UMA MIS­SA DOS DI­A­BOS

Metro Portugal (Lisbon) - - ECONOMIA - BRU­NO MAR­TINS

black me­tal, do qual es­ta­mos mui­to pró­xi­mos – é que ten­tam pro­vo­car uma ex­pe­ri­ên­cia ao vi­vo des­con­for­tá­vel. Eu gos­to dis­so, de sen­tir que es­tou a be­ber áci­do e de pé em ci­ma de cha­mas. Mas es­sa nun­ca foi a nos­sa in­ten­ção. As­sus­ta­dor, sim, mas com uma ex­pe­ri­ên­cia pra­ze­ro­sa e eu­fó­ri­ca. Co­mo se es­ti­ves­sem na pre­sen­ça de uma en­ti­da­de di­vi­na. Os vos­sos dis­cos são co­mo as es­cri­tu­ras; e os con­cer­tos as mis­sas? Acho que po­des di­zer is­so, sim. Des­de pe­que­nos, so­mos en­si­na­dos a es­ta­be­le­cer di­fe­ren­ças en­tre bom e mau; Deus é bom e o Di­a­bo é mau. Um é vi­da e o ou­tro é mor­te. Os Ghost evo­cam as coi­sas más ao es­ta­rem as­so­ci­a­dos ao an­ti­cris­to e an­ti­pa­pa? Tu­do se re­su­me à per­gun­ta o que é bom e mau. De­ca­pi­tar pes­so­as é mau. Ter se­xo: é as­sim tão mau? É is­so que que­re­mos de­mons­trar. Não sei se con­si­go enu­me­rar ape­nas dez cri­mes hor­ren­dos per­pe­tra­dos em no­me de Sa­ta­nás. Mas não me fa­çam con­tar os cri­mes co­me­ti­dos em no­me de uma re­li­gião. E porquê man­ter as vos­sas iden­ti­da­des em se­gre­do? Acha­mos que é im­por- Fa­le-me um pou­co de si: quan­tos anos tem? Co­mo cres­ceu o gos­to pe­la mú­si­ca? Te­nho 34 anos. Em miú­do fiz o que a mai­or par­te dos jo­vens do rock fa­zia: fin­gir que to­ca­va o “Rock You Li­ke a Hur­ri­ca­ne” [Scor­pi­ons] na vas­sou­ra. Cres­ci nu­ma ca­sa não com mui­to di­nhei­ro, mas ti­nha aces­so a mui­ta cul­tu­ra: a mi­nha mãe fez par­te da ge­ra­ção dos 60 e um ir­mão mais ve­lho. En­tre os dois, ha­via mui­ta cul­tu­ra a en­trar em ca­sa: o “flower power”, mas tam­bém o punk e o hard rock. Ha­via pou­ca cen­su­ra. Vi mui­tos fil­mes que não de­via ter vis­to e que me de­ram pe­sa­de­los pa­ra a vi­da. E ain­da ho­je te­nho me­do do escuro (ri­sos). Dei­xe-me adi­vi­nhar: não foi à ca­te­que­se. Não fui. Mas a mi­nha mãe tra­ba­lha­va com ar­te e le­va­va-me a ver igre­jas, mes­mo não sen­do re­li­gi­o­sa. A sua mãe cos­tu­ma ir aos con­cer­tos dos Ghost? (Ri­sos) Acha di­ver­ti­do! Es­tá mui­to or­gu­lho­sa, mas não es­tá a fa­zer um bom tra­ba­lho na ques­tão do ano­ni­ma­to. Se vê al­guém no me­tro de Es­to­col­mo com uma T-shirt nos­sa, vai a cor­rer a di­zer que é a mãe de um dos ga­jos da ban­da.

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Portugal

© PressReader. All rights reserved.