O qu­ei­jo Par­me­são é to­do bom mas o mais pri­ma­ve­ril e ape­ti­to­so é o mon­ta­nhis­ta no­vi­nho de 13 me­ses

Publico - Fugas - - O GATO DAS BOTAS -

Oquei­jo par­me­são é glo­ri­o­so mas pre­ci­sa de mui­tos avi­sos. O pri­mei­ro é não com­prar qu­ei­jo par­me­são já ra­la­do. So­bre­tu­do quan­do é le­gí­ti­mo e vem com as cer­ti­fi­ca­ções to­das. To­dos os quei­jei­ros par­me­sões ven­dem par­me­são ra­la­do, bas­tan­te mais ba­ra­to do que o qu­ei­jo em blo­co. Porquê? Por­que os quei­jos par­me­sões que não pres­tam — que não va­le a pe­na en­ve­lhe­cer mais — são apro­vei­ta­dos pa­ra ra­lar.

O Par­me­são ra­la­do é por si só in­fe­ri­or. O qu­ei­jo foi con­si­de­ra­do in­fe­ri­or e, por cau­sa dis­so, foi ra­la­do. Mas há mais uma ra­zão pa­ra a in­fe­ri­o­ri­da­de: o Par­me­são ra­la­do, co­mo qual­quer qu­ei­jo, per­de o bom sa­bor pou­co de­pois de ser ra­la­do.

Co­mo tal, ra­lar­mos no mo­men­to um qu­ei­jo Par­me­são em blo­co é du­pla­men­te me­lhor. O qu­ei­jo que se ra­la é me­lhor, por de­fi­ni­ção (daí ter so­bre­vi­vi­do em blo­co) e o qu­ei­jo ra­la­do é me­lhor por­que é aca­ba­di­nho de ra­lar.

O Par­me­são ra­la­do pode cus­tar me­ta­de ou me­nos de me­ta­de do que o Par­me­são em blo­co mas é sem­pre mau. Até pode não ser mau de to­do mas uma coi­sa é cer­ta: não tem o sa­bor mag­ní­fi­co, cheio de uma­mi, do Par­me­são.

As coi­sas com­pli­cam-se mais ain­da. Há um qu­ei­jo ita­li­a­no — o Gra­na Pa­da­no — que se con­fun­de com o Par­me­são. É bas­tan­te mais ba­ra­to mas às ve­zes, pa­ra con­fun­dir me­lhor, tem um pre­ço mais ele­va­do. O qu­ei­jo Gra­na Pa­da­no é um qu­ei­jo por di­rei­to pró­prio, de ou­tra re­gião ita­li­a­na di­fe­ren­te. É fi­si­ca­men­te pa­re­ci­do com o Par­me­são mas o sa­bor nem se­quer se as­se­me­lha. O Par­me­são é um qu­ei­jo úni­co com um sa­bor de­li­ci­o­so e in­con­fun­dí­vel. Pa­ra o que é, co­mo ve­re­mos, não é na­da ca­ro.

De há uns anos pa­ra cá, o Con­zor­cio que ve­la (e mui­to bem!) pe­la qua­li­da­de do Par­me­são co­me­çou a ofe­re­cer uma no­va de­sig­na­ção pa­ra o Par­me­são pro­du­zi­do nas mon­ta­nhas. É o Pro­get­to Qu­a­li­tá Pro­dot­to di Mon­tag­na. Es­tes par­me­sões são ain­da mais cre­mo­sos e de­li­ca­dos do que os ou­tros, ape­sar do pre­ço ser só um pou­co su­pe­ri­or. No si­te do Con­zor­cio — par­mig­gi­a­no­reg­gi­a­no.it — há uma lis­ta dos pro­du­to­res ( ca­sei­fi­ci) au­to­ri­za­dos que ven­dem o par­me­são de mon­ta­nha. Só fal­ta um es­cla­re­ci­men­to. Quem de­fen­de a sim­pli­ci­da­de (“par­me­são é par­me­são”) só pode ser ig­no­ran­te. A pro­pa­gan­da da sim­pli­ci­da­de só fa­vo­re­ce os con­tra­fac­to­res e os al­dra­bões. O Par­me­são pres­ta­se bem ao en­ve­lhe­ci­men­to. Is­to sig­ni­fi­ca que se de­ve pro­var e conhecer o Par­me­são (de pre­fe­rên­cia do mes­mo pro­du­tor) de 18, 24, 36 e 48 me­ses. É di­fí­cil es­co­lher-se en­tre eles. O mais na­tu­ral é gos­tar de to­dos ao mes­mo tem­po ou, me­lhor ain­da, con­for­me a oca­sião.

No en­tan­to, há um gran­de pra­zer que é mui­to mais di­fí­cil en­con­trar fo­ra de Itá­lia: o Par­me­são no­vo. O Par­me­são tem de en­ve­lhe­cer um mí­ni­mo de 12 me­ses mas quan­do tem 13 ou 14 me­ses es­tá pron­tís­si­mo e de­li­ci­o­so. Cla­ro que há quem ache um cri­me — diz-se o mes­mo do Ser­ra aman­tei­ga­do, blá blá blá — mas o Par­me­são de 14 me­ses é mui­to me­nos se­co, ape­sar de já ter cris­tais cro­can­tes que bas­tem pa­ra os en­tu­si­as­tas da den­ta­di­nha.

Uma van­ta­gem es­pec­ta­cu­lar do Par­me­são no­vi­nho é o pre­ço. Com­pran­do on­li­ne aos pró­pri­os pro­du­to­res uma fa­tia de um qui­lo custa en­tre 11,90 (Par­me­são nor­mal) e 12,40 (Par­me­são da mon­ta­nha) eu­ros. Sai mais ba­ra­to ain­da quan­do se com­pra uma ro­da in­tei­ra de 40 qui­los, meia ro­da de 20 qui­los ou até um oi­ta­vo de ro­da de cin­co qui­los.

De­pois de más ex­pe­ri­ên­ci­as, re­co­men­do que se com­pre o Par­me­são em pe­que­nas quan­ti­da­des em fa­ti­as de um qui­lo, em­ba­la­das no vá­cuo pe­los quei­jei­ros. O Par­me­são é di­fí­cil de cor­tar e con­ser­var — e se­ca mui­to de­pres­sa.

Quan­do com­prar a um ca­sei­fi­cio te­nha sem­pre o cui­da­do de usar PayPal e man­te­nha có­pi­as do pa­ga­men­to e da en­co­men­da. Em 2017 já me acon­te­ceu, mais de 15 di­as de­pois de ter fei­to e pa­go uma en­co­men­da, ter de es­cre­ver nu­me­ro­sos mails em ita­li­a­no go­o­gle­tra­du­zi­do, com di­gi­ta­li­za­ções apen­sas, a pro­var que pa­guei tan­to o qu­ei­jo co­mo os trans­por­tes. O qu­ei­jo aca­bou por che­gar — mal em­ba­la­do — e es­ta­va bom, ten­do-se re­fei­to do sus­to. É por is­so que não re­co­men­do a Ca­sei­fi­cio Dis­ma­no. Cui­da­do com o apa­ra­to dos web­si­tes — pode pa­re­cer mui­to mo­der­no mas es­con­der uma quei­ja­ria sem pre­pa­ra­ção pa­ra o co­mér­cio in­ter­na­ci­o­nal.

Pa­ra se fi­car com uma ideia dos pre­ços, no­ve qui­los de Par­me­são da Mon­ta­nha de 13 me­ses cus­tam à vol­ta de 110 eu­ros e o trans­por­te custa cer­ca de 50 eu­ros. Ca­da qui­lo sai as­sim (in­cluin­do o cor­reio) por 18 eu­ros. Não é na­da mau — mas é uma aven­tu­ra. O me­lhor se­rá acon­se­lhar-se com um co­mer­ci­an­te a sé­rio.

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Portugal

© PressReader. All rights reserved.