HER­DA­DE DA MA­TI­NHA

Publico - Fugas - - DORMIR -

a cres­cer gra­du­al­men­te, à me­di­da das ne­ces­si­da­des.

E con­ti­nua a cres­cer. Na zo­na do res­tau­ran­te ve­mos al­guns ope­rá­ri­os a tra­ba­lhar, co­lo­can­do tra­ves de ma­dei­ra para alar­gar o es­pa­ço ex­te­ri­or. O res­tau­ran­te vai fi­car mai­or, e aque­le que ago­ra é es­pa­ço ex­te­ri­or vai afi­nal ser “en­go­li­do” pelo in­te­ri­or, cri­an­do zo­nas dis­tin­tas, uma mais para ca­sais, ou­tra para fa­mí­li­as que te­nham cri­an­ças.

Es­sa é tam­bém um pou­co a ló­gi­ca dos vá­ri­os cor­pos de edi­fí­ci­os que com­põem a Ma­ti­nha. Exis­te a ca­sa prin­ci­pal, onde tudo co­me­çou há du­as dé­ca­das. Tiago ainda não tra­ba­lha­va aqui mas já ou­viu mui­tas ve­zes a his­tó­ria de co­mo Al­fre­do Mo­rei­ra da Silva, en­tão com a sua mu­lher Mó­ni­ca Bel­le­za, se en­can­ta­ram com esta pro­pri­e­da­de de 110 hec­ta­res, que os fez tro­car os pro­jec­tos de se mu­da­rem para a Aus­trá­lia por Cer­cal do Alentejo Tel.: 933 739 245 www.her­da­de­da­ma­ti­nha.com Pre­ços: de 99 euros a 260, de­pen­den­do da ti­po­lo­gia (épo­ca bai­xa) e de 129 a 380 (épo­ca al­ta). Jantar – 28 euros (me­nu sim­ples), 38 euros (com­ple­to), sem be­bi­das uma vi­da no Alentejo, ini­ci­al­men­te numa ca­sa que não ti­nha água nem elec­tri­ci­da­de, o que não os im­pe­diu de aqui cri­ar três fi­lhos.

Os pri­mei­ros hós­pe­des co­nhe­ce­ram es­se am­bi­en­te que era o da ver­da­dei­ra par­ti­lha de uma ca­sa, no meio de um va­le lin­do, lon­ge de tudo (da es­tra­da prin­ci­pal são três qui­ló­me­tros em es­tra­da de ter­ra até à en­tra­da da Ma­ti­nha). Al­fre­do pin­ta­va — são dele os qua­dros que se vêm por to­da a her­da­de, nos quar­tos mas tam­bém as pin­tu­ras no ex­te­ri­or — e a fa­mí­lia re­ce­bia os vi­si­tan­tes co­mo se fos­se ami­gos de sem­pre.

Ao fim de al­guns di­as com­pra­ram ou­tra ca­sa, a cha­ma­da Ca­sa de Ci­ma, e as­sim au­men­ta­ram o nú­me­ro de quar­tos. Mais tar­de, o pro­jec­to vol­tou a cres­cer com a cons­tru­ção do blo­co no­vo — onde fi­ca o nos­so qu­ar­to, com uma varanda, to­da em ma­dei­ra, vol­ta­da para a zo­na onde, con­ta ainda Tiago, vai sur­gir em bre­ve uma hor­ta de plan­tas aro­má­ti­cas.

Em bre­ve ha­ve­rá tam­bém ou­tro blo­co com mais oi­to quar­tos a so­mar aos 20 que já exis­tem. En­tre­tan­to, na ca­sa prin­ci­pal, têm nas­ci­do mais re­can­tos, co­mo o pe­que­no bar com la­rei­ra e sa­la de lei­tu­ra.

Já não há a mes­ma in­ti­mi­da­de que ha­via no iní­cio mas a tal sen­sa­ção de es­tar­mos em ca­sa man­tém-se. Pe­la in­for­ma­li­da­de com que so­mos re­ce­bi­dos, por um la­do, mas so­bre­tu­do por­que, mesmo na au­sên­cia de Al­fre­do (que, per­ce­be-se, pen­sa cada por­me­nor des­ta ca­sa) se sen­te um es­pí­ri­to de fa­mí­lia, ga­ran­ti­do por Tiago, Ri­car­di­na e to­dos os que aqui tra­ba­lham.

Da­mos uma vol­ta pelo ex­te­ri­or, apro­vei­tan­do as pau­sas na chu­va, para co­nhe­cer me­lhor a pis­ci­na e, a se­guir, a Ca­sa de Ci­ma, onde fi­ca a gran­de suí­te, que é o qu­ar­to mai­or da her­da­de, com os pe­que­nos tan­ques de água com ne­nú­fa­res e a vis­ta para uma co­li­na onde pas­ta um re­ba­nho.

“É do se­nhor Hen­ri­que”, ex­pli­ca Tiago. “É um pas­tor mui­to sim­pá­ti­co que tam­bém já per­ten­ce à fa­mí­lia, os hós­pe­des gos­tam mui­to dele, cum­pri­men­tam-nos sem­pre. Tam­bém faz uns quei­ji­nhos mui­to bons.” Não con­fun­dir com o ou­tro se­nhor Hen­ri­que, que tra­ta da hor­ta da pro­pri­e­da­de, que pro­duz muitos dos le­gu­mes usa­dos nas re­fei­ções.

Pas­sa­mos tam­bém pe­la sa­la cir­cu­lar usa­da para as au­las de io­ga ou ou­tras ac­ti­vi­da­des e que ago­ra es­tá ocu­pa­da por ca­bi­des chei­os de pe­ças de rou­pa de uma em­pre­sa que es­tá a fa­zer uma pro­du­ção na re­gião.

Com­bi­na­mos en­con­trar­mo-nos com Tiago para jantar às 21h. É en­tão que va­mos co­nhe­cer An­na, uma ale­mã que aqui tra­ba­lha há já al­guns anos e que vem à me­sa apre­sen­tar cada um dos pra­tos num por­tu­guês de “er­res” car­re­ga­dos. Não se es­pe­re en­con­trar aqui co­mi­da tra­di­ci­o­nal alen­te­ja­na, a pro­pos­ta é mais entre o me­di­ter­râ­ni­co e o asiá­ti­co.

A emen­ta é to­da da au­to­ria de Al­fre­do, que de­ci­de a com­bi­na­ção de pra­tos a cada dia: há sem­pre en­tra­di­nhas, que vão va­ri­an­do (as nos­sas eram sa­la­da de pol­vo, co­gu­me­los sal­te­a­dos e tzat­zi­ki, mo­lho de io­gur­te com pe­pi­no), um prato de car­ne (nes­te ca­so pei­to de pa­to com le­gu­mes sal­te­a­dos) e um de pei­xe (tam­bo­ril com lei­te de co­co, er­va príncipe e sementes de co­en­tros, acom­pa­nha­do por fei­jão ver­me­lho e ar­roz). Por fim, a so­bre­me­sa, um crum­ble de ma­çã e pê­ra com ge­la­do de bau­ni­lha. Tudo pre­pa­ra­do na cozinha por An­na e as co­zi­nhei­ras Mi­mi e Ma­ri­a­na.

Ri­car­di­na che­ga para jantar e sen­ta-se na me­sa al­ta que é tam­bém ha­bi­tu­al­men­te a de Al­fre­do e dos fi­lhos quan­do aqui es­tão. A ca­de­la Bo­ne­ca, de pê­lo bran­co, vem atrás de­la — co­mo sem­pre, aliás, é com­pa­nhia ga­ran­ti­da em to­dos os pas­sei­os a ca­va­lo. Ao fim de uns mi­nu­tos, um ca­sal de hós­pe­des já de­sa­fi­ou Ri­car­di­na a sen­tar-se na me­sa de­les, e, nou­tra me­sa, uma mu­lher faz fes­tas à Bo­ne­ca.

No fi­nal do jantar, Ri­car­di­na de­sa­fia-nos a fa­zer o passeio a ca­va­lo no dia se­guin­te. Há dú­vi­das por cau­sa da chu­va, mas fi­ca com­bi­na­do que nos en­con­tra­mos ao pe­que­no-al­mo­ço e to­ma­re­mos en­tão uma de­ci­são. No dia se­guin­te, em fren­te do óp­ti­mo pe­que­no-al­mo­ço, com su­mos na­tu­rais, bo­lo caseiro e o pão que todas as ma­nhãs se vai bus­car à do­na Er­cí­lia, uma pa­dei­ra lo­cal, é fá­cil de­ci­dir. Não es­tá a cho­ver, a Bo­ne­ca es­tá a pos­tos para nos se­guir com a cau­da a aba­nar. Va­mos lá. A Fu­gas es­te­ve alo­ja­da a con­vi­te da Her­da­de da Ma­ti­nha

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