BASSET HOUNDS UM QUAR­TE­TO FI­EL AO ROCK

me­tro An­tó­nio Vieira con­ta ao co­mo nas­ceu a ban­da que tem com Afon­so Ho­mem de Ma­tos, Jo­sé Mar­tins e Mi­guel Nu­nes. “De­but” ho­mó­ni­mo pa­ra ou­vir em nos­dis­cos.pt.

Metro Portugal (Lisbon) - - CULTO - BRU­NO MAR­TINS

Es­te é o vos­so ál­bum de es­treia, ape­sar de te­rem al­gu­mas de­mos e EP mais ca­sei­ros. Es­ta so­no­ri­da­de que ho­je têm já vos acom­pa­nha há mui­to tem­po? Acho que tem ha­vi­do um cres­ci­men­to. En­tre as gra­va­ções ini­ci­ais e es­te dis­co acon­te­ceu mui­ta coi­sa que nos deu mais ex­pe­ri­ên­ci­as, ou­tras re­a­li­za­ções pessoais e is­so tra­duz-se na mú­si­ca. Não nos que­re­mos agar­rar à ideia do pas­sa­do, mas sim an­tes à ma­nei­ra de es­tar e fa­zer mú­si­ca que nos faz sen­tir al­gu­ma coi­sa. Têm uma so­no­ri­da­de mui­to li­vre, li­ga­da ao rock, ao psi­ca­dé­li­co e ao sho­e­ga­ze. Co­mo é que com­põem? É ób­vio que há in­fluên­ci­as que aca­bam por se des­ta­car, nem que se­ja pe­la pró­pria for­ma­ção da ban­da: du­as gui­tar­ras, um bai­xo e uma ba­te­ria. Há mui­tas ban­das que nos in­flu­en­ci­am, mas não se li­mi­ta a gé­ne­ros. Nem ao sho­e­ga­ze ou jun­gle-pop. Um dos mú­si­cos que me in­flu­en­ci­ou imen­so, e até pa­ra o dis­co, foi a Ni­na Si­mo­ne – e não é uma coi­sa que se no­te pro­pri­a­men­te no dis­co, ape­sar de ter-me es­ti­mu­la­do até em al­guns riffs, co­mo no te­ma “Ara­bi­ca”. O que que­re­mos é fa­zer al­go em que acre­di­te­mos em ter­mos me­ló­di­cos e não cin­gir só à pri­mei­ra ideia. Que­re­mos com­pli­car um bo­ca­do a mú­si­ca pa­ra po­der su­pe­rar a cons­tru­ção de me­lo­di­as. A cons­tru­ção de can­ções é fei­ta em es­tú­dio, com to­dos os mem­bros? Acho que o som é re­sul­ta­do de qua­tro pes­so­as a fun­ci­o­nar ao mes­mo tem­po em es­tú­dio, mas is­so não in­va­li­da que se al­guém ti­ver uma ideia em ca­sa a tra­ba­lhe­mos em ca­sa. Mas, por re­gra, é o tra­ba­lho de qua­tro pes­so­as a to­car jun­tas na sa­la de en­saio. Aca­ba por ter re­fle­xo na so­no­ri­da­de do gru­po: são ma­lhas com um pe­so enor­me, com mas­sa de som que, se ca­lhar, cres­ce des­se tra­ba­lho a qua­tro. Acho que sim. E em vez de ser só uma pes­soa a ser exi­gen­te na cons­tru­ção de uma ideia, são qua­tro a ser ul­tra­e­xi­gen­tes a tra­ba­lhar to­dos nu­ma ideia glo­bal. É uma cri­a­ção mais fe­liz. Co­mo vão fa­zer a tran­si­ção do dis­co pa­ra os con­cer­tos ao vi­vo? Não é uma coi­sa em que pen­se­mos mui­to, a não ser na von­ta­de de que­rer ser ca­da vez me­lho­res ao vi­vo. Por exem­plo, com a cri­a­ção de pas­sa­gens en­tre as mú­si­cas pa­ra cri­ar mais di­nâ­mi­ca e flui­dez no con­cer­to. Mas não te­mos uma ideia pre­con­ce­bi­da pa­ra a ver­ten­te ao vi­vo. Só que­re­mos mes­mo pas­sar a ideia de que as mú­si­cas es­tão a ser to­ca­das por al­guém que acre­di­ta mes­mo ne­las. Es­ta mú­si­ca é uma ne­ces­si­da­de que te­mos. Quer-nos ex­pli­car o no­me da ban­da? Tem a ver com in­te­res­ses ca­ni­no? Gos­ta­mos de cães, mas não é por aí. Lem­bro-me de es­tar a ver um epi­só­dio de “O Prín­ci­pe de Bel-Air”, em que es­ta­vam to­dos na co­zi­nha com um ar mui­to pa­chor­ren­to e al­guém di­zia: “Oh, seus Basset Hounds”. É um cão de ca­ça, e ao mes­mo tem­po tem es­se ar pa­chor­ren­to – é um an­ta­go­nis­mo que nos in­te­res­sa. Te­mos me­lo­di­as mais cân­di­das e ou­tras mais im­pul­si­vas. São me­lo­di­as fei­tas de an­ta­go­nis­mo, mas sem­pre com a mes­ma uni­da­de. Acho que se ade­qua bem! E sem­pre as­so­ci­ei a le­al­da­de de uma ma­ti­lha a uma ban­da. Jun­ta a ideia de mú­si­ca e a le­al­da­de de va­lo­res.

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