TAPIOCAS

O PÃO IN­DÍ­GE­NA QUE ANDANAS BOCAS DO MUN­DO

Jornal de Notícias - JN + Evasões - - EVASOES - TEX­TO DE ANA COS­TA

Ro­tei­ro de lo­cais no Por­to e em Lis­boa on­de se po­de co­mer o pão in­dí­ge­na de ori­gem tu­pi.

No úl­ti­mo ano, tem vin­do a con­quis­tar o gos­to dos por­tu­gue­ses, que já se ren­de­ram aos be­ne­fí­ci­os des­te alimento de ori­gem in­dí­ge­na sul-ame­ri­ca­na. Ver­sá­til, sem glú­ten, lac­to­se ou só­dio, a tapioca é mui­to po­pu­lar en­tre os adep­tos de uma ali­men­ta­ção saudável.

«Éa nos­sa pé­ro­la bran­ca, joia bra­si­lei­ra, ex­traí­da da go­ma da nos­sa gran­de raiz, a man­di­o­ca», es­cre­ve a chef Mo­re­na Lei­te no seu mais re­cen­te li­vro Tapioca – His­tó­ria e re­cei­tas. O no­me po­de ser usa­do pa­ra des­cre­ver tan­to a fé­cu­la pro­ve­ni­en­te da man­di­o­ca co­mo o pe­tis­co fei­to a par­tir des­ta e que, vi­su­al­men­te, se as­se­me­lha a uma es­pé­cie de cre­pe, cro­can­te, de sa­bor neu­tro e tex­tu­ra gra­nu­lar.

O pro­ces­so de ex­tra­ção da fa­ri­nha en­vol­ve amas­sar e pren­sar a pol­pa do tu­bér­cu­lo. Daí re­sul­ta um lí­qui­do que de­pois de se­co dá lu­gar a um pó fi­no e bran­co, a fé­cu­la. Es­ta fa­ri­nha é en­tão pol­vi­lha­da nu­ma fri­gi­dei­ra quen­te e os grãos, ao aglu­ti­na­rem-se, for­mam o cre­pe de tapioca que de­pois po­de ser re­che­a­do com com­bi­na­ções ao gos­to de ca­da um. A receita é originária das re­giões Nor­te e Nordeste do Bra­sil, desenvolvida pe­los índios tu­pi, que a usa­vam pa­ra en­vol­ver car­nes e fru­ta.

Por al­tu­ra da che­ga­da dos por­tu­gue­ses àque­le ter­ri­tó­rio, no sé­cu­lo XVI, já a man­di­o­ca era a ba­se da ali­men­ta­ção lo­cal, mas foi, cu­ri­o­sa­men­te, uma cri­a­ção por­tu­gue­sa que le­vou à ex­pan­são do con­su­mo de tapioca por to­do o país. A pri­mei­ra Ca­sa de Fa­ri­nha, on­de era pro­du­zi­da fa­ri­nha de man­di­o­ca, foi cri­a­da pe­los co­lo­ni­za­do­res na ilha de Ita­ma­ra­cá, nos ar­re­do­res da ci­da­de de Olin­da, ain­da no sé­cu­lo XVI. Des­de aí, o «pão in­dí­ge­na», tam­bém co­nhe­ci­do co­mo bei­ju, pas­sou a ser um dos pra­tos mais tí­pi­cos do Bra­sil e ain­da ho­je po­de ser en­con­tra­do em qual­quer re­can­to, se­ja em car­ri­nhas de co­mi­da de rua ou em res­tau­ran­tes de to­po.

A RECEITA DA TAPIOCA É ORIGINÁRIA DO NOR­TE E NORDESTE DO BRA­SIL E FOI DESENVOLVIDA PE­LOS ÍNDIOS TU­PI.

www.eva­so­es.pt Aba­ca­te e ovos mexidos é uma das op­ções na lis­ta de tapiocas do café Amélia, em Lis­boa.

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