Luís Du­ar­te quer Quin­ta de Val­bom no “to­po de ga­ma” dos vi­nhos do Dou­ro

Publico - Fugas - - VINHOS ELOGIO DO VINHO -

Foi no Dou­ro que o enó­lo­go Luís Du­ar­te pen­sou, sem he­si­tar, quan­do os pro­pri­e­tá­ri­os da Her­da­de dos Grous lhe dis­se­ram que que­ri­am ex­pan­dir a ac­ti­vi­da­de. “É uma re­gião sím­bo­lo” pa­ra quem faz vi­nho em Por­tu­gal, diz. E, ape­sar de ter nas­ci­do no Nor­te e de se ter for­ma­do em Trás-os-Mon­tes, até ago­ra a ex­pe­ri­ên­cia de Luís Du­ar­te ti­nha si­do no Alen­te­jo. Atraía-o, por is­so, a ideia de avan­çar pa­ra uma no­va re­gião. E, even­tu­al­men­te, de­pois pa­ra ou­tras.

Pôs-se a ca­mi­nho do Dou­ro pa­ra pro­cu­rar uma quin­ta, es­tá­va­mos en­tão em 2012. “Acho que nun­ca ti­nha vis­to tan­tas quin­tas na vi­da”, con­ta. A es­co­lha aca­bou por re­cair so­bre a Quin­ta de Val­bom, em Ca­ne­las, con­ce­lho de Pe­so da Ré­gua, mes­mo ao la­do da Quin­ta do Val­la­do (na su­bre­gião Bai­xo Cor­go). A Her­da­de dos Grous ad­qui­riu a Val­bom em Ju­nho e em Agos­to Luís Du­ar­te es­ta­va já a fa­zer a pri­mei­ra vin­di­ma.

Ago­ra, cin­co anos de­pois, che­gam ao mer­ca­do os pri­mei­ros vi­nhos da Quin­ta de Val­bom, dois tin­tos, um co­lhei­ta e ou­tro re­ser­va, fei­tos com mis­tu­ra de cas­tas tra­di­ci­o­nais do Dou­ro pro­ve­ni­en­tes de vi­nhas ve­lhas (mais ve­lhas, no ca­so do re­ser­va) e com pisa a pé em la­ga­res de pe­dra.

São am­bos vi­nhos de 2012 por­que Luís Du­ar­te, que su­bli­nha o “gran­de po­ten­ci­al de gu­ar­da que têm”, quis dar-lhes o tem­po ne­ces­sá­rio pa­ra os lan­çar no mer­ca­do na al­tu­ra pró­pria. E, em­bo­ra in­vo­lun­ta­ri­a­men­te, são “dos vi­nhos mais bi­o­ló­gi­cos do mun­do” por­que os an­te­ri­o­res pro­pri­e­tá­ri­os ti­nham dei­xa­do de tra­tar a vi­nha há já al­guns anos. “Te­mos vi­nhas com per­to de 90 ou 100 anos”, afir­ma, ex­pli­can­do que, com um to­tal de 27 hec­ta­res de vi­nha, es­ta é pro­va­vel­men­te uma das mai­o­res pro­pri­e­da­des do Dou­ro. No pri­mei­ro ano vi­ni­fi­ca­ram nu­ma ou­tra ade­ga mas en­tre­tan­to a ade­ga do Val­bom foi re­cu­pe­ra­da e es­tá já a ser usa­da.

O enó­lo­go fa­la com en­tu­si­as­mo do mun­do com­ple­xo que en­con­trou, em que em três hec­ta­res de vi­nha po­de­se ter “vá­ri­os ter­roirs di­fe­ren­tes” com di­ver­sas ex­po­si­ções so­la­res e al­ti­tu­des. Pa­ra já, afir­ma, só es­tá a tra­ba­lhar com vi­nhos tin­tos e não tem pla­nos pa­ra lan­çar um bran­co.

O Quin­ta de Val­bom Tin­to 2012 Dou­ro Doc, do qual fo­ram fei­tas 38 mil gar­ra­fas, tem um pre­ço de 28 eu­ros e o Quin­ta de Val­bom Tin­to Re­ser­va 2010 Dou­ro Doc (3,850 gar­ra­fas) 55 eu­ros. O ob­jec­ti­vo é che­gar a uma pro­du­ção de 120/150 mil gar­ra­fas. São, am­bos, vi­nhos que se des­ti­nam a res­tau­ran­tes e gar­ra­fei­ras se­lec­ci­o­na­das.

“Qu­e­ro que da­qui a cin­co ou dez anos a Quin­ta de Val­bom es­te­ja no to­po de ga­ma dos vi­nhos do Dou­ro”, afir­ma o enó­lo­go, que ao lon­go dos úl­ti­mos 13 anos cri­ou a mar­ca Her­da­de dos Grous e a con­so­li­dou no uni­ver­so dos vi­nhos do Alen­te­jo. O ob­jec­ti­vo, su­bli­nha, é que as du­as mar­cas se de­sen­vol­vam de for­ma au­tó­no­ma e que, a par­tir da­qui, a Quin­ta de Val­bom fa­ça o seu pró­prio ca­mi­nho.

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