CARROS CLÁSSICOS, VER­SÕES MODERNAS

Os carros não es­ca­pam ao re­vi­va­lis­mo. As mar­cas vão ao baú, es­co­lhem um mo­de­lo que fez su­ces­so há dé­ca­das e mo­der­ni­zam as li­nhas, na es­pe­ran­ça de ven­dê-lo que nem pãe­zi­nhos quen­tes.

Jornal de Notícias - JN + Noticias Magazine - - Sumário=1379 -

A ten­dên­cia ga­nhou for­ma a par­tir de 1997 com a che­ga­da da no­va es­tir­pe de Ca­ro­chas da Volkswa­gen. Atu­al­men­te, ar­gu­men­ta o jor­na­lis­ta Reis Pin­to, o re­a­pa­re­ci­men­to de mo­de­los clássicos de au­to­mó­veis em ver­sões re­vis­tas (e au­men­ta­das) acu­mu­la so­bre­tu­do his­tó­ri­as de su­ces­so, do Fi­at 500 aos Mi­ni. E al­guns pre­pa­ram-se pa­ra uma no­va vi­da em ver­sões elé­tri­cas, do Pão de For­ma da Volkswa­gen ao Mi­ni Mo­ke, de cos­te­la por­tu­gue­sa.

Não, aqui não se fa­la de ten­dên­ci­as de ou­tras eras, de acres­cen­tos ao gos­to de ca­da um e que re­co­me­çam a sair da clan­des­ti­ni­da­de, co­mo o cão­zi­nho na cha­pe­lei­ra que aba­na a ca­be­ça, os es­to­res no vi­dro tra­sei­ro, os ai­le­rons, as ti­ras an­ti­en­joo ou os es­ca­pes “des­por­ti­vos”. O que que­re­mos mes­mo é fa­lar dos au­to­mó­veis que nas­ce­ram pa­re­ci­dos com car­ro­ças, es­ti­ve­ram chei­os de cro­ma­dos, já pre­do­mi­na­ram em formas re­don­das, qua­dra­das ou uma mis­tu­ra das du­as. À se­me­lhan­ça do uni­ver­so da mo­da, tam­bém a in­dús­tria au­to­mó­vel gos­ta de re­ci­clar os mo­de­los mais po­pu­la­res, al­guns com ines­pe­ra­do su­ces­so – ve­ja-se o ca­so do Fi­at 500 e do Mi­ni.

O pon­ta­pé de saí­da foi da­do pe­la Volkswa­gen, em 1997, com o seu Be­e­tle (co­nhe­ci­do em Por­tu­gal por Ca­ro­cha, um dos carros mais ven­di­dos de to­dos os tem­pos). Se­guiu-se o Mi­ni, em 2000, mar­ca en­tão já nas mãos da BMW, e o Fi­at 500, lan­ça­do em 2007. Três mo­de­los que, com mai­or ou me­nor su­ces­so, inun­da­ram as nos­sas es­tra­das, tal co­mo os seus avós o ha­vi­am fei­to na sua épo­ca.

Cro­no­lo­gi­ca­men­te, o Ca­ro­cha foi o pre­cur­sor des­ta his­tó­ria, pois co­me­çou a ser fa­bri­ca­do na Ale­ma­nha em 1938, na al­vo­ra­da da II Guerra Mun­di­al e, com al­te­ra­ções que nun­ca des­vir­tu­a­ram as li­nhas sim­ples, ter­mi­nou os seus di­as em 2003, na fá­bri­ca me­xi­ca­na de Pu­e­bla, após te­rem si­do pro­du­zi­dos mais de 21,5 mi­lhões de exem­pla­res, em 19 paí­ses de qua­tro con­ti­nen­tes. Mas ain­da o mo­de­lo ori­gi­nal es­ta­va em pro­du­ção e já a Volkswa­gen ten­ta­va ca­pi­ta­li­zar a sua for­te ima­gem, adap­tan­do-o a no­vas exi­gên­ci­as dos con­su­mi­do­res e a pa­drões de se­gu­ran­ça e nor­mas am­bi­en­tais que o an­ti­go já não conseguia cum­prir. Nas­cia, as­sim, em 1997, o New Be­e­tle (No­vo Ca­ro­cha), fa­bri­ca­do no Mé­xi­co e pos­te­ri­or­men­te tam­bém mon­ta­do no Vi­et­na­me, que usa­va o chas­sis e a me­câ­ni­ca do Golf. Nun­ca atin­giu o nú­me­ro de ven­das am­bi­ci­o­na­do pe­la mar­ca e se­rá des­con­ti­nu­a­do no pró­xi­mo ano. Mas, mais uma vez, a VW foi à sua ri­ca his­tó­ria pa­ra re­cu­pe­rar ou­tro mo­de­lo icó­ni­co: a car­ri­nha Pão de For­ma, que de­ve­rá re­a­pa­re­cer em 2022, ex­clu­si­va­men­te mo­vi­da a ele­tri­ci­da­de e re­ba­ti­za­da de Mi­cro­bus.

Su­ces­so qua­se ime­di­a­to ti­ve­ram o Mi­ni e o Fi­at 500, que fo­ram um ver­da­dei­ro jack­pot pa­ra as mar­cas. Com di­men­sões ade­qua­das aos tem­pos atu­ais, o Mi­ni tem li­nhas que o tor­nam ime­di­a­ta­men­te re­co­nhe­cí­vel, um in­te­ri­or que, nos pri­mei­ros mo­de­los, re­pli­ca­va na per­fei­ção a ver­são ori­gi­nal e um com­por­ta­men­to em es­tra­da ga­ba­do por to­dos. Usou me­câ­ni­cas de di­ver­sas pro­ve­ni­ên­ci­as, co­mo a Peu­ge­ot e a Toyo­ta, ven­de-se bem e a mar­ca alar­gou a ga­ma, ha­ven­do ver­sões, co­mo a Coun­try­man, que me­de qua­se 4,3 me­tros, con­tra os três me­tros do mo­de­lo ori­gi­nal. Ou se­ja, Mi­ni, mas pou­co.

Per­cur­so si­mi­lar te­ve a Fi­at com o seu 500, que foi sen­do de­cli­na­do em su­ces­si­vas ver­sões, das mais fa­mi­li­a­res (com va­ri­an­tes de se­te lu­ga­res) às des­por­ti­vas, co­mo o Abarth 695 Bi­pos­to, uma má­qui­na cons­truí­da pa­ra a pis­ta a que nem o pre­ço, cer­ca de 45 mil eu­ros, obs­tou a nú­me­ros in­te­res­san­tes de ven­das. Exis­te tam­bém uma ver­são elé­tri­ca, co­mer­ci­a­li­za­da ex­clu­si­va­men­te nos Es­ta­dos Uni­dos, de que exis­ti­rão al­guns exem­pla­res em Por­tu­gal, on­de che­ga­ram por im­por­ta­ção pa­ra­le­la.

Tam­bém a BMW ce­deu à nostalgia e apre­sen­tou, no Sa­lão de Pa­ris 2018, que de­cor­reu na pri­mei­ra me­ta­de de ou­tu­bro, o sé­rie 8 Cou­pé, cu­jas li­nhas re­me­tem pa­ra o BMW 850, pro­du­zi­do en­tre 1991 e 1999. Es­te ape­lo do re­vi­va­lis­mo au­to­mó­vel che­gou igual­men­te à Hon­da, que se pre­pa­ra pa­ra lan­çar, no pró­xi­mo ano, o Ur­ban EV, um veí­cu­lo elé­tri­co que re­pli­ca a pri­mei­ra ge­ra­ção do Hon­da Ci­vic.

Mas há pe­que­nas em­pre­sas que, con­ver­ti­das à ele­tri­fi­ca­ção do au­to­mó­vel, já co­mer­ci­a­li­zam ré­pli­cas de mo­de­los que fi­ze­ram his­tó­ria, co­mo é o ca­so do Nos­mo­ke fran­cês, que mi­me­ti­za o cé­le­bre Mi­ni Mo­ke, cu­jos úl­ti­mos exem­pla­res fo­ram con­ce­bi­dos em Por­tu­gal com pe­ças fa­bri­ca­das em Oliveira do Dou­ro, Gaia (ler cai­xa), ou do BMW Iset­ta, que se­rá fa­bri­ca­do na Suí­ça com o no­me de Tiny Mi­cro­li­no EV. No cam­po das in­ten­ções, ou do de­se­jo dos aman­tes dos au­to­mó­veis, es­tão o lan­ça­men­to de um no­vo Lan­cia Del­ta In­te­gra­le pe­las mãos do mi­li­o­ná­rio ita­li­a­no Eu­ge­nio Amos, ou a re­cu­pe­ra­ção da po­pu­lar Re­nault 4L. ●m

M O Fi­at 500 tem si­do um su­ces­so de ven­das. A ga­ma de ver­sões vai da fa­mi­li­ar à des­por­ti­va

M Os no­vos Mi­ni são mui­to pro­cu­ra­dos. O no­me mantém-se mas as di­men­sões adap­ta­ram-se aos tem­pos

M Em 2019 de­ve­rá che­gar ao mer­ca­do o Ur­ban EV, a ver­são elé­tri­ca ba­se­a­da no Hon­da Ci­vic dos anos 1970

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