EN­TRE­VIS­TA: RANGDA

Con­ver­sa com o trio de ilus­tres an­tes dos con­cer­tos

Metro Portugal (Lisbon) - - PRIMEIRA PÁGINA -

Os Rangda – no­me que fo­ram bus­car em­pres­ta­do à rai­nha dos de­mó­ni­os leyak da ilha de Ba­li, na In­do­né­sia – es­tão jun­tos des­de me­a­dos de 2009. A ras­gar as gui­tar­ras es­tão Ben Chasny e Sir Ri­chard Bishop. A par­tir as ta­ro­las es­tá Ch­ris Cor­sa­no, ver­sá­til ba­te­ris­ta, que nos ex­pli­ca que, de­pois de três dis­cos, as fron­tei­ras da cri­a­ti­vi­da­de es­tão ca­da vez mais aber­tas. Sim, é rock psi­ca­dé­li­co, uma de­fi­ni­ção que per­mi­te abra­çar múl­ti­plas es­té­ti­cas. A não per­der ho­je na ga­le­ria ZDB, em Lis­boa; ama­nhã no Sa­lão Bra­sil, em Coim­bra; e quar­ta-fei­ra no Ago­ra Aqui, em Gui­ma­rães. Vêm de uma re­si­dên­cia que du­rou três di­as no Ca­fé Oto, em Lon­dres, In­gla­ter­ra. O que nos vêm mos­trar? O vos­so úl­ti­mo dis­co, “The He­re­tic’s Bar­gain” ou há sem­pre uma par­te de im­pro­vi­so nos vos­sos con­cer­tos ao vi­vo? Há sem­pre. Até nos dis­cos há im­pro­vi­so. To­car com es­tes ga­jos re­pre­sen­ta sem­pre to­car can­ções, mas com par­tes em que as coi­sas fi­cam mui­to li­vres. E is­so de­pen­de tam­bém do pú­bli­co e do es­pa­ço. Es­te no­vo dis­co mis­tu­ra sec­ções em que se sen­te um la­do me­ló­di­co e es­tru­tu­ra­do, mais li­ga­do à can­ção, e ou­tras par­tes mais “noisy”. Acho que es­ta­mos a fa­zê-lo me­lhor. Te­mos du­as for­mas dis­tin­tas de to­car gui­tar­ra que tal­vez es­te­jam ho­je mais fun­di­das – en­tre o jam e par­tes es­cri­tas. Gos­to do es­ba­ter de iden­ti­da­des: qu­an­do as coi­sas co­me­çam a ser mais flui­das, as fron­tei­ras fi­cam mais aber­tas e acon­te­cem coi­sas mui­to in­te­res­san­tes. No seu ca­so, en­quan­to ba­te­ris­ta, sen­te que se en­cai­xa bem nes­sas du­as for­mas de to­car gui­tar­ra? Nun­ca me pre­o­cu­po mui­to com os gé­ne­ros que es­tou an­tes a to­car, mas sim com as pes­so­as. Fui à pro­cu­ra foi das coi­sas que te­nho em co­mum com ca­da um de­les, aqui­lo que par­ti­lha­mos, ape­sar das di­fe­ren­tes in­fluên­ci­as de ca­da um. É uma ques­tão de in­tui­ção, di­go eu. Sei que o Ben tem um sen­ti­do de rit­mo mui­to elás­ti­co. E o Rick apre­sen­ta um enor­me sen­ti­do de trans­cen­dên­cia (ri­sos) além de um gui­tar­ris­ta ve­loz, con­se­gue sem­pre fa­zer al­go mais sur­pre­en­den­te. E an­dar em di­gres­são com os ami­gos? Fa­lam mui­to de mú­si­ca? Tro­cam idei­as so­bre o vos­so fu­tu­ro ou a mú­si­ca é só no pal­co? Ago­ra que me di­zes is­so: te­nho de man­dar ao Rick o ví­deo de um in­di­a­no que to­ca man­do­lim elé­tri­co – é in­crí­vel. E lem­brei-me por­que ou­vi o Rick a to­car e fez-me re­cor­dar es­se ti­po. Con­ver­sa­mos mui­to so­bre ou­tros dis­cos – so­mos to­dos apai­xo­na­dos por mú­si­ca. Até ago­ra, te­mos olha­do ape­nas pa­ra o mo­men­to: gos­ta­mos ou não gos­ta­mos? Te­mos es­ta­do em sin­to­nia. To­car ao vi­vo dá-lhe mais von­ta­de de con­ti­nu­ar a to­car ou ir pa­ra es­tú­dio com­por e gra­var? Va­mos ver! Es­tou cu­ri­o­so pa­ra ver co­mo vai ser. Ado­ro ir pa­ra es­tú­dio com eles, é in­crí­vel, mes­mo pas­san­do-se mui­tas ho­ras fe­cha­dos. Ir em di­gres­são faz-me per­ce­ber que sou um sor­tu­do. Mas acho que os con­cer­tos dão-me von­ta­de de to­car mais ao vi­vo! Não há que pen­sar em mui­ta coi­sa: to­co mais de im­pro­vi­so e só te­nho de pen­sar no mo­men­to.

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