No di­vã

Metro Portugal (Lisbon) - - LAZER -

Há ve­zes na vi­da em que, acen­den­do-se-me uma su­pos­ta lu­ci­dez au­to­crí­ti­ca ele­va­dís­si­ma, me jul­go a pi­or pes­soa do mun­do: com os mai­o­res pro­ble­mas psi­cos­so­má­ti­cos, cor­po­rais, in­te­lec­tu­ais, afe­ti­vos, so­ci­ais, fa­mi­li­a­res, se­xu­ais, mo­rais, re­li­gi­o­sos, exis­ten­ci­ais. No en­tan­to, re­co­nhe­ço ago­ra com a ver­da­dei­ra lu­ci­dez da es­cri­ta que es­te au­to­bom­bar­de­a­men­to tri­bu­na­li­za­do pe­lo su­per-ego tam­bém po­de­rá ser uma ilu­ci­dez ne­ga­ti­va e ado­les­cen­te, so­lip­sis­ta, que vê o su­jei­to co­mo o cen­tro do mun­do, o me­lhor ou o pi­or su­jei­to do uni­ver­so. É que, por exem­plo, num des­tes do­min­gos à noi­te, (...) fa­zen­do zap­ping te­le­vi­si­vo (to­man­do os de­vi­dos cui­da­dos por ser a te­le­vi­são um dos sí­ti­os mais neu­ró­ti­cos do mun­do), pa­rei um bo­ca­di­nho (...) na TVI, no “Lo­ve on Top”, que é mais re­al do que pa­re­ce, e caí em mim, me­lhor, caí na re­al: es­tan­do o mun­do co­mo es­tá, afi­nal, es­tou mui­to bem e re­co­men­do-me; não sen­do a mi­nha vi­da a me­lhor ou a pi­or de to­das as vi­das que exis­tem, é afi­nal uma das mais fe­li­zes, equi­li­bra­das e sau­dá­veis do mun­do hu­ma­no e hu­ma­noi­de. NEL­SON MI­GUEL BAN­DEI­RA, POR­TO

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