UMA NO­VA PAS­SA­GEM PA­RA A ÍN­DIA

Jornal de Notícias - JN + Evasões - - SUMÁRIO - TEX­TO DE JOÃO MI­GUEL SIMÕES FOTOGRAFIA DE PAU­LO SPRANGER/GLO­BAL IMA­GENS

O no­vo Chut­nify, em Lis­boa, de­mons­tra que a co­zi­nha in­di­a­na ain­da po­de sur­pre­en­der mui­tos por­tu­gue­ses.

O bom mo­men­to de Lis­boa e o apre­ço lu­so pe­la co­zi­nha in­di­a­na fo­ram de­ter­mi­nan­tes pa­ra que o Chut­nify, um su­ces­so em Ber­lim, es­co­lhes­se a ca­pi­tal por­tu­gue­sa pa­ra abrir o seu pri­mei­ro res­tau­ran­te fo­ra da Ale­ma­nha. Em me­nos de um mês, já con­ven­ceu.

Fi­lha de pais in­di­a­nos, mas cri­a­da em Hong Kong e nou­tras par­tes do mun­do (in­clu­si­ve São Pau­lo), Apar­na Au­ro­ra che­gou a Ber­lim pa­ra tra­ba­lhar em mo­da, mas o seu en­tu­si­as­mo pe­la in­dús­tria foi es­fri­an­do até ao pon­to de di­zer «bas­ta». Já a sua pai­xão pe­la co­zi­nha nun­ca abran­dou, pe­lo que o ma­ri­do a in­cen­ti­vou a abrir, em 2014, o pri­mei­ro Chut­nify.

Apar­na, que du­ran­te os pri­mei­ros tem­pos as­su­miu a ta­re­fa de co­zi­nhar, não es­con­de que mui­to do su­ces­so se de­veu ao fac­to de ter le­va­do pa­ra Ber­lim al­go que não ha­via: uma co­zi­nha in­di­a­na tí­pi­ca do Sul com me­nus mais cur­tos e bons pro­du­tos , ser­vi­da num am­bi­en­te mo­der­no, com re­fe­rên­ci­as a Bollywo­od, mas sem cair nos cli­chés. Ou­tro trun­fo foi pas­sar a men­sa­gem de que, mais do que pi­can­te, a co­mi­da in­di­a­na é con­di­men­ta­da – «em ca­sa, nun­ca co­mi na­da pi­can­te; só vim a sa­ber o que is­so era no Mé­xi­co», re­ve­la.

A es­co­lha de Lis­boa pa­ra abrir o pri­mei­ro Chut­nify fo­ra da Ale­ma­nha de­veu-se a um con­jun­to de fa­to­res: ini­ci­al­men­te es­ta­va mais in­cli­na­da pa­ra Ma­drid, mas per­ce­beu a tem­po que Lis­boa era mais in­di­ca­da, não só pe­lo bom mo­men­to que atra­ves­sa co­mo por ha­ver uma mai­or li­ga­ção à cul­tu­ra in­di­a­na. Cor­reu vá­ri­os bair­ros al­fa­ci­nhas an­tes de se de­ci­dir pe­lo Prín­ci­pe Re­al. Ain­da as­sim, es­ta­va te­me­ro­sa de que a lo­ca­li­za­ção, nu­ma tra­ves­sa fo­ra do pe­rí­me­tro da Rua da Es­co­la Po­li­téc­ni­ca, não fos­se a me­lhor. Pro­vou-se o con­trá­rio: des­de a pri­mei­ra ho­ra tem ti­do a ca­sa sem­pre cheia, so­bre­tu­do de por­tu­gue­ses.

Uma co­zi­nha que mis­tu­ra pra­tos do Nor­te e do Sul da Ín­dia, com des­ta­que pa­ra o re­cur­so ao gre­lha­dor tan­do­or), me­nus cur­tos com pro­pos­tas mais rá­pi­das e eco­nó­mi­cas pa­ra os al­mo­ços du­ran­te a se­ma­na (po­de ser o ta­bu­lei­ro tha­li que com­bi­na ar­roz bas­ma­ti, pão

cha­pat­ti, len­ti­lhas, uma tor­ti­lha cro­can­te e uma so­bre­me­sa com op­ção ve­ge­ta­ri­a­na, fran­go ou pei­xe; ou o do­sa, um cre­pe có­ni­co fei­to de len­ti­lhas e fa­ri­nha de ar­roz, que po­de le­var di­fe­ren­tes ti­pos de acom­pa­nha­men­to) e à car­ta ao jan­tar, com des­ta­que pa­ra a op­ção me­nu de de­gus­ta­ção que, por 28 eu­ros, de­cor­re em seis tem­pos.

A de­co­ra­ção é se­me­lhan­te ao Chut­nify de Ber­lim, mas Apar­na, que um dia es­pe­ra mu­dar-se de vez pa­ra cá, fez ques­tão de que a loi­ça fos­se do de­sig­ner in­dus­tri­al João Abreu Valente. Nas be­bi­das, há cock­tails de as­si­na­tu­ra, co­mo o re­fres­can­te-e-um-na­da­pi­can­te Ka­chum­ber Col­ler (gin, pe­pi­no, li­ma, co­en­tro e ma­la­gue­ta) e uma sé­rie de ou­tras op­ções, mas não va­le sair sem pro­var o ma­sa­la chai, um chá que le­va três ho­ras a fa­zer com oi­to es­pe­ci­a­ri­as.

CHUT­NIFY

Tv. da Pal­mei­ra, 46 (Prín­ci­pe Re­al) Tel.: 213461534. Web: fa­ce­bo­ok. com/chut­nify­lis­bon. Das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 00h00. En­cer­ra à se­gun­da. Pre­ço mé­dio: 28 eu­ros (al­mo­ço, 10 eu­ros)

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