ESA lan­ça sa­té­li­te me­te­o­ro­ló­gi­co Ae­o­lus com atra­so de 15 anos

Apa­nhá­mos o fo­gue­tão (na ver­da­de, foi um co­mum avião da TAP) e fo­mos até Tou­lou­se, à se­de da Air­bus, co­nhe­cer aque­le que se­rá o mais re­cen­te sa­té­li­te da ESA a en­trar em ór­bi­ta: o lan­ça­men­to es­tá mar­ca­do pa­ra 21 de Agos­to.

PC Guia - - ON - POR RI­CAR­DO DU­RAND, EM TOU­LOU­SE (FRAN­ÇA)

Um con­vi­te pa­ra vi­si­tar uma ins­ta­la­ção ci­en­tí­fi­ca eu­ro­peia não é de dei­xar pas­sar ao la­do. Mui­to mais qu­an­do se tra­ta da Agência Es­pa­ci­al Eu­ro­peia e da Air­bus, que unem es­for­ços há vá­ri­os anos pa­ra o de­sen­vol­vi­men­to de so­lu­ções ae­ro­náu­ti­cas. Nes­te ca­so, o pre­tex­to era co­nhe­cer me­lhor o Ae­o­lus, o no­vo sa­té­li­te me­te­o­ro­ló­gi­co des­te con­sór­cio que vai ser lançado a 21 de Agos­to, a par­tir da ba­se da ESA na Gui­a­na Fran­ce­sa (Amé­ri­ca do Sul). Uma das coi­sas que fal­ta é co­lo­car o sa­té­li­te den­tro de um con­ten­tor es­pe­ci­al que vai ga­ran­tir pro­tec­ção tér­mi­ca. Che­ga­do a Gui­a­na há vá­ri­os tes­tes eléc­tri­cos a fa­zer – de­pois, o Ae­o­lus se­rá co­lo­ca­do a bor­do de um fo­gue­tão Ve­ga, que o vai le­var até à ór­bi­ta ter­res­tre.

ALADIN… MAS SEM TAPETE VOADOR

Em con­cre­to, a mis­são do Ae­o­lus é «me­lho­rar a qua­li­da­de das pre­vi­sões me­te­o­ro­ló­gi­cas» e fa­zer com que os ci­en­tis­tas «com­pre­en­dam me­lhor as di­nâ­mi­cas at­mos­fé­ri­cas», ex­pli­cou Ri­chard Wim­mer, pro­ject ma­na­ger do Ae­o­lus. Pa­ra is­so, o Ae­o­lus se­rá o pri­mei­ro sa­té­li­te do mun­do a ter um apa­re­lho Li­DAR (Light De­tec­ti­on And Ran­ging) que vai fa­zer um var­ri­men­to ho­ri­zon­tal dos ven­tos ter­res­tres. O Ae­o­lus faz uma me­di­ção dos ven­tos des­de a su­per­fí­cie ter­res­tre até uma al­ti­tu­de de 30 km. O sis­te­ma de Li­DAR cri­a­do pe­la ESA tem um no­me cu­ri­o­so: ALADIN (At­mosphe­ric LA­ser Dop­ple INs­tru­ment).

UM “POLVO” ES­PA­CI­AL

O pro­jec­to Ae­o­lus te­ve um cus­to de 481 mi­lhões de eu­ros (sem ope­ra­ções) e te­ve um atra­so de quin­ze anos, al­go que os ges­to­res de pro­jec­to ti­ve­ram al­gu­ma di­fi­cul­da­de em ex­pli­car. «Sa­bem, há sem­pre ajus­tes a fa­zer e sem­pre que apli­cá­va­mos uma no­va tec­no­lo­gia sur­gia um pro­ble­ma nou­tro lo­cal», dis­se Ri­chard Wim­mer.O ges­tor de pro­jec­to che­gou mes­mo a fa­zer uma cu­ri­o­sa ana­lo­gia. «De­sen­vol­ver es­te sa­té­li­te foi co­mo cor­tar ten­tá­cu­los a um polvo: re­sol­vía­mos um pro­ble­ma e apa­re­cia mais dois ou três ten­tá­cu­los; ar­ran­já­va­mos tu­do e sur­gi­am mais cin­co ou seis. Foi uma lu­ta que de­mo­rou mui­tos anos». De­pois de en­trar em ór­bi­ta, o Ae­o­lus vai dar as pri­mei­ras aná­li­ses aos ci­en­tis­tas em 2018, mas os pri­mei­ros da­dos ope­ra­ci­o­nais só che­gam à Ter­ra a par­tir de Mar­ço/Abril de 2019.

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Portugal

© PressReader. All rights reserved.