RO­BER­TA ME­DI­NA

En­tre­vis­ta com a “Sra. Rock in Rio” an­tes da festa

Metro Portugal (Lisbon) - - PRIMEIRA PÁGINA - BRU­NO MAR­TINS

Ao fim de 12 anos, os tra­ba­lhos de mon­ta­gem do Rock in Rio (RiR) já acon­te­cem em velocidade de cru­zei­ro?

Uma par­te, sim. Es­tar no mes­mo lo­cal fa­ci­li­ta mui­to. Va­mos apren­den­do com o es­pa­ço que, ano após ano, vai fi­can­do mais pre­pa­ra­do. Mas mais do que o es­pa­ço, são as pes­so­as, e nós te­mos ti­do o pri­vi­lé­gio de man­ter uma equi­pa ex­pe­ri­en­te, que as­su­me res­pon­sa­bi­li­da­des e sa­be o que fa­zer.

Ago­ra é em velocidade de cru­zei­ro... Co­mo foi em 2004? Os so­nos eram mais com­pli­ca­dos?

Con­ti­nu­am a ser! É um pro­je­to de al­to ris­co, de ne­gó­cio e tam­bém de vi­das: é uma mul­ti­dão pa­ra ge­rir. E não te­mos um ensaio pa­ra ver se dá cer­to: no dia em que co­me­ça, na­que­la ho­ra, tem mes­mo de co­me­çar e cor­rer bem.

O ob­je­ti­vo é re­no­var e acres­cen­tar ex­pe­ri­ên­ci­as ao even­to ou man­ter o que já con­se­gui­ram?

É um mix dos dois. Há uma coi­sa que me dei­xa mui­to or­gu­lho­sa. Se olhar pa­ra a pri­mei­ra edi­ção, os prin­cí­pi­os, os va­lo­res e a es­sên­cia con­ti­nu­am os mes­mos: jun­tar pes­so­as pe­la mú­si­ca, com a me­lhor qua­li­da­de de som pos­sí­vel, gran­des con­cer­tos e os me­lho­res ar­tis­tas. Mas é mui­to mais do que ir ver con­cer­tos: é cri­ar ex­pe­ri­ên­ci­as, cri­ar his­tó­ri­as de vi­da. Is­so con­ti­nua. Evo­luiu de um ce­ná­rio fo­ca­do ape­nas na mú­si­ca pa­ra um even­to em que o en­tre­te­ni­men­to é tão im­por­tan­te co­mo a mú­si­ca – é co­mo um par­que de di­ver­sões da mú­si­ca. A al­te­ra­ção foi es­sa. Man­ten­do a es­sên­cia do pro­je­to, que­re­mos sur­pre­en­der o con­su­mi­dor.

O pú­bli­co por­tu­guês é ho­je mais exi­gen­te?

Não só o por­tu­guês. Se olhás­se­mos, há uns anos, pa­ra os ca­be­ças de car­taz de um fes­ti­val da di­men­são do RiR, ía­mos en­con­trar sem­pre os mes­mos. Dos úl­ti­mos dez anos pa­ra cá, há uma ofer­ta de ban­das que são, cer­ta­men­te, ca­pa­zes de mo­ver mas­sas: Cold­play, Mu­se, Katy Per­ry, Beyon­cé... são no­mes que fo­ram ga­nhan­do uma gran­de di­men­são. Hou­ve uma re­no­va­ção de ofer­ta de ar­tis­tas pa­ra gran­des mas­sas. Mas exis­te uma no­va on­da, mais fo­ca­da em fes­ti­vais de ni­cho, que é a on­da da mú­si­ca al­ter­na­ti­va. Ga­nhou mui­to es­pa­ço! Ain­da as­sim, o que mo­ve o pú­bli­co do RiR ain­da é mui­to o mains­tre­am.

Os even­tos que têm fei­to em Portugal tam­bém fo­ram im­por­tan­tes na apren­di­za­gem pa­ra o re­gres­so do even­to pa­ra o Bra­sil e a es­treia nou­tros mer­ca­dos? Co­mo Espanha ou, mais re­cen­te­men­te, Las Ve­gas, nos EUA?

Sem dú­vi­da. Portugal trou­xe pa­ra o RiR um mo­de­lo de ne­gó­cio viá­vel. Até 2001, no Bra­sil, sem pa­tro­ci­na­do­res, não era viá­vel. Aqui en­con­trá­mos ou­tra eco­no­mia: po­mos me­nos pres­são no mer­ca­do pu­bli­ci­tá­rio, cor­re-se mais ris­cos, mas é viá­vel. Fe­liz­men­te, a eco­no­mia bra­si­lei­ra evo­luiu pa­ra en­con­trar­mos es­se pon­to de equi­lí­brio. Ter­mos cri­a­do um even­to cons­tan­te, de dois em dois anos, tam­bém nos per­mi­tiu cri­ar uma equi­pa per­ma­nen­te que con­se­gue es­tar em tan­tos paí­ses.

E Las Ve­gas? Uma cidade que é um par­que de di­ver­sões...

Exa­ta­men­te, mas pa­ra adul­tos (ri­sos). Foi uma boa sur­pre­sa per­ce­ber que, ape­sar da di­men­são e di­ver­si­da­de do mer­ca­do, não têm na­da co­mo o RiR. Não exis­te es­te mo­de­lo pa­ra pú­bli­cos mais alar­ga­dos.

Já apon­tam a ou­tros ter­ri­tó­ri­os?

Sim. Há mer­ca­dos com po­ten­ci­al. Há dis­cus­sões com a Chi­na, com o Du­bai... são con­ver­sas que le­vam tem­po. O pró­xi­mo a ser anun­ci­a­do de­ve­rá ser a Ar­gen­ti­na, pa­ra 2018.

O clima só­cio-po­lí­ti­co do Bra­sil po­de in­vi­a­bi­li­zar no­vas edi­ções do RiR?

Não creio. O que po­de acon­te­cer é não es­go­tar to­dos os dias, coi­sa que acon­te­ceu nas úl­ti­mas três edi­ções. O que não quer di­zer que se­ja mau.

E em Portugal? Quais as ex­pe­ta­ti­vas pa­ra es­ta edi­ção? O que é que vai que­rer mes­mo ver aqui em Lis­boa?

O dia que es­tá na fren­te é com Ma­ro­on 5, Ive­te San­ga­lo e D.A.M.A. É um dia “su­per-re­don­di­nho” de perfil de pú­bli­co. É um dia mui­to fe­liz, al­to as­tral! Mas o primeiro fim de se­ma­na é bom­bás­ti­co: to­dos os ca­be­ças de car­taz são uma mos­tra de ar­tis­tas que são ca­pa­zes de fa­zer um ali­nha­men­to em que, da pri­mei­ra à úl­ti­ma mú­si­ca, põem as pes­so­as a can­tar. E acho is­so um má­xi­mo!

A um mês do Rock in Rio Lis­boa 2016, pas­seá­mos pe­la Bela Vis­ta com a vi­ce- pre­si­den­te do even­to, que nos re­ve­lou quais os de­sa­fi­os de cri­ar uma das mai­o­res fes­tas de mú­si­ca do País.

© JOÃO FERRÃO

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