CO­RO­NA OS EX­CES­SOS DE UM “GU­NA”

dB e Lo­gos apre­sen­tam ho­je à noi­te, no Musicbox, em Lisboa, o se­gun­do dis­co da du­pla hip hop do Por­to, “Lo- Fi Hips­ter Trip”. O pro­du­tor Da­vid Bes­tei­ro “aka” dB, des­ven­da- nos a vi­da des­ta per­so­na­gem que po­dia per­fei­ta­men­te ser re­al nas ru­as da Bai­xa da I

Metro Portugal (Lisbon) - - CULTO - BRU­NO MARTINS

O no­me do pro­je­to as­sen­ta na cri­a­ção de uma per­so­na­gem que vo­cês cri­a­ram. O pri­mei­ro “Lo-Fi Hips­ter She­at” apre­sen­ta­va-nos o Co­ro­na. Es­te se­gun­do dis­co é a per­so­na­gem a cres­cer?

Nun­ca pa­rá­mos de fa­zer música – e até já es­ta­mos a tra­ba­lhar no pró­xi­mo. Foi um pro­ces­so con­tí­nuo. É uma con­ti­nui­da­de não pla­ne­a­da. Foi fei­to pe­las mes­mas pes­so­as, nos mes­mos sí­ti­os com o mes­mo es­ta­do de es­pí­ri­to. O Da­vid, além de pro­du­tor de Co­ro­na, tam­bém tem ou­tros pro­je­tos – por exem­plo, lan­çou on­tem o dis­co a so­lo “4400 OG”. Quan­do faz be­ats já os faz a pen­sar nes­te uni­ver­so de Co­ro­na? Pas­so me­ses à pro­cu­ra de sam­ples di­re­ci­o­na­dos pa­ra um de­ter­mi­na­do uni­ver­so. An­dei mui­to tem­po a ou­vir punk, coi­sas do mo­vi­men­to de “Mad­ches­ter” e rock psi­ca­dé­li­co e a cri­ar play­lists. Quan­do te­nho um pa­co­te de ma­té­ria-pri­ma é que co­me­ço a tra­ba­lhar. Ou se­ja: an­tes de fa­zer os ins­tru­men­tais, já os te­nho qua­se to­dos na ca­be­ça. Co­mo fun­ci­o­na a parceria com o Lo­gos, o MC de Co­ro­na? En­vio-lhe os ins­tru­men­tais e ele es­cre­ve. Quan­do tem as le­tras pron­tas, mos­tra-me pa­ra con­ver­sar­mos so­bre aqui­lo que va­mos le­var pa­ra gra­var em estúdio. En­quan­to pro­du­tor, a que é que es­te dis­co ti­nha de so­ar? O lo- fi é im­por­tan­te. Man­ten­do a su­ji­da­de do pri­mei­ro, era im­por­tan­te uma li­gei­ra al­te­ra­ção ao es­ta­do de es­pí­ri­to. Os dois têm bas­tan­te psi­ca­de­lis­mo, mas o pri­mei­ro é um dis­co mais ale­gre. Es­te é um ál­bum mais som­brio e es­cu­ro. É o re­fle­xo da per­so­na­gem Co­ro­na? O Lo­gos con­tou-me, no pri­mei­ro dis­co, que o Co­ro­na é uma fi­gu­ra ima­gi­ná­ria da Bai­xa do Por­to que es­ta­ria agar­ra­do à má vi­da e a múl­ti­plas de­pen­dên­ci­as. Ago­ra te­mo-lo na re­a­bi­li­ta­ção? Ele é ima­gi­ná­rio, mas, fa­ci­li­men­te, po­dia não o ser. O que não fal­ta no Por­to são Co­ro­nas! (ri­sos). O pri­mei­ro dis­co apre­sen­tou o dia a dia do Co­ro­na: aqui é a re­caí­da de­le. Com a fa­ma que te­ve no pri­mei­ro dis­co, en­trou em ex­ces­sos e foi in­ter­na­do no Hos­pi­tal Con­de Ferreira pa­ra re­cu­pe­rar. Foi es­se o fe­e­ling que nos trans­mi­ti­ram os ins­tru­men­tais e daí o la­do mais dark.

Co­mo ve­em a vi­da do Co­ro­na da­qui pa­ra a fren­te?

Já es­ta­mos a pen­sar nis­so, mas não que­re­mos adi­an­tar mui­to, a não ser que a pró­xi­ma fa­se de vi­da do Co­ro­na é uma ten­ta­ti­va de es­ta­bi­li­zar e ter uma vi­da mais ou me­nos nor­mal. O lo-fi vai con­ti­nu­ar a ter um pa­pel im­por­tan­te? Sim, por­que é uma ou­tra cul­tu­ra, mais un­der­ground. É im­por­tan­te não so­ar lim­pi­nho. Tem tu­do que ver com a iden­ti­da­de. Mes­mo com vi­da nor­mal, é pro­vá­vel que Co­ro­na con­ti­nue a pas­se­ar- se pe­las zo­nas da Ri­bei­ra ou da Cam­pa­nhã em vez de ir pa­ra a Foz. É! Vai con­ti­nu­ar pe­la Bai­xa e nu­ma rua mui­to es­pe­cí­fi­ca! Ho­je tra­zem o Co­ro­na até ao Cais do So­dré. Vai sen­tir-se em ca­sa, cer­to? Sim, e com con­vi­da­dos lo­cais: o Fran­kie Di­lú­vio, o Skil­laz e o Kron Sil­va. Há mui­tas zo­nas em Lisboa que po­di­am ser a ca­sa de fé­ri­as do Co­ro­na! (Ri­sos) O In­ten­den­te, por exem­plo, ia ser uma se­gun­da ca­sa pa­ra ele.

DR

O dis­co con­ta com Mi­nus, Skil­laz (MGDRV), Fran­kie Di­lú­vio (Blasph), Ches­ter (Re­alPun­ch) e Jim Mor­ri­son da Pas­te­lei­ra (Ál­va­ro Cos­ta).

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Portugal

© PressReader. All rights reserved.