O com­boio che­gou com uma ho­ra de atra­so cheio de pas­sa­gei­ros fe­li­zes

Publico - Fugas - - PRIMEIRA PÁGINA -

É bo­ni­to, co­lo­ri­do, es­pa­ço­so, ro­bus­to e ba­ra­to. E tem um ar vin­ta­ge. O no­vo com­boio tu­rís­ti­co que a CP (re)co­lo­cou a cir­cu­lar na li­nha do Dou­ro é, na ver­da­de, um in­ter-re­gi­o­nal re­gu­lar, com ta­ri­fas nor­mais e aces­sí­vel a qual­quer pas­sa­gei­ro que ne­le quei­ra vi­a­jar, sem ou­tra con­di­ci­o­nan­te que não se­ja a obri­ga­ção de re­ser­va de lu­gar. Cha­ma-se Mi­ra­dou­ro e é com­pos­to por car­ru­a­gens suí­ças dos anos 1940 e 50 que pos­su­em ja­ne­las am­plas que se po­dem abrir pa­ra con­tem­plar a pai­sa­gem. A ex­pe­ri­ên­cia cus­ta ape­nas 9,60 eu­ros do Por­to à Ré­gua ou 11,50 pa­ra o Tua.

O Mi­ra­dou­ro par­te di­a­ri­a­men­te da es­ta­ção de São Ben­to às 9h25 e che­ga às 12h28 ao Tua. Es­te em que a Fugas vi­a­jou che­gou ao des­ti­no com uma ho­ra de atra­so, mas com uma cen­te­na e meia de pas­sa­gei­ros na­da abor­re­ci­dos. Já ve­re­mos porquê.

Por en­quan­to saí­mos de São Ben­to sob os dis­pa­ros das má­qui­nas fo­to­grá­fi­cos dos tu­ris­tas — que àque­la ho­ra já ar­ri­bam à es­ta­ção que é um spot tu­rís­ti­co obri­ga­tó­rio da In­vic­ta —, e que es­tra­nha­ram aque­le com­boio com um ar de sé­cu­lo XX, mas bem pin­ta­do e co­lo­ri­do. Em Cam­pa­nhã en­tra o gros­so dos pas­sa­gei­ros. Se­gue-se Er­me­sin­de às 9h43. A par­tir da­qui, o Mi­ra­dou­ro de­ve­ria lan­çar­se nu­ma cor­re­ria de uma ho­ra e 45 mi­nu­tos, sem pa­rar, até à Ré­gua. Mas is­so não vai acon­te­cer.

Olhe­mos pa­ra den­tro. As car­ru­a­gens, em tons cre­me e ama­re­lo tor­ra­do, têm um ar pou­co so­fis­ti­ca­do. São sim­ples, ro­bus­tas, es­pa­ço­sas e os as­sen­tos con­for­tá­veis. As ja­ne­las são lar­gas e a luz en­tra a jor­ros.

Tra­ta-se das car­ru­a­gens Shin­dler. E se fa­zer tu­ris­mo tam­bém sig­ni­fi­ca ex­pe­ri­en­ci­ar e apren­der pa­ra me­lhor fruir, aqui fi­ca a ex­pli­ca­ção: as Shin­dler fo­ram com­pra­das pe­la CP à Suí­ça en­tre 1948 e 1950 pa­ra se­rem uti­li­za­das nos su­bur­ba­nos da li­nha de Sin­tra. Mas ra­pi­da­men­te fo­ram afec­ta­das aos com­boi­os de to­da a re­de, aca­ban­do pro­gres­si­va­men­te por se cir­cuns­cre­ve­rem às li­nhas do Mi­nho e do Dou­ro, do qual pas­sa­ram a fa­zer par­te da sua ge­o­gra­fia fer­ro­viá­ria até ao fi­nal do sé­cu­lo XX.

Em 2009, um pre­si­den­te da CP in­sen­sí­vel ao seu po­ten­ci­al tu­rís­ti-

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