To­car al­to e a ras­gar

O Ri­ot Gr­r­rl à por­tu­gue­sa es­tá de vol­ta. A ban­da de Aim, Ka­ta­ri e Synthe­ti­que (com quem con­ver­sá­mos) es­tá de vol­ta e com no­va voz: a de Mar­ta Le­fay. Mas a ati­tu­de é a mes­ma de sem­pre: to­car al­to e sem­pre a ras­gar.

Metro Portugal (Lisbon) - - PRIMEIRA PÁGINA - BRU­NO MARTINS

Anar­chicks têm no­vas can­ções e uma no­va vo­ca­lis­ta

“We Claim The Right” é o mais re­cen­te EP das Anar­chicks que mar­ca tam­bém uma no­va fa­se na vos­sa vi­da mu­si­cal. Têm uma vo­ca­lis­ta no­va e can­ções no­vas. Co­mo é que co­me­ça­ram a nas­cer as can­ções? Por ter­mos um mem­bro no­vo na ban­da, sen­ti­mos que to­da a ori­en­ta­ção do gru­po em ter­mos de música e le­tras al­te­rou-se um bo­ca­di­nho. Com a en­tra­da da Mar­ta co­me­çá­mos lo­go a ex­pe­ri­men­tar can­ções no­vas, que já es­tão to­das gra­va­das. Es­te EP sur­giu meio de sur­pre­sa: uma vez que te­mos es­tas mú­si­cas no­vas, a Blitz Re­cords de­ci­diu pro­por-nos es­ta an­te­ci­pa­ção, com can­ções que ilus­tram a di­ver­si­da­de da­qui­lo que vai ser o ál­bum: umas mais cal­mas, ou­tras mais rá­pi­das... E es­ta­mos mui­to sa­tis­fei­tas com o ca­mi­nho e a cum­pli­ci­da­de de ca­da uma na com­po­si­ção. Es­ta­mos tal­vez um bo­ca­di­nho mais rock e mais di­re­tas, mas fe­li­zes com o re­sul­ta­do. As Anar­chicks têm uma mar­ca co­le­ti­va mui­to pró­pria. Ain­da as­sim, a vo­ca­lis­ta cos­tu­ma dar a ca­ra em pri­mei­ra ins­tân­cia. Co­mo cor­reu es­te pro­ces­so de mu­dan­ça? Foi um bo­ca­do atri­bu­la­do. Há uns dois anos, a an­ti­ga vo­ca­lis­ta de­ci­diu que não que­ria mais con­ti­nu­ar, e ti­ve­mos que ar­ran­jar ou­tra pes­soa pa­ra uma sé­rie de concertos que tí­nha­mos mar­ca­dos. Por es­tar­mos meio de­ses­pe­ra­das, fi­ze­mos um open- call pa­ra en­con­trar ou­tra voz. Fo­ram vá­ri­as as pes­so­as que se can­di­da­ta­ram, mas quan­do vi­mos a Mar­ta, foi de­ci­são ime­di­a­ta. De­pois do pri­mei­ro dis­co e des­se “cas­ting”, fi­cou com a sen­sa­ção que as mu­lhe­res se iden­ti­fi­cam com es­te mo­vi­men­to Ri­ot Gr­r­rl? Sim, que há mui­tas mu­lhe­res a que­rer fa­zer música, mas tam­bém a per­ce­ber que é com­pli­ca­do pa­ra mui­tas: ou não têm in­for­ma­ção, ou por­que os na­mo­ra­dos é que têm as ban­das e elas fi­cam pa­ra trás... Mas há mui­ta gen­te com ta­len­to e há ca­da vez mais ban­das a apa­re­cer, o que é bom. Sen­te tam­bém que es­sa po­de ser ou­tra mis­são das Anar­chicks? Mos­trar que as mu­lhe­res tam­bém po­dem fa­zer rock? Pá, sim. Mas as coi­sas tam­bém não são fá­ceis pa­ra nós. Há mú­si­cos que di­zem que is­to é um dis­pa­ra­te – e nor­mal­men­te são ga­jos que o di­zem. Mas ain­da há ra­pa­ri­gas que tam­bém pen­sam que vai pa­re­cer mal! De­pois há si­tu­a­ções des­con­for­tá­veis, co­mo es­tar­mos a fa­zer sound­check e o téc­ni­co de som a que­rer ex­pli­car-me co­mo é que eu afi­no o bai­xo, quan­do o fa­ço há anos! Há um pa­ter­na­lis­mo es­tú­pi­do e ir­ri­tan­te... Tam­bém sen­te o ca­va­lhei­ris­mo? São coi­sas dis­tin­tas. Ca­va­lhei­ris­mo é um téc­ni­co de som, por exem­plo, le­var-me o bai­xo pa­ra o pal­co pa­ra dar uma aju­di­nha. Is­so é fi­xe, agra­de­ço, por­que o bai­xo é pe­sa­do. Mas di­ze­rem-me: “Olha, que­ri­di­nha, tens que pôr a afi­na­ção mais as­sim...” é es­tú­pi­do. Se eu fos­se um ga­jo bar­bu­do, não me di­zia is­so. Quan­do hou­ver montes de ga­jas a to­car, já vai ser igual. Se ca­lhar, nes­sa al­tu­ra, ha­ve­rá mais téc­ni­cas de som! Olha, por­que não? Há pouquís­si­mas a fa­zer is­so! Mas no nos­so país tam­bém é di­fí­cil as pes­so­as de­di­ca­rem-se a 100% à música. Tam­bém te­mos de ter ou­tros tra­ba­lhos. Eu sou ve­te­ri­ná­ria, a ba­te­ris­ta é copy­wri­ter; a vo­ca­lis­ta é neu­rop­si­có­lo­ga e a gui­tar­ris­ta é neu­ro­bi­oquí­mi­ca. Te­mos con­tas pa­ra pa­gar!

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