FERNANDO ARAMBURU D. Qui­xo­te | 720 pá­gi­nas | 23,90 €

JN História - - Livros -

Não é es­te lo­cal ade­qua­do à crí­ti­ca li­te­rá­ria, tam­pou­co “Pá­tria”, de Fernando Ara­bu­ru, é o tí­pi­co ro­man­ce his­tó­ri­co cu­ja pre­sen­ça nes­tas pá­gi­nas se­rá mais na­tu­ral. Mas faz sen­ti­do as­si­na­lar o mo­nu­men­tal e pre­mi­a­do ro­man­ce, cu­ja ação se de­sen­ro­la a par­tir do ces­sar-fo­go de­cre­ta­do pe­la ETA no País Bas­co. Num tem­po em que, por for­ça da questão ca­ta­lã, os na­ci­o­na­lis­mos ibé­ri­cos ga­nha­ram lu­gar na or­dem do dia, a nar­ra­ti­va faz-nos vi­a­jar por três dé­ca­das de vi­vên­ci­as sob a ame­a­ça da vi­o­lên­cia (ter­ro­ris­mo, di­rão uns, con­fli­to bas­co, di­rão ou­tros...) e, so­bre­tu­do, pe­lo mo­do co­mo po­dem as vi­das e os re­la­ci­o­na­men­tos in­ter­pes­so­ais re­cons­truir-se (ou rein­ven­tar-se) com tan­tas fe­ri­das fun­das e aber­tas. A boa li­te­ra­tu­ra po­de­rá ser sem­pre um com­ple­men­to essencial da his­to­ri­o­gra­fia, que fri­a­men­te se de­bru­ça so­bre di­nâ­mi­cas, fac­tos, ques­tões es­tru­tu­rais, cau­sas e efei­tos. Por­que não ca­be à His­tó­ria des­cer à es­sên­cia da pre­sen­ça hu­ma­na no mun­do: as pes­so­as, elas mes­mas, no que têm de ín­ti­mo, de so­fre­dor, de re­den­tor. “Pá­tria”, a par de tu­do o que é en­quan­to ar­te, cum­pre es­se pa­pel.

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