A TRI­BE CAL­LED QUEST

Ce­le­brar os 25 anos de um ál­bum de es­treia per­fei­to

Metro Portugal (Lisbon) - - PRIMEIRA PÁGINA - B.M.

O QUAR­TE­TO FAN­TÁS­TI­CO

O Ja­ro­bi ti­nha 17 anos quan­do foi edi­ta­do es­te pri­mei­ro dis­co dos A Tri­be Cal­led Quest (ATCQ). Co­mo é que se sen­te quan­do ou­ve is­to? Dá-me von­ta­de de rir, por­que é de lou­cos. É in­crí­vel. Éra­mos mes­mo mui­to no­vos. E é mais im­pres­si­o­nan­te ain­da per­ce­ber que 25 anos de­pois ain­da es­ta­mos a ter uma con­ver­sa so­bre o dis­co! Foi um ál­bum que dei­xou mar­cas no hip hop. O que é que fez a di­fe­ren­ça? Acho que o ti­ming. Quan­do o dis­co saiu, es­tá­va­mos no meio do des­per­tar do mo­vi­men­to afro-cên­tri­co no hip hop. So­mos her­dei­ros dos gran­des mes­tres co­mo Ra­kim, KRS-One, Run DMC, e, tam­bém por is­so, ti­ve­mos a sor­te de al­gu­mas das gran­des edi­to­ras co­me­ça­rem a ter in­te­res­se no nos­so tra­ba­lho, ape­sar de ser­mos uns miú­dos. Pou­cos anos an­tes, no­mes co­mo os NWA ou os Pu­blic Enemy tam­bém fa­zi­am mú­si­ca com es­sas idei­as. Vo­cês fi­ze­ram-no de uma for­ma di­fe­ren­te. Acho que sim, so­bre­tu­do por vir­mos de um am­bi­en­te di­fe­ren­te. Es­ses artistas vi­nham de bair­ros du­ros. Nós cres­ce­mos nos su­búr­bi­os sem ter­mos, ne­ces­sa­ri­a­men­te, de lu­tar e li­dar com tan­to cri­me, por exem­plo. Ti­ve­mos mais tem­po pa­ra ex­pe­ri­men­tar a nos­sa mú­si­ca. O Ja­ro­bi dei­xou o gru­po de­pois do pri­mei­ro dis­co. Co­mo foi acom­pa­nhan­do a his­tó­ria dos ATCQ? Não di­ria que dei­xei a ban­da. Es­ti­ve no es­tú­dio nas gra­va­ções do se­gun­do e ter­cei­ro dis­cos. Ia com os ra­pa­zes às lo­jas de dis­cos e tu­do. E fi­quei sem­pre im­pres­si­o­na­do com a evo­lu­ção in­crí­vel do gru­po. Mas o Ja­ro­bi des­co­briu ou­tra pers­pe­ti­va pro­fis­si­o­nal: ho­je é cozinheiro.... Sim, de fac­to. Era di­fí­cil pa­ra mim ter uma car­rei­ra ar­tís­ti­ca. Ti­nha 16 ou 17 anos e sa­bia que não era do­no da mi­nha von­ta­de, per­ce­bes? Foi di­fí­cil li­dar com is­so. E pron­to, co­zi­nhar, ser cozinheiro, tor­nou-se uma boa op­ção de car­rei­ra. São du­as artes que se com­bi­nam, o hip hop e a cu­li­ná­ria/co­zi­nha? Pa­ra mim, ago­ra, com es­ta ida­de, a co­mi­da e o rap são uma com­bi­na­ção per­fei­ta. Há mui­tas coi­sas em co­mum nes­tas du­as artes: pri­mei­ro o fa­tor de res­pos­ta ime­di­a­ta. Quan­do per­ce­be­mos que uma can­ção é boa, co­me­ças a aba­nar a ca­be­ça de ime­di­a­to. Se de­res a pri­mei­ra gar­fa­da num pra­to de co­mi­da e a co­mi­da for boa, vais ter sem­pre a mes­ma sen­sa­ção de pra­zer! O úl­ti­mo dis­co dos ATCQ, “The Lo­ve Mo­ve­ment”, é de 1998. En­tre­tan­to, fi­ze­ram al­guns con­cer­tos de reu­nião. Es­te 25º ani­ver­sá­rio tam­bém po­de mo­ti­var mais al­guns es­pe­tá­cu­los? Sem­pre que di­go que não, al­gu­ma coi­sa acon­te­ce! (ri­sos). Por is­so, não sei! Não há na­da pla­ne­a­do, mas cla­ro que po­de acon­te­cer! Já pas­sa­ram al­guns anos des­de o ter­cei­ro ou quar­to úl­ti­mo con­cer­to (ri­sos). Por is­so não sei se não po­de acon­te­cer. Não pos­so di­zer que não até ter a cer­te­za que não vai acon­te­cer.

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