De ca­be­los ao ven­to, mas pou­co

Publico - Fugas - - MOTORES -

Car­ro icó­ni­co da Maz­da, o MX-5 con­ti­nua a ter um sé­qui­to de fãs. E ar­ris­ca-se a ver cres­cer a lis­ta de ad­mi­ra­do­res. Com te­ja­di­lho rí­gi­do e re­trác­til, o ro­ads­ter tras­for­mou-se num cou­pé a céu aber­to. Car­la B. Ri­bei­ro (tex­to) e Nu­no Fer­rei­ra San­tos ( fo­tos)

Quan­do, em 2015, sur­giu a no­va e bem re­de­se­nha­da ge­ra­ção do ro­ads­ter MX-5, fo­ram pou­cos os que não se ren­de­ram aos tra­ços que mar­cam uma si­lhu­e­ta a lem­brar os clás­si­cos bri­tâ­ni­cos. Mas a ca­sa de Hi­roshi­ma per­ce­beu que nes­te feu­do há mui­to a ex­plo­rar. Hou­ve quem ti­ves­se fi­ca­do, as­sim, à es­pe­ra de uma ver­são de ca­po­ta rí­gi­da e si­lhu­e­ta fast­back, se­me­lhan­te à que sur­giu na an­te­ri­or ge­ra­ção. Mas a Maz­da foi mais lon­ge e sur­pre­en­deu com al­go di­fe­ren­te e, ar­ris­co, me­lhor e mais com­ple­to.

Nes­te no­vo mo­de­lo, a ca­po­ta é rí­gi­da co­mo num cou­pé. No en­tan­to, é re­trác­til (e, pe­la pri­mei­ra vez num MX-5, a ope­ra­ção de abrir e fe­char cum­pre- se em mo­do eléc­tri­co), reu­nin­do as­sim o me­lhor de dois mun­dos. Já o cor­po fast­back, com a li­nha do te­ja­di­lho a cair em di­rec­ção à tra­sei­ra com um cer­to dra­ma­tis­mo, foi adop­ta­da pe­los de­sig­ners da mar­ca ni­pó­ni­ca.

O re­sul­ta­do é es­te RF, si­gla pa­ra Re­trac­ta­ble Fast­back, de cor­po di­nâ­mi­co e des­por­ti­vo sem pres­cin­dir do es­pí­ri­to des­con­traí­do dos des­ca­po­tá­veis. So­bre­tu­do na ver­são en­sai­a­da, em que as pres­ta­ções con­vi­dam mais a re­la­xa­dos pas­sei­os do que a im­pi­e­do­sas ace­le­ra­ções. Com o mo­tor a ga­so­li­na as­pi­ra­do de 1.5 li­tros de tec­no­lo­gia Skyac­tiv e 131cv (dis­po­ní­veis às 7000rpm), atin­ge-se os 100 km/h em 8,3 se­gun­dos, sen­do que a ve­lo­ci­da­de má­xi­ma pos­sí­vel é de 204 km/h.

A au­sên­cia de um ner­vo mais agres­si­vo é, po­rém, com­pen­sa­da por ou­tros fac­to­res não me­nos re­le­van­tes. Es­te é um car­ro que se con­se­gue ir bus­car por me­nos de trin­ta mil eu­ros (29.840,59€), o que o co­lo­ca en­tre os mais aces­sí­veis da sua clas­se (o ro­ads­ter é ain­da mais de­mo­crá­ti­co ao co­mer­ci­a­li­zar-se a par­tir de 25.107,60€). Re­fi­ra-se, po­rém, que o pre­ço des­te mo­de­lo po­de ul­tra­pas­sar os 35 mil eu­ros quan­do se co­me­ça a jun­tar equi­pa­men­to. No ca­so da vi­a­tu­ra en­sai­a­da, Ex­cel­len­ce Pack Sport Na­vi, o pre­ço os­ci­la en­tre os 35.290€ e os 35.690€, de­pen­den­do da pin­tu­ra, me­ta­li­za­da ou não.

Tam­bém as con­tas na bom­ba de ga­so­li­na são mais sim­pá­ti­cas que as do blo­co mais po­ten­te (2.0 de 160cv) que pou­pa um se­gun­do com­ple­to na ace­le­ra­ção dos 0 aos 100 km/h. En­quan­to o pri­mei­ro anun­cia um con­su­mo mis­to de 6,1 l/100km (o ex­tra-ur­ba­no con­se­gue ser ain­da mais ali­ci­an­te: 4,9 l/100km), o 2.0 diz ne­ces­si­tar de 6,9 li­tros pa­ra cum­prir a mes­ma dis­tân­cia.

Mas, mes­mo sem mo­dos agres­si­vos, se­rá es­ta ver­são de 131cv des­pro­vi­da de ani­ma­ção? Nem por is­so. Até por­que hou­ve me­xi­das su­fi­ci­en­tes pa­ra que a po­tên­cia de­bi­ta­da do mo­tor se­ja qua­se um aces­só­rio. Pri­mei­ro, o MX-5 RF adop­ta a no­va plataforma SkyAc­tiv que per­mi­te um cen­tro de gra­vi­da­de ain­da mais bai­xo. De­pois, to­do o chas­sis foi re­de­se­nha­do a pen­sar nu­ma mai­or agi­li­da­de. E, por fim, o car­ro pe­sa pou­co mais de uma to­ne­la­da (1090 qui­los), fac­to que se apoia na op­ção por alu­mí­ni­os e aços le­ves. Tu­do so­ma­do, re­sul­ta nu­ma con­du­ção que pri­ma pe­lo di­na­mis­mo e ao mes­mo tem­po por uma im­pres­si­o­nan­te su­a­vi­da­de que se ou­ve e se sen­te. Mas o que mais se des­ta­ca é a for­ma co­mo as li­gei­ras me­xi­das nas sus­pen­sões e na di­rec­ção re­sul­tam na prá­ti­ca, so­bre­tu­do quan­do há cur­vas a de­se­nhar.

De te­ja­di­lho re­co­lhi­do, a sen­sa­ção é de se con­du­zir um ver­da­dei­ro des­ca­po­tá­vel. No en­tan­to, sem os in­có­mo­dos des­te. To­da a es­tru­tu­ra pa­re­ce for­mar um ca­su­lo pro­tec­tor on­de qua­se não en­tra ven­to, não sen­do ne­ces­sá­rio se­quer re­du­zir a ve­lo­ci­da­de em au­to-es­tra­da. E nem os ruí­dos, bem iso­la­dos com o car­ro fe­cha­do, nos im­pe­lem a re­co­lher.

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Portugal

© PressReader. All rights reserved.