Pe­tró­leo es­tá nos 80 dó­la­res. Po­de che­gar aos 100?

Jornal de Negócios - - PRIMEIRA PÁGINA - PA­TRÍ­CIA ABREU pa­breu@ne­go­ci­os.pt

A mai­o­ria dos ana­lis­tas acre­di­ta que as co­ta­ções da ma­té­ria-pri­ma vão con­ti­nu­ar a va­lo­ri­zar nos pró­xi­mos me­ses, su­por­ta­das pe­las ten­sões ge­o­po­lí­ti­cas e pe­la que­bra da ofer­ta. Mas há ris­cos que po­dem tra­var es­te mo­vi­men­to.

Des­de No­vem­bro de 2014 que o pe­tró­leo não ne­go­ci­a­va aci­ma dos 80 dó­la­res por bar­ril. Um no­vo pa­ta­mar su­pe­ra­do pe­la ma­té­ria-pri­ma, que re­cen­te­men­te ti­nha ul­tra­pas­sa­do a mar­ca dos 70 dó­la­res. E há mes­mo ana­lis­tas que an­te­ci­pam a su­bi­da até aos 100 dó­la­res nos pró­xi­mos me­ses. Mas tu­do vai de­pen­der de co­mo evo­lu­em as ten­sões ge­o­po­lí­ti­cas e se há cons­tran­gi­men­tos adi­ci­o­nais na pro­du­ção. 80,50 dó­la­res. Foi es­te o va­lor que o Brent to­cou, es­ta quin­ta-fei­ra, no mer­ca­do lon­dri­no. Tra­ta-se de um má­xi­mo de três anos e meio e que sur­ge no se­gui­men­to de re­no­va­dos re­cei­os ge­o­po­lí­ti­cos. No ca­so do cru­de, o bar­ril de WTI che­gou a su­bir um má­xi­mo de 1,13% pa­ra 72,30 dó­la­res, com as co­ta­ções da ma­té­ria-pri­ma a man­te­rem a ten­dên­cia de su­bi­da re­cen­te. De­pois de Do­nald Trump, o pre­si­den­te nor­te-ame­ri­ca­no, ter

con­fir­ma­do na úl­ti­ma se­ma­na que os EUA es­tão fo­ra do acor­do com o Irão, uma que­da das re­ser­vas de pe­tró­leo nos EUA e os re­cei­os de no­vas san­ções, des­ta vez à Ve­ne­zu­e­la, es­tão a au­men­tar as pre­o­cu­pa­ções em tor­no de cons­tran­gi­men­tos na ofer­ta. “Há re­cei­os de que, de­pois da saí­da dos EUA do acor­do nu­cle­ar com o Irão, o ter­cei­ro mai­or pro­du­tor da OPEP (Or­ga­ni­za­ção dos Paí­ses Ex­por­ta­do­res de Pe­tró­leo) te­nha que cor­tar as su­as ex­por­ta­ções a mé­dio pra­zo”, es­cre­ve o Com­merz­bank num co­men­tá­rio pu­bli­ca­do es­ta quin­ta-fei­ra. De acor­do com os cál­cu­los do Sa­xoBank, a rein­tro­du­ção das san­ções ao Irão de­ve­rá tra­du­zir-se nu­ma re­du­ção das ex­por­ta­ções ira­ni­a­nas de en­tre 300 e 500 mil bar­ris de pe­tró­leo por dia. A par dos cons­tran­gi­men­tos no Irão, a Ve­ne­zu­e­la es­tá a con­trair a sua pro­du­ção mais do que era es­pe­ra­do pe­lo mer­ca­do, sem que outro país da OPEP re­po­nha o seu cor­te na ofer­ta. Uma si­tu­a­ção que de­ve­rá man­ter-se, re­sul­tan­do nu­ma que­bra da ofer­ta glo­bal, al­go que já es­tá a re­flec­tir-se nas re­ser­vas. Se­gun­do os da­dos di­vul­ga­dos es­ta se­ma­na, as re­ser­vas de pe­tró­leo nos EUA re­cu­a­ram em 1,4 mi- lhões de bar­ris, pa­ra um to­tal de 423,34 mi­lhões de bar­ris, na úl­ti­ma se­ma­na. “Nos pró­xi­mos 18 me­ses, es­pe­ra­mos pres­são so­bre o equi­lí­brio glo­bal en­tre a ofer­ta e a pro­cu­ra de pe­tró­leo de­vi­do ao co­lap­so na pro­du­ção ve­ne­zu­e­la­na. Além dis­so, há ris­cos de que­da das ex­por­ta­ções ira­ni­a­nas”, de­fen­de o Bank ofA­me­ri­ca, nu­ma no­ta on­de ad­mi­te que a ma­té­ria-pri­ma pos­sa su­pe­rar a bar­rei­ra dos 100 dó­la­res, em 2019, de­pen­den­do dos acon­te­ci­men­tos ge­o­po­lí­ti­cos. Tam­bém o Gold­man Sa­chs ad­mi­te que o pe­tró­leo pos­sa atin­gir va­lo­res mais ele­va­dos, aci­ma dos 80 dó­la­res. Mas es­ta es­ca­la­da es­tá de­pen­den­te des­tes even­tos ge­o­po­lí­ti­cos. De­pois do Irão, os EUA po­de­rão vol­tar as su­as aten­ções pa­ra a Ve­ne­zu­e­la, uma vez que o país já le­van­tou ques­tões so­bre a le­gi­ti­mi­da­de das elei­ções pre­si­den­ci­ais des­te fim-de-se­ma­na. Con­tu­do, os cons­tran­gi­men­tos na ofer­ta po­de­rão ser tem­po­rá­ri­os. O fim do acor­do da OPEP e a mai­or pro­du­ção nos EUA deverão ga­ran­tir o re­e­qui­lí­brio das re­ser­vas. “Os pre­ços do pe­tró­leo de­vem estar sob pres­são na se­gun­da me­ta­de do ano”, bai­xan­do pa­ra os 65 dó­la­res, an­te­ci­pa o Com­merz­bank.

Os pre­ços da pe­tró­leo vol­ta­ram a fi­xar um no­vo má­xi­mo, com o Brent a su­pe­rar a bar­rei­ra dos 80 dó­la­res, o va­lor mais ele­va­do des­de 2014.

Di­nu­ka Liya­nawat­te/Reuters

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