MÁ LÍN­GUA

Publico - Fugas - - DE PORTA ABERTA -

Rua da Se­nho­ra do Mon­te, 1C, Lis­boa ma­lin­gua.gra­ca@gmail.com Ho­rá­rio: Se­gun­da-fei­ra a sá­ba­do das 12h à 1h Pre­ços: Tá­bu­as de en­chi­dos ou quei­jo a 10,50 eu­ros (4,5 eu­ros se for ape­nas um quei­jo ou um en­chi­do), fo­lha­di­nho de alhei­ra de ur­ti­gas a 4,50 eu­ros, bur­ra­ta com to­ma­ta­da ca­sei­ra a 6 eu­ros, ce­vi­che de pei­xe do dia a 9 eu­ros. Sa­la­das a 8 eu­ros e ti­bor­nas en­tre 8,59 e 9,59 eu­ros. Há tos­tas a 4,70 eu­ros e che­e­se­ca­ke (da vi­zi­nha) a 2,50 eu­ros. Ate­neu Co­mer­ci­al de Lis­boa, fe­cha­do des­de Ju­lho do ano pas­sa­do.

A emen­ta é fei­ta para sen­tar à me­sa ami­gos de to­dos os fei­ti­os. “O que é di­fí­cil em Lis­boa é con­ci­li­ar as vá­ri­as formas de co­mer” de co­mer no mes­mo es­pa­ço. Por is­so, Li­li­a­na fez por re­sol­ver o pro­ble­ma lo­go à par­ti­da: há pra­tos ve­ge­ta­ri­a­nos, há ve­ga­nos, sem glú­ten e sem lac­to­se de­vi­da­men­te as­si­na­la­dos.

Na­tu­ral de Cas­te­lo Branco, Li­li­a­na é fi­lha de “ex­ce­len­tes co­zi­nhei­ros”. Des­de os tem­pos de es­tu­dan­te na ca­pi­tal se dei­xou me­ter no meio dos ta­chos: tra­ba­lhou a part-ti­me na res­tau­ra­ção, fez for­ma­ções, cri­ou um blog. o “Ami­gos e Sa­bo­res”, deu-se o fe­ed­back que lhe fal­ta­va para olhar a co­zi­nha de fren­te, co­mo um pro­jec­to de fu­tu­ro.

Vítor, “na­tu­ral dos ar­re­do­res de Lis­boa” e an­tro­pó­lo­go de for­ma­ção, é o res­pon­sá­vel pe­la se­lec­ção de vi­nhos, o “man­da chu­va” da agen­da ar­tís­ti­ca que o es­pa­ço qu­er ter. “É a nos­sa ca­sa, mas é a ca­sa de ou­tras pes­so­as que po­dem dar a co­nhe­cer o seu tra­ba­lho e fa­zer acon­te­cer aqui coi­sas”. Faz par­te do con­cei­to do Má Lín­gua ter pro­gra­ma­ção cul­tu­ral: concertos, ci­clos de cinema, ex­po­si­ções, jam ses­si­ons.

Mais do que nun­ca sen­tem que abri­ram as por­tas de ca­sa. Os mó­veis com­pra­ram-nos nu­ma das lo­jas so­li­dá­ri­as da As­so­ci­a­ção Re­mar, que ven­de pe­ças usa­das e cu­jo va­lor re­ver­te para o apoio a pes­so­as so­ci­al­men­te ex­cluí­das. Tu­do o res­to tor­na este es­pa­ço nu­ma “ga­le­ria da arte dos ami­gos”. Os can­de­ei­ros e as pra­te­lei­ras são obra de Hu­go Zu­zar­te, da To­ro Oficina. João Abreu Va­len­te (Stu­dio JAV) as­si­na a au­to­ria das loi­ças. Os ma­cra­més e al­mo­fa­das são da NÓ, de Te­re­sa Mo­ta Fer­rei­ra, e até os ami­gos can­tam. John Dou­glas abriu es­ta quin­ta-fei­ra as hos­tes de uma agen­da cul­tu­ral que se qu­er cheia e di­ver­sa.

“Não fa­ze­mos se­não par­ti­lhar”, Ri­ta di-lo co­mo se o con­cei­to fos­se, não só a in­tro­du­ção do es­pa­ço, mas tam­bém o seu re­su­mo. “É fei­to para par­ti­lhar co­mi­da, par­ti­lhar a me­sa, par­ti­lhar do teu tra­ba­lho e do tra­ba­lho dos ou­tros”, ex­pli­ca Vítor.

“Man­ti­nha e ces­ti­nha”

Ter um res­tau­ran­te na Gra­ça era “uma ob­ses­são”. Li­li­a­na e Vítor já vi­vi­am no bair­ro, há mui­to que se apai­xo­na­ram por “este lu­gar que tem o me­lhor dos dois mun­dos”: um equi­lí­brio en­tre o bair­ris­mo lis­bo­e­ta e o tu­ris­mo.

Mas sa­ber dis­to do bair­ris­mo é uma coi­sa, sen­ti-lo de per­to “dá ou­tro ar­re­pio”. Tão ce­do não vão dei­xar de fi­car sur­pre­en­di­dos sem­pre que a “vi­zi­nha da­qui da fren­te”, que trou­xe bo­li­nhos para a inau­gu­ra­ção, en­trar pe­la por­ta com al­gum do­ce nas mãos. O“che­e­se­ca­ke da vi­zi­nha” tam­bém já es­tá na emen­ta. Nou­tro lu­gar vi­ria um vi­zi­nho co­mo Lu­ci­a­no matar a se­de dos re­cém-che­ga­dos du­ran­te as obras?

“Que­re­mos fa­zer par­te do bair­ro e re­ce­be-los tão bem co­mo eles nos re­ce­bem, pa­re­ce-nos a mo­e­da de tro­ca”, diz Li­li­a­na. Tal­vez por is­so lhe te­nha sur­gi­do a ideia de le­var os pe­tis­cos para fo­ra do res­tau­ran­te: me­di­an­te o pa­ga­men­to de uma cau­ção, pode le­var um pi­que­ni­que, “ces­ti­nha e uma man­ti­nha”, para o miradouro da Se­nho­ra de Mon­te. Rua aci­ma, con­ver­sa ao la­do, os pe­tis­cos e o vi­nho na ces­ta. Mar­ga­ri­da Da­vid Car­do­so

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Portugal

© PressReader. All rights reserved.