BRAC RES­TAU­RAN­TE

Publico - Fugas - - CRÍTICA GASTRONÓMICA -

cla­ro que o lei­tor nun­ca se ima­gi­na­ria sen­ta­do à me­sa com Je­sus. Sim, o Na­za­re­no, que deu ori­gem ao ca­len­dá­rio da era mo­der­na, mas is­so não é uma ima­gem as­sim tão de­li­ran­te.

É que se o con­ví­vio é uma im­pos­si­bi­li­da­de ab­so­lu­ta, o con­tex­to já não o se­rá as­sim tan­to, uma vez que há em Bra­ga um res­tau­ran­te que es­tá, pre­ci­sa­men­te, ins­ta­la­do sobre as ruí­nas de Bra­ca­ra Augusta. A ci­da­de que, co­mo se sa­be, era um dos pó­los mais di­nâ­mi­cos do im­pé­rio ro­ma­no por es­se de­al­bar do sé­cu­lo pri­mei­ro.

A ver­da­de é que no in­te­ri­or do edi­fí­cio, e la­do a la­do com o res­tau­ran­te, es­tão os ar­ru­a­men­tos, sis­te­mas de águas, es­tru­tu­ras das ha­bi­ta­ções (e até al­gum re­cheio) e há mesmo uns pas­sa­di­ços que per­mi­tem a ob­ser­va­ção e visita por es­sa ruí­na mu­se­a­li­za­da, que nos ofe­re­ce o con­ví­vio com es­se tem­po que as­sis­tiu ao nas­ci­men­to e vi­da de Je­sus Cris­to.

É, pois, um pri­vi­lé­gio ab­so­lu­to sen­tar­mo-nos à me­sa no Brac — as­sim se cha­ma o res­tau­ran­te —, uma ex­pe­ri­ên­cia que tem tudo para se tor­nar ainda bem mais ali­ci­an­te por via do pra­zer da de­gus­ta­ção.

E mesmo em con­tex­to que nos re­me­te para os pri­mór­di­os da ci­vi- li­za­ção mo­der­na, há que di­zer que o Brac é um es­pa­ço de gran­de con­tem­po­ra­nei­da­de, que se dis­tin­gue tam­bém pelo de­sign apu­ra­do e cui­da­do ar­qui­tec­tó­ni­co. Am­bi­en­te mo­der­no e so­fis­ti­ca­do, mas ao mesmo tem­po in­for­mal e des­con­traí­do, onde se po­de jantar ou ce­ar, ou sim­ples­men­te pe­tis­car e be­ber um co­po a partir do meio da tar­de.

A sa­la de jantar, que con­vi­ve com a es­tru­tu­ra ro­ma­na, é an­te­ce­di­da pe­la área de bal­cão cla­ra­men­te vo­ca­ci­o­na­da para o con­ví­vio, pe­tis­cos e vi­nho a co­po, e am­bas em con­tac­to com a am­pla e po­li­va­len­te es­pla­na­da. Nes­ta, numa es­pé­cie de pla­te­au em ma­dei­ra vol­ta­do ao ar­vo­re­do da praça cen­te­ná­ria, ape­te­ce es­tar a todo o tem­po. Mesmo se é In­ver­no, que os fo­ga­rei­ros ver­ti­cais tra­tam de ame­ni­zar.

De ca­riz con­tem­po­râ­neo é tam­bém a ofer­ta gas­tro­nó­mi­ca, se bem que so­li­da­men­te apoi­a­da na cozinha tra­di­ci­o­nal, tan­to na ver­ten­te do pro­du­to co­mo da con­fec­ção. Ab­so­lu­ta­men­te exem­plar a es­se res­pei­to o ra­bo de boi es­tu­fa­do, que nos con­ven­ceu em ab­so­lu­to. Mas já lá va­mos!

Co­me­ce-se pelo iní­cio, ou se­ja, pelo ces­ti­nho de com pães que lo­go co­lo­cam sobre a me­sa. Va­ri­e­da­de que vai do vul­gar pão bran­co à mis­tu­ra com sementes, gris­si­ni e pa­pa­dum de vo­ca­ção in­di­a­na, com­ple­men­ta­dos por cor­ni­chons de­li­ci­o­sa­men­te avi­na­gra­dos, su­a­ve mo­lho de ca­ril e man­tei­ga de rá­ba­no. Não é vul­gar, con­ve­nha­mos!

Nas en­tra­das, in­te­res­san­te a com­bi­na­ção dos co­gu­me­los gre­lha­dos Cam­po das Car­va­lhei­ras, 24 4700-419 Bra­ga Tel.: 253 610 225 / 929 145 272 Cozinha: tra­di­ci­o­nal em con­tex­to con­tem­po­râ­neo Ser­vi­ço: buf­fet de se­gun­da a sábado ao al­mo­ço; à car­ta de se­gun­da a sexta ao jantar e do­min­go ao al­mo­ço. Ho­rá­rio: fe­cha ao jantar de do­min­go Es­ta­ci­o­na­men­to: aces­sí­vel nas ru­as en­vol­ven­tes (6€), quei­jo e ovo es­tre­la­do, que se rom­pe e mis­tu­ra co­mo numa açor­da. Ge­ne­ro­sos tam­bém os cro­que­tes de quei­jo da ser­ra e pre­sun­to, cro­can­tes e sá­pi­dos em qu­a­tro bo­li­nhas por do­se (5,50€), en­quan­to o car­pac­cio de boi com mo­lho ori­gi­nal (mo­lho in­glês e lei­te, pelo que nos ex­pli­ca­ram) era ainda capaz de avi­var com um al­gum com­ple­men­to cí­tri­co. Há tam­bém a so­pa do dia, no ca­so com fei­jão ver­de, que não pro­vá­mos.

Bem con­se­gui­do mesmo o prato com a cor­vi­na com gam­bas em mo­lho de mo­que­ca e fa­ro­fa (15,50€). Para lá da con­vi­da­ti­va e co­lo­ri­da apre­sen­ta­ção — sim, os olhos con­tri­bu­em em mui­to para a sa­tis­fa­ção —, exem­plar o equi­lí­brio e com­bi­na­ção de sa­bo­res com os áci­dos, do­ces e cro­can­tes em ple­na har­mo­nia e a pos­ta de pei­xe co­zi­nha­da no pon­to cor­rec­to. Mui­to bom!, ou­viu-se na me­sa. Há tam­bém ofer­ta de ar­roz

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