Mudho­ney, uma ban­da que do­mi­na a ar­te de bem en­ve­lhe­cer

Mark Arm, vo­ca­lis­ta, diz-nos co­mo vai ser o con­cer­to de ama­nhã no Pri­ma­ve­ra Sound, Porto. Se­rá um re­gres­so a Por­tu­gal, no­ve anos de­pois de to­ca­rem em... Ca­ci­lhas.

Metro Portugal (Lisbon) - - PRIMEIRA PÁGINA -

Por­que há mui­ta gen­te em pul­gas, vou co­me­çar por per­gun­tar o que é que es­tão a pre­pa­rar pa­ra o con­cer­to no Porto. O úl­ti­mo dis­co que fi­ze­ram foi o “Va­nishing Point”, em 2013... Bem, o que fa­lá­mos foi lim­par o pó a can­ções que não to­ca­mos há mui­to tem­po. Al­gu­mas que a ra­pa­zi­a­da nem se­quer to­cou ao vivo. E de­pois tocar coi­sas com que as pes­so­as es­tão mais fa­mi­li­a­ri­za­das. São qua­se 30 anos de ban­da. É ver­da­de que ain­da têm de ti­rar férias pa­ra ir em di­gres­são? O Guy [Mad­di­son] tem mes­mo de ter férias – é en­fer­mei­ro no hos­pi­tal de Se­at­tle. Eu tra­ba­lho na [edi­to­ra] SubPop – que é de on­de es­tou a fa­lar – por is­so não pre­ci­so de férias: ape­nas não re­ce­bo! (ri­sos) E o Dan [Pe­ters] e o Ste­ve [Tur­ner] tra­ba­lham por con­ta pró­pria. Le­var um en­fer­mei­ro em di­gres­são é sem­pre útil. Sem dú­vi­da! É óti­mo, pa­ra quan­do sin­to que vem aí um ataque car­día­co! [ri­sos]. “Guy, aju­da-me! Aju­da-me!” E co­mo é tocar as can­ções mais an­ti­gas? Há al­gum sen­ti­men­to de nos­tal­gia que in­va­de o pal­co? Às ve­zes, olhar e ou­vir al­gu­mas des­tas le­tras pa­re­ce... não sei... pa­re­ce tu­do mui­to exa­cer­ba­do, cheio de an­gús­ti­as e coi­sas que ho­je em dia acho pi­a­da! Era tu­do tão, apa­ren­te­men­te, de­ses­pe­ra­do [ri­sos]. Nem tu­do, ok, mas às ve­zes sin­to-me fe­liz por já não me sen­tir as­sim. Por exem­plo: uma can­ção co­mo “Ne­ed, do [EP de estreia] “Su­per­fuzz Big­muff ” (1988) em que a pes­soa que es­cre­veu aqui­lo pa­re­cia que es­ta­va a in­ven­tar! As coi­sas nun­ca po­di­am ser as­sim tão más! (ri­sos) Mas são can­ções que dis­se­ram tan­to a uma ge­ra­ção... Mui­tas das can­ções que vo­cês e a ge­ra­ção de Se­at­tle ofe­re­ce­ram ao mun­do até che­ga­ram a sal­var vi­das. Acha que as ge­ra­ções de ho­je ain­da ou­vem mú­si­ca com es­sa pai­xão? Não sei. Ado­ra­va en­trar na ca­be­ça dos ou­tros e per­ce­ber o que pen­sam, mas pa­ra mim, são um mis­té­rio. Mas é um ho­mem en­vol­vi­do na mú­si­ca: tem uma ban­da, tra­ba­lha nu­ma edi­to­ra. Não tem es­sa no­ção da for­ma co­mo ho­je se con­so­me mú­si­ca? Sim, mas tra­ba­lho num ar­ma­zém! E ba­si­ca­men­te só te­nho tra­ba­lho de ar­ru­mar dis­cos e en­viá-los! Mark, e de­pois da di­gres­são? Vão vol­tar ao es­tú­dio? Sim, qu­e­re­mos mui­to fa­zer um dis­co novo. A ideia era es­cre­ver can­ções du­ran­te es­te ano, mas eu e o Ste­ve es­ti­ve­mos en­vol­vi­dos no re­gres­so dos The Mon­key wren­ch. Mas o mais di­fí­cil, ho­je em dia, é con­se­guir ter tem­po pa­ra en­sai­ar. No má­xi­mo, só uma vez por se­ma­na: o Ste­ve vi­ve em Por­tland, a três ho­ras de Se­at­tle. E con­te lá: quais as can­ções de Mudho­ney que o ain­da fa­zem ‘roc­kar’ co­mo um adolescente nos anos 80? Há al­gu­mas que me fa­zem li­gar a um sí­tio que exis­tiu há mui­tos anos: “In ‘n’ Out of Gra­ce” ou “1995”... E vai ser um re­gres­so a Por­tu­gal. A úl­ti­ma vez que es­ti­ve­ram por cá, se bem me lem­bro, foi em 2007 no Cul­to Club, em Ca­ci­lhas. Lem­bro-me que o bar es­ta­va mes­mo fe­cha­do e abriu pa­ra o con­cer­to. Nem ha­via ca­sas de ba­nho... Foi in­crí­vel e su­per di­ver­ti­do. Mas as ca­sas de ba­nho tre­san­da­vam (ri­sos). E ago­ra es­ta­mos an­si­o­sos por pas­sar al­gum tem­po no Porto!

© EMILY RIEMAN

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