Va­mos ati­rar os da­dos e es­co­lher um cock­tail?

Publico - Fugas - - DE PORTA ABERTA -

Cor­ri­am os “lou­cos anos 20” quan­do en­trou em vi­gor, na Amé­ri­ca, uma no­va lei que proi­bia o fa­bri­co, trans­por­te e ven­da de be­bi­das al­coó­li­cas por to­do o país.

A cha­ma­da Lei Se­ca vi­ria a ser re­vo­ga­da 13 anos de­pois, mas no en­tre­tan­to, e co­mo por cá se diz, o fru­to proi­bi­do foi sem­pre o mais ape­te­ci­do. Du­ran­te o pe­río­do de proi­bi­ção, os bair­ros dos Es­ta­dos Uni­dos inun­da­ram-se de ba­res clan­des­ti­nos. Os que que­ri­am be­ber en­con­tra­vam-se em sí­ti­os dis­cre­tos, mui­tas ve­zes si­tu­a­dos nas ca­ves de pa­da­ri­as ou res­tau­ran­tes, que das pou­cas ve­zes que eram re­fe­ri­dos nas ru­as, sem­pre em voz bai­xa, eram ape­li­da­dos de spe­a­ke­asy.

Ora, es­tes tem­pos já vão lon­ge mas na Rua da Fá­bri­ca, em ple­na bai­xa da ci­da­de do Por­to, abriu há du­as se­ma­nas um no­vo es­pa­ço de­di­ca­do à cock­te­la­ria que tem uma ca­ve ins­pi­ra­da nesta his­tó­ria ao jei­to de Al Ca­po­ne.

O gin, um dos des­ti­la­dos mais po­pu­la­res du­ran­te a proi­bi­ção ame­ri­ca­na, já ti­nha da­do no­me ao es­ta­be­le­ci­men­to an­te­ri­or de Mi­guel Ca­mões (The Gin Hou­se) e, por is­so, o no­vo bar jun­to das prin­ci­pais ar­té­ri­as da noi­te do Por­to nas­ceu pa­ra se jun­tar ao clu­be dos cocktails de au­tor, que con­ta ca­da vez com mais mem­bros.

O The Royal Cock­tail Club tem dois pi­sos e du­as car­tas de be­bi­das, qua­se co­mo se fos­sem dois ba­res com dois con­cei­tos, den­tro das mes­mas por­tas.

O an­dar do rés-do-chão, em con­tac­to com a rua, es­tá pen­sa­do pa­ra ser um es­pa­ço mo­vi­men­ta­do, de ro­ta­ção, on­de quem en­tra be­be e con­ver­sa de pé. Na car­ta des­te pi­so, ao la­do do pre­ço e dos in­gre­di­en­tes, po­dem ler-se pe­que­nas his­tó­ri­as que, se não da­vam to­das li­vros, de­ram ins­pi­ra­ção pa­ra os qua­tro cocktails de au­tor e os 14 mais tra­di­ci­o­nais que aqui se ser­vem, com um pe­que­no twist.

É por is­so que po­de en­con­trar a va­gue­ar pe­la sa­la o Char­ming Mr. H, um cock­tail com um sa­bor doce ob­ti­do a par­tir da mis­tu­ra de Hen­drick’s Gin com aro­mas flo­rais e que é fi­na­li­za­do com um to­que de gla­mour — o do es­pu­man­te tin­to (12€). A his­tó­ria da be­bi­da en­tre­la­ça-se com a de qua­tro mu­lhe­res que des­co­brem que o Mr. H, um po­lí­ti­co ex­tre­ma­men­te char­mo­so, vai ca­sar-se — e de­fi­ni­ti­va­men­te não é com a na­mo­ra­da.

Es­ta é mes­mo uma das his­tó­ri­as que deu um ro­man­ce, mas pa­ra quem quer um en­con­tro mais des­com­pro­me­ti­do a car­ta avi­sa que tam­bém es­tão dis­po­ní­veis as mis­tu­ras mais tra­di­ci­o­nais, bas­ta fa­lar com um dos qua­tro bar­ten­ders se­ni­o­res.

Des­cen­do as es­ca­das até ao pi­so sub­ter­râ­neo (um spe­a­ke­asy le­gal do sé­cu­lo XXI), o jo­go é ou­tro. A car­ta é apre­sen­ta­da num ta­bu­lei­ro do co­nhe­ci­do jo­go Mo­no­pó­lio, só que os es­pa­ços on­de o peão po­de pa­rar, em vez de se­rem no­mes de ci­da­des ou ru­as, têm um no­me de um cock­tail.

E se não re­co­nhe­cer ne­nhum, não

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