En­tre­vis­ta com DJ Ri­de so­bre o seu no­vo ál­bum, “From Scrat­ch”

DJ RI­DE

Metro Portugal (Lisbon) - - PRIMEIRA PÁGINA - BRUNO MAR­TINS

A ideia de “From Scrat­ch”, o no­me do seu no­vo dis­co, in­fe­re du­as idei­as: a de ras­cu­nho ou fo­lha em bran­co, e, cla­ro, a sua ar­te de turn­ta­blism. Al­gu­ma de­las é mais im­por­tan­te pa­ra es­te dis­co?

Ris­cas­te a ca­pa do ál­bum? Es­sa po­de ser já uma res­pos­ta! [ver cai­xa em bai­xo]. Pa­ra fa­zer al­gu­mas coi­sas no dis­co, prin­ci­pal­men­te a ní­vel de pro­du­ção, co­me­cei qua­se do ze­ro. A mi­nha abor­da­gem à pro­du­ção tam­bém foi mu­dan­do bas­tan­te. A for­ma co­mo com­pu­nha e fa­zia mú­si­ca, há 15 anos, é ho­je com­ple­ta­men­te di­fe­ren­te: era um pu­ris­ta do vi­nil. Ho­je até sam­plo do YouTu­be! Mui­ta coi­sa é co­me­çar do ze­ro, mas tam­bém vem mui­ta coi­sa do meu back­ground hip hop.

Sen­te-se uma coi­sa que, num DJ, po­de ser mais di­fí­cil de des­cor­ti­nar: o seu to­que pessoal continua bem vin­ca­do. Nos bom­bos, nos be­ats es­co­lhi­dos, nos sam­ples de vi­de­o­jo­gos. É a mar­ca ar­tís­ti­ca de um DJ?

É uma as­si­na­tu­ra! Te­nho de tê-la pre­sen­te. É en­gra­ça­do no­ta­res is­so: há pessoal que me diz que es­cu­ta sons na rá­dio que pa­re­cem “do Ri­de” e de­pois anun­ci­am ser mes­mo meu. Tem mui­to a ver com a par­te rít­mi­ca, acho eu: os bom­bos, as ta­ro­las, o swing, da es­co­la do J.Dil­la... não con­si­go fa­zer be­ats qua­dra­dos, só bo­om baps por­que o que me fas­ci­na são as ex­pe­ri­ên­ci­as de es­tú­dio. Os anos 90 já lá vão! Ain­da há qu­em os fa­ça, co­mo o DJ Pre­mi­e­re ou Pe­te Rock, mas gos­to é de pe­gar nis­so e fun­dir com a ele­tró­ni­ca. Um dos meus mai­o­res cui­da­dos é cri­ar um fio con­du­tor com o pas­sa­do.

Uma das coi­sas mais bo­ni­tas do dis­co é per­ce­ber que faz o seu tra­ba­lho, mas dá es­pa­ço aos con­vi­da­dos pa­ra apa­re­ce­rem e te­rem um con­tri­bu­to fun­da­men­tal na cri­a­ção de can­ções. São for­ças a tra­ba­lhar em con­jun­to.

Cla­ro. Tem que ha­ver equilíbrio. No pas­sa­do fa­zia ins­tru­men­tais den­sos e mui­to chei­os e mui­tos rap­pers a qu­em os pas­sa­va di­zi­am-me que não con­se­gui­am en­cai­xar as su­as vo­zes. Te­nho mais es­se cui­da­do de li­mar ares­tas pa­ra abrir es­pa­ço às par­ti­ci­pa­ções.

De qual­quer for­ma, os no­vos rap­pers pa­re­cem con­se­guir aguen­tar me­lhor umas ba­ti­das mais al­tas, não acha? O ca­so dos MGDRV, por exem­plo.

Eles têm uma so­no­ri­da­de mais ma­xi­mal e mui­to ele­tró­ni­ca. Eles tam­bém se­guem mui­to os trends, o hip hop com mais hy­pe e buzz, mais li­ga­do ao trap. Mas no meu ál­bum tam­bém há ou­tros MC mais clás­si­cos! Há uns anos, era mui­to mais com­pli­ca­do pa­ra mim pa­ra pas­sar sons a um MC. Ou­via mui­to: “Is­to es­tá mui­to bom, mas é de­ma­si­a­do ma­ra­do!” Na al­tu­ra qua­se nin­guém ar­ris­ca­va e ho­je tens es­sa malta que ar­ris­ca com be­ats mais ele­tró­ni­cos, grimy ou dubs­tep.

Mas não acha que es­sas “ce­dên­ci­as” po­dem ba­li­zar ou es­par­ti­lhar o la­do mais ex­pe­ri­men­tal que gos­ta de ter?

Sim e não. Ex­pe­ri­men­tei mui­to nes­te ál­bum, ape­sar de res­pei­tar os con­vi­da­dos. O pri­mei­ro dis­co [“Turn­ta­ble Fo­od”] era um dis­co mais light, mais easy lis­te­ning. Acho que o “Psy­cha­de­lic Sound Wa­ves” [2010] é um dos meus fa­vo­ri­tos e te­ve me­nos su­ces­so. É o dis­co em que se ca­lhar ex­pe­ri­men­tei mais! Ha­via mú­si­cas com 100 pis­tas de sin­te­ti­za­do­res, nu­ma al­tu­ra em que an­da­va ma­lu­co a com­prar te­cla­dos. Era im­pos­sí­vel ha­ver vo­zes.

Tam­bém par­ti­ci­pa, com frequên­cia – a so­lo ou com os Be­at­bom­bers – em cam­pe­o­na­tos do mun­do de scrat­ch e DJ. Aju­da ao pro­ces­so cri­a­ti­vo?

Com­por e fa­zer mú­si­ca é uma ne­ces­si­da­de e os cam­pe­o­na­tos aju­dam mui­to: sem­pre que nos pre­pa­ra­mos pa­ra um cam­pe­o­na­to, trei­na­mos mui­to e tec­ni­ca­men­te da­mos um sal­to. De­pois de ter fei­to o Th­re3sty­le [even­to no Ja­pão em que fi­cou no top seis] te­nho ma­te­ri­al pa­ra es­tar três ou qua­tro me­ses a di­vul­gar ví­de­os na In­ter­net!

“From Scrat­ch” é o no­me do quar­to dis­co de lon­ga-du­ra­ção do pro­du­tor e “turn­ta­blist”, uma fi­gu­ra de des­ta­que e in­con­tor­ná­vel no pa­no­ra­ma da mú­si­ca ele­tró­ni­ca ur­ba­na em Portugal. O no­vo ál­bum, cheio de ami­gos, as­sen­ta na par­ti­lha e par­ce­ri­as. HMB, Ca­pi­cua, Den­gaz & Zacky Man, Ste­re­os­sau­ro, Mia Ho­li­day, Free The Ro­bots & Lewis M, MGDRV, Holly, Jimmy P, Va­le­te, NBC e Eno­que.

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