ney Sal­kow, com Ster­ling Hay­den. E com

A Ser­pen­te do Ni­lo (1953), de Wil­li­am Cas­tle, jun­tou-se a Eli­za­beth Tay­lor, Vi­vi­en Leigh, Sophia Lo­ren e Clau­det­te Col­bert no clube de ac­tri­zes que in­ter­pre­ta­ram a fi­gu­ra de Cleó­pa­tra.

Quan­do co­me­ça­ram a fal­tar opor­tu­ni­da­des no ci­ne­ma, de­di­cou-se à te­le­vi­são e aos es­pec­tá­cu­los mu­si­cais. Olhan­do pa­ra trás, re­su­miu um dia o seu per­cur­so nes­ta fra­se: “A mi­nha história foi um mui­to ra­ro e ma­ra­vi­lho­so con­to da Cin­de­re­la, que só po­de­ria ter acon­te­ci­do na era dos gran­des es­tú­di­os.”

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