Não há apps grá­tis. Nem al­mo­ços

PC Guia - - ON - PEDRO ANICETO aniceto@mac.com

Quan­do o leitor in­ves­te dois ou três eu­ro­sos nu­ma apli­ca­ção ven­di­da na App Sto­re não es­tá tá à es­pe­ra de que a apli­ca­ção se­ja usa­da para sem­pre. e. Se es­ti­ver­mos a fa­lar de um jo­go, en­tão, sa­be­mos que a vi­da útil des­se pe­da­ço de có­di­go não se­rá mui­to lon­ga. São mui­to ra­ros os tí­tu­los que jo­ga­mos mais de um ano, é ra­rís­si­mo (mas não com­ple­ta­men­te im­pos­sí­vel) que se­jam jo­ga­dos du­ran­te anos e anos. Mas se is­to é as­sim no de­par­ta­men­to lú­di­co, no de­par­ta­men­to das apps de pro­du­ti­vi­da­de é com­ple­ta­men­te di­fe­ren­te. Exis­tem apps que são ver­da­dei­ros sal­va-vi­das. Da­que­las que usa­mos até à exaus­tão e que, se um dia nos fa­lham, por qual­quer ra­zão, amal­di­ço­a­mos a vi­da, a mãe­zi­nha do pro­gra­ma­dor ou o mo­men­to em que lhe de­ci­di­mos con­fi­ar a mis­são de nos aju­dar em qual­quer ope­ra­ção. A es­tru­tu­ra da mai­or par­te dos pu­blishers de soft­ware iOS é mui­to pe­que­na. Nor­mal­men­te, são mi­cro-em­pre­sas que de­pen­dem de uma ou du­as pes­so­as para fun­ci­o­nar. Não ra­ra­men­te, es­tes pro­gra­ma­do­res aban­do­nam pro­jec­tos por­que mu­dam de em­pre­ga­dor, ou pu­ra e sim­ples­men­te de­sa­pa­re­cem de cir­cu­la­ção. Nos pro­jec­tos de um só ho­mem, mes­mo que de su­ces­so, não é di­fí­cil fa­zer ven­das de um nú­me­ro im­pres­si­o­nan­te de apli­ca­ções, cri­ar uma ba­se de su­por­te fi­el e, de re­pen­te, dei­xar aban­do­na­dos uns mi­lha­res de uti­li­za­do­res. Um up­gra­de de sis­te­ma, um up­gra­de de te­le­fo­ne e, de re­pen­te, te­mos nas mãos uma app que ou­tro­ra foi o me­lhor ami­go do ho­mem e que de re­pen­te se tor­na um in­có­mo­do até a subs­ti­tuir­mos. Não é a pri­mei­ra vez que is­to me acon­te­ce, de­pen­der mui­to de um soft­ware e per­ce­ber que o mes­mo dei­xou de fun­ci­o­nar num up­gra­de, per­cor­rer a via sa­cra do su­por­te que não res­pon­de (por aban­do­no) ou, mais in­cri­vel­men­te, ter co­mo res­pos­ta que a em­pre­sa foi com­pra­da e que o pro­du­to ago­ra mu­dou de no­me e se o qui­ser que o com­pre. Sim, lá fo­ra o mun­do é cru­el. Mas e quan­do um cons­tru­tor glo­bal de­ci­de aban­do­nar uma app que ven­deu (e por ve­zes a bom pre­ço) co­mo com­ple­men­to do seu hardware? Acon­te­ceu-me es­ta se­ma­na e não quis acre­di­tar que as pri­mei­ras res­pos­tas às quei­xas re­gis­ta­das por par­te de cli­en­tes ti­ves­sem si­do «O nos­so pro­gra­ma­dor de­ser­tou». O que não dei­xa de ser uma iro­nia. Es­tá cla­ro que não tar­da­rá que, na mi­nha cai­xa de cor­reio, eu te­nha um des­tes di­as um email a di­zer «O pro­du­to X ago­ra cha­ma-se Y e se qui­ser con­ti­nu­ar a tê-lo com­pre-o». É uma es­pé­cie de pi­ra­ta­ria le­gal.

Exis­tem apps que são ver­da­dei­ros sal­va-vi­das. Da­que­las que usa­mos até à exaus­tão e que, se um dia nos fa­lham, por qual­quer ra­zão, amal­di­ço­a­mos a vi­da, a mãe­zi­nha do pro­gra­ma­dor (...)

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