Pla­ta­for­ma por­tu­gue­sa diz que UE es­tá a fa­lhar no au­xí­lio

Metro Portugal (Lisbon) - - PRIMEIRA PÁGINA - RUI ALEXANDRE CO­E­LHO

Pla­ta­for­ma de Apoio aos Re­fu­gi­a­dos an­ga­ri­ou em dois me­ses €125.000 pa­ra as­sis­tir as pes­so­as nos paí­ses de ori­gem. Rui Mar­ques, o co­or­de­na­dor, cri­ti­ca fal­ta de efi­cá­cia eu­ro­peia na re­co­lo­ca­ção de mi­gran­tes

Tar­da a che­ga­da a Portugal dos pri­mei­ros re­fu­gi­a­dos, no âm­bi­to do pro­gra­ma eu­ro­peu de asi­lo. Ain­da não há uma da­ta? Há 45 re­fu­gi­a­dos que che­gam ama­nhã, mas de ou­tro pro­gra­ma de reins­ta­la­ção – re­la­ti­vo à quo­ta anu­al acer­ta­da en­tre Portugal e a ONU. Não tem a ver com es­te pro­gra­ma de re­co­lo­ca­ção de 160.000 re­fu­gi­a­dos da UE. Há in­for­ma­ção de que es­ses re­fu­gi­a­dos vão che­gar em bre­ve, mas há mais de um mês que se fa­la des­se “pa­ra bre­ve”. Sa­be­mos que a che­ga­da se­rá pro­gres­si­va, a dos 4.500 re­fu­gi­a­dos que Portugal irá re­ce­ber; con­vém é que co­me­ce ra­pi­da­men­te. Que di­zer des­te im­pas­se? Não con­se­gui­mos com­pre­en­der es­ta ine­fi­cá­cia eu­ro­peia no cum­pri­men­to de uma de­ci­são do Con­se­lho Eu­ro­peu. Tra­ta-se de uma de­ci­são que foi to­ma­da por con­sen­so en­tre os di­fe­ren­tes paí­ses... Uma de­ci­são vin­cu­la­ti­va? Cla­ra­men­te vin­cu­la­ti­va. O que pa­re­ce ha­ver é um jo­go de cul­pas tro­ca­das en­tre as ins­ti­tui­ções da Co­mis­são Eu­ro­peia e os Es­ta­dos-Mem­bros. Mas a evi­dên­cia é a fal­ta de li­de­ran­ça e de vi­são política pa­ra con­cre­ti­zar uma de­ci­são já to­ma­da pa­ra dar res­pos­ta rá­pi­da e efi­caz a uma cri­se hu­ma­ni­tá­ria gra­vís­si­ma. Até ver, o bom exem­plo só foi da­do por Sué­cia e Lu­xem­bur­go, que re­ce­be­ram os 116 re­fu­gi­a­dos já re­co­lo­ca­dos. O pro­ble­ma não é dos paí­ses de aco­lhi­men­to. Pe­lo me­nos, ven­do pe­lo ca­so de Portugal – ain­da não che­ga­ram re­fu­gi­a­dos, mas não é por­que Portugal não es­te­ja pron­to. Tem tu­do a ver com uma in­com­pre­en­sí­vel ine­fi­cá­cia ao ní­vel das ins­tân­ci­as eu­ro­pei­as e dos Es­ta­dos-Mem­bros; is­to além de even­tu­ais di­fi­cul­da­des que Itá­lia e Gré­cia, prin­ci­pais por­tas de en­tra­da dos re­fu­gi­a­dos na Eu­ro­pa, te­nham pa­ra for­mu­lar lis­tas e en­vi­ar os re- fu­gi­a­dos pa­ra os di­fe­ren­tes paí­ses. Em to­do o ca­so, é in­com­pre­en­sí­vel. A vos­sa pla­ta­for­ma ope­ra com al­gum apoio es­ta­tal? A PAR nas­ceu da so­ci­e­da­de ci­vil. Há um apoio da Câ­ma­ra Mu­ni­ci­pal de Lis­boa, nes­se sen­ti­do é um apoio pú­bli­co, mas tam­bém é o úni­co. Os res­tan­tes vêm da so­ci­e­da­de ci­vil, ca­sos da Fun­da­ção EDP ou da Fun­da­ção Ca­lous­te Gul­ben­ki­an. É mes­mo uma ini­ci­a­ti­va da so­ci­e­da­de ci­vil, e ain­da bem, por­que não po­de­mos es­tar sem­pre à es­pe­ra que o Es­ta­do ou a UE avan­cem com as dis­po­ni­bi­li­da­des fi­nan­cei­ras pa­ra só de­pois dar­mos res­pos­ta. Um exem­plo pa­ra Bru­xe­las. Se a so­ci­e­da­de ci­vil é ca­paz de se or­ga­ni­zar, co­mo é que a União Eu­ro­peia não é? Es­tá con­fi­an­te em re­la­ção à in­te­gra­ção dos re­fu­gi­a­dos em Portugal? A in­te­gra­ção de re­fu­gi­a­dos é um de­sa­fio. Es­ta­mos cons­ci­en­tes dis­so, sem o ro­man­tis­mo de achar que é tu­do fá­cil, e li­ne­ar, mas tam­bém de­ter­mi­na­dos em que o aco­lhi­men­to e in­te­gra­ção se­jam fei­tos com dig­ni­da­de, com­pe­tên­cia e uma ta­xa al­ta de su­ces­so. A qual de­pen­de de qu­em aco­lhe e de qu­em é aco­lhi­do, cla­ro. Mas te­nho es­pe­ran­ça: vai cor­rer bem.

“Deus qu­er, o homem so­nha, a obra nas­ce”. A má­xi­ma de Pes­soa apli­ca-se à PAR (Pla­ta­for­ma de Apoio aos Re­fu­gi­a­dos), pro­je­to na­ci­o­nal com dois me­ses que aju­da re­fu­gi­a­dos nos paí­ses de ori­gem e vi­zi­nhos. Já a União Eu­ro­peia não es­tá a aju­dar co­mo

me­tro de­via, diz ao Rui Mar­ques, o co­or­de­na­dor.

FO­TOS: JOÃO FER­RÃO

Con­tra me­dos e mi­tos, PAR apre­sen­tou re­vis­ta “Re­fu­gi­a­dos” em ou­tu­bro.

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