Cer­ve­ja e cho­co­la­te

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Cer­ve­ja e cho­co­la­te são du­as co­nhe­ci­das tra­di­ções gas­tro­nó­mi­cas bel­gas. Há al­gu­mas ou­tras, umas mais, ou­tras me­nos co­nhe­ci­das, pa­ra além das ba­da­la­das ba­ta­tas fri­tas e dos ane­xos me­xi­lhões co­zi­nha­dos – ad­mi­ta­mos – de mil e uma ma­nei­ras. Di­fi­cil­men­te o vi­si­tan­te es­ca­pa a de­di­car um pou­co de tem­po (ou mui­to, se a mo­ti­va­ção pa­ra o co­nhe­ci­men­to e de­gus­ta­ção for mai­or) a es­tas du­as atrac­ções de Bru­ges, ade­qua­do con­tra­pon­to – ou com­ple­men­to - he­do­nis­ta de uma jor­na­da pe­la ci­da­de de­ca­den­te que Ge­or­ges Ro­den­ba­ch trans­for­mou em per­so­na­gem de fic­ção.

A es­pe­ran­ça, ou a ilu­são, da des­co­ber­ta de al­ter­na­ti­vas aos lu­ga­res mais po­pu­la­res e con­cor­ri­dos é mui­tas ve­zes en­go­do de gui­as e es­cri­bas ca­pa­zes de qua­se tu­do pa­ra pu­xar a bra­sa à sua sar­di­nha. Se im­pe­rar a se­ri­e­da­de na nar­ra­ti­va, em Bru­ges co­mo nou­tras pa­ra­gens hi­per­fre­quen­ta­das, os di­tos lu­ga­res de ex­ce­lên­cia, pa­ra uti­li­zar uma lin­gua­gem na mo­da, ce­do dei­xam de ser se­gre­do – aliás, es­se é uma con­sequên­cia ( boa?, má?) da di­vul­ga­ção me­diá­ti­ca ur­bi et or­bi do que an­dam a fa­zer. Uma boa ca­sa de cho­co­la­te (ou de cer­ve­ja ar­te­sa­nal) cai nas bo­cas do mun­do em três tem­pos.

Tra­di­ci­o­nal ou ex­pe­ri­men­tal, eis a es­co­lha que há a fa­zer no ca­so dos cho­co­la­tes. Uma das mais con­cei­tu­a­das (e das mais an­ti­gas) cho- co­la­ta­ri­as tra­di­ci­o­nais, mes­mo se me­nos co­nhe­ci­da e me­nos fre­quen­ta­da por fo­ras­tei­ros, é a Spe­ge­la­e­re Cho­ca­la­te­rie, na Ezels­tra­at, 92. Pra­li­nés e a es­pe­ci­a­li­da­de Cob­bles­to­nes são es­pe­ci­al­men­te po­pu­la­res en­tre os cli­en­tes bel­gas da ca­sa – o que não quer di­zer pou­co.

No pó­lo da ex­pe­ri­men­ta­ção e ino­va­ção, The cho­co­la­te li­ne, na Si­mon Ste­vin­plein, 19, é o lu­gar cer­to. Abriu por­tas há vin­te anos e tor­nou- se co­nhe­ci­da por cau­sa do gos­to pe­la ex­pe­ri­men­ta­ção do cho­co­la­tei­ro Do­mi­ni­que Per­so­o­ne. A com­bi­na­ção de in­gre­di­en­tes inu­si­ta­dos tem o seu quê de pro­vo­ca­ção pós-mo­der­na, mas há quan­tos sé­cu­los não mis­tu­ram os me­xi­ca­nos cho­co­la­te, gen­gi­bre e chi­li no fa­mo­so mo­le po­bla­no?

Quan­to a cer­ve­ja, fa­le­mos de ou­tro íco­ne lo­cal, a his­tó­ri­ca cer­ve­ja­ria Ha­al­ve Ma­an, que pas­sa por ser uma das mais an­ti­gas, se­não a mais an­ti­ga. Fun­ci­o­na na Wal­plein pe­lo me­nos há sé­cu­lo e meio, des­de 1956, mas cons­ta que a ac­ti­vi­da­de te­rá raí­zes no sé­cu­lo XVI - quan­do Ze­não, o mé­di­co de es­pí­ri­to cu­ri­o­so de A obra ao ne­gro, de Mar­gue­ri­te Your­ce­nar (ou­tra fic­ção si­tu­a­da em Bru­ges), que anun­ci­a­va a che­ga­da do Re­nas­ci­men­to, por lá an­da­va ten­tan­do es­qui­var-se da In­qui­si­ção. Além das es­pe­ci­a­li­da­des da ca­sa, co­mo a Straf­fe Hen­drick, há a pos­si­bi­li­da­de de uma vi­si­ta gui­a­da.

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