GLOSSÁRIO DO ENO­CHA­TIS­MO

Publico - Fugas - - ESPECIAL -

Apres­sa­do - Pe­ran­te um vi­nho ve­lho, ain­da em gran­de for­ma, mas com um aro­ma não mui­to lim­po (nor­mal em gar­ra­fas an­ti­gas aca­ba­das de abrir, daí ser tão im­por­tan­te pas­sar o vi­nho a lim­po, pa­ra are­jar e se­pa­rar os se­di­men­tos):”Es­te já foi bom. Pas­so”. Cin­co mi­nu­tos de­pois: “Eh pá, o vi­nho es­tá a abrir...”. O eno­cha­to po­dia go­zar mais a vi­da se fos­se me­nos apres­sa­di­nho.

Blo­gos­fe­ra - Um eno­cha­to pas­sa mui­to tem­po a ali­men­tar o seu blog ou a pá­gi­na de gru­po. Tem mui­tos ami­gos, mas con­vi­ve pou­co com a fa­mí­lia. Há já quem se re­fi­ra à co­mu­ni­da­de dos blogs e afins co­mo a no­va fi­lo­xe­ra, a pes­te do sé­cu­lo XXI. Não é ca­so pa­ra tan­to. Na ver­da­de, só lê quem quer. Os no­mes são su­ges­ti­vos: “Pin­gas no co­po”, “Co­po de 3”, “os Vi­nhos”, “Pin­gus Vi­ni­cus”. São aos ma­go­tes e ge­ri­dos por enó­fi­los mi­li­tan­tes (tam­bém há um blog com es­te no­me), ho­mens e (me­nos) mu­lhe­res que pa­re­cem vi­ver em gar­ra­fei­ras e ade­gas. To­dos têm o seu quê de eno­cha­tos, mas al­guns até são fo­fi­nhos. Fo­ra da re­de, nor­mal­men­te, an­dam em ban­do.

Crí­ti­ca (pro­fis­si­o­nal mas de por­me­nor) - A pro­pó­si­to de um Ver­de­lho do Pi­co (li­co­ro­so) - “Âm­bar trans­lú­ci­do. Os­tras, um na­da me­tá­li­co, no­tas de mar, al­gu­ma cre­mo­si­da­de, ci­tri­nos discretos, es­pe­ci­a­ri­as, boa de­li­ca­de­za e com­ple­xi­da­de. Cre­mo­so na bo­ca, mui­ta com­ple­xi­da­de, cheio de nu­an­ces tos­ta­das, com ca­ril, se­men­tes de co­en­tros, aci­dez vi­va, boa ru­go­si­da­de her­bá­cea, fi­nal lon­go, mui­to se­co, cin­ti­lan­te, fo­ca­do”.

Crí­ti­ca (pro­fis­si­o­nal mas de eru­di­ção) - A pro­pó­si­to de um Bair­ra­da: “Um bran­co só­brio e se­re­no, se­nhor de uma in­di­vi­du­a­li­da­de mar­ca­da e de um ca­rác­ter afi­a­do. A bo­ca apre­sen­ta-se qua­se épi­ca, lar­ga de ho­ri­zon­tes, de­sa­fo­ga­da e qua­se mas­ti­gá­vel, gi­gan­te na di­men­são…mas si­mul­ta­ne­a­men­te equi­li­bra­da e se­re­na, sem fo­gos­de-ar­ti­fí­cio in­con­se­quen­tes, sem aces­só­ri­os des­ne­ces­sá­ri­os. É um bran­co sé­rio e sem ar­ti­fí­ci­os bar­ro­cos, ri­go­ro­so e de com­pas­so tran­qui­lo, pu­ro e cris­ta­li­no, ca­paz de en­ve­lhe­cer em gar­ra­fa du­ran­te mais de du­as dé­ca­das”.

De­can­ter - Na casa do eno­cha­to há sem­pre um de­can­ter com cur­vas e con­tra-cur­vas. Pas­sa tu­do por lá: um Por­to Tawny com 40 anos, um Bair­ra­da de 1960 e um Mon­te Ve­lho de 2016.

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