MÚ­SI­CAS DE LI­BER­DA­DE

“Epís­to­la” é o no­me do no­vo tra­ba­lho dos dois mú­si­cos. A can­to­ra fa­la- nos da for­ma de com­por es­ta es­pé­cie de world jazz: li­vre, di­ver­ti­da e sem com­ple­xos.

Metro Portugal (Lisbon) - - CULTO - BRU­NO MARTINS

Co­mo é que co­me­ça a cres­cer es­te no­vo tra­ba­lho, o “Epís­to­la”? Tem vin­do a cres­cer des­de há 14 anos, que foi quan­do eu e o Theo nos co­nhe­ce­mos. Foi nes­sa al­tu­ra que co­me­çá­mos a tra­ba­lhar jun­tos e a cri­ar um som pró­prio. Te­mos vin­do a de­sen­vol­ver es­se som ao lon­go de seis ou se­te ál­buns. É a des­co­ber­ta de nós pró­pri­os que faz com que os dois so­e­mos a ape­nas um. To­da a nos­sa ex­pe­ri­ên­cia na es­tra­da con­tri­bui pa­ra es­ta car­ta.

Se ca­lhar não se no­tam di­fe­ren­ças, mas an­tes evo­lu­ções. Par­te sem­pre tu­do da im­pro­vi­sa­ção? As gran­des mar­cas são a li­ber­da­de e a im­pro­vi­sa­ção. Os ou­tros dis­cos vi­vi­am de uma es­tru­tu­ra, não di­go rí­gi­da, mas es­ta­be­le­ci­da. Es­tas mú­si­cas do “Epís­to­la” vi­vem mais da li­ber­da­de, de pro­cu­rar no­vas li­nhas e no­vos ca­mi­nhos.

Es­sa li­ber­da­de é mais fa­cil­men­te con­quis­ta­da quan­do os mú­si­cos já se co­nhe­cem bem? Tam­bém. Mas, por aca­so, nes­te ál­bum é um bo­ca­di­nho ao con­trá­rio (ri­sos). Al­guns dos mú­si­cos que to­ca­ram nes­te dis­co, co­mo o sa­xo­fo­nis­ta Craig Ya­rem­ko, nun­ca ti­nham to­ca­do con­nos­co ao vi­vo. Mas is­so tam­bém traz al­go de es­pe­ci­al: co­mo ele era uma pes­soa de fo­ra, e nun­ca ti­nha ou­vi­do a nos­sa música, trou­xe uma vi­são com­ple­ta­men­te di­fe­ren­te da­que­la que al­guém que já nos co­nhe­ce po­de ter e que, por is­so, po­de le­var-nos pa­ra cer­tos lu­ga­res, por já sa­ber que a mi­nha fra­se ou a do Theo vai dar a al­gum sí­tio. Tam­bém é in­te­res­san­te es­sa in­te­ra­ção atra­vés de uma re­la­ção mu­si­cal que es­tá a co­me­çar ago­ra.

Dá um to­que de im­pre­vi­si­bi­li­da­de... Exa­ta­men­te!

O pri­mei­ro sin­gle edi­ta­do cha­ma-se “Ca­pe Ver­de­an Blu­es”, uma ver­são de Ho­ra­ce Sil­ver. É uma es­pé­cie de blu­es, mas mui­to di­ver­ti­da de se ou­vir. É a ter­cei­ra ver­são que fa­ze­mos do Ho­ra­ce Sil­ver – é um mú­si­co que nos ins­pi­ra mui­to. A le­tra foi es­cri­ta por mim e fa­la so­bre o gro­gue em Ca­bo Ver­de, so­bre uma al­tu­ra em que hou­ve pro­ble­mas na pro­du­ção: des­co­briu-se que es­ta­vam a pôr li­xí­via no gro­gue em vez de ca­na de açú­car. É a his­tó­ria de um ho­mem que an­da à pro­cu­ra de gro­gue e dão-lhe ou­tras coi­sas! É, so­bre­tu­do, pa­ra rir.

As su­as va­ri­a­ções de voz ga­ran­tem um la­do mais de in­tér­pre­te nas vos­sa can­ções? Sim, tem que se ir bus­car a his­tó­ria e re­pre­sen­tá-la pa­ra a men­sa­gem po­der pas­sar mais rá­pi­do. Fa­ço vá­ri­os concertos em vá­ri­os paí­ses on­de nin­guém per­ce­be o que é que es­tou a can­tar. Só o fac­to de ter es­ta com­po­nen­te de qua­se ane­do­ta faz as pes­so­as rir, mes­mo sem per­ce­be­rem mui­tas ve­zes por­que é que es­tão a rir!

No sá­ba­do atu­am em Lisboa, na Cul­tur­gest, e no do­min­go no Sa­lão Bra­zil, em Coim­bra. De­pois, a 31 de ja­nei­ro, vão até Es­tar­re­ja. O que po­de­mos es­pe­rar des­ses concertos? Eu e o Theo va­mos com mais dois mú­si­cos: um sa­xo­fo­nis­ta da­qui de Lon­dres [on­de mo­ra Car­men Sou­za], o Natha­ni­el Fa­cey; e um ba­te­ris­ta tam­bém da­qui, cha­ma­do Sha­ney For­bes – per­ten­cem a uma ban­da cha­ma­da Em­pi­ri­cal. Es­ta­mos com mui­ta von­ta­de de ir to­car e fa­zer ou­vir es­ta “Epís­to­la”!

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