A Jor­dâ­nia pa­ra além do mer­gu­lho

Publico - Fugas - - JORDÂNIA -

Di­fí­cil é es­co­lher se o tem­po for pou­co. No iní­cio ou fim da vi­a­gem, a ca­pi­tal me­re­ce que lá se per­cam (ga­nhem) uns bons dois di­as – pa­ra quem pre­fe­re vi­si­tas a mo­nu­men­tos as op­ções são vá­ri­as (Ci­da­de­la, Mu­seu Jor­da­no, mes­qui­ta Rei Ab­dul­lah – im­pres­si­o­nan­te mas mo­der­na –, mes­qui­ta Abu Darwish, que con­ser­va o ex­te­ri­or ori­gi­nal, em pe­dra bran­ca e ne­gra al­ter­na­da), mas a Fu­gas re­co­men­da­ria aci­ma de tu­do des­fru­tar do am­bi­en­te de uma ci­da­de ára­be mo­der­na. Nas es­pla­na­das fre­quen­ta­das por jo­vens e me­nos jo­vens até bem tar­de pe­la noi­te, na ani­ma­da Rua Rain­bow, on­de não se ig­no­ra o souq (mer­ca­do) Ja­ra e se es­tá per­to dos me­lho­res ca­fés e ga­le­ri­as, mas tam­bém a dois pas­sos do pró­prio Te­a­tro Ro­ma­no (Rua Al-Hashe­mi).

Com os seus 600 lu­ga­res, a Bai­xa da ci­da­de (Al Ba­lad, pa­ra os lo­cais) pa­re­ce ter nas­ci­do aos pés do im­po­nen­te Te­a­tro, en­tre co­li­nas. Os pró­pri­os ha­bi­tan­tes apro­vei­tam pa­ra des­can­sar nas ruí­nas, de­pen­den­do do sol e da ho­ra do dia. Pa­ra fo­to­gra­far é me­lhor uma vi­si­ta ma­ti­nal, mas não dei­xe de re­gres­sar à noi­te, de­pois de jan­tar num dos res­tau­ran­tes tra­di­ci­o­nais das re­don­de­zas e bem abas­te­ci­do com uma do­se de do­ces das lo­jas mes­mo em fren­te (os gu­lo­sos não po­dem per­der o kna­feh).

De Sul a Nor­te

A sul, se a ba­se é Aqa­ba, há Pe­tra, o de­ser­to de Wa­di Rum (co­nhe­ci­do co­mo Va­le da Lua); a nor­te, há o inós­pi­to e ro­cho­so Wa­di Sarhan e os vá­ri­os cas­te­los (qasr) do de­ser­to (uma es­tra­da per­mi­te vi­si­tar uma sé­rie de­les num dia), al­guns clas­si­fi­ca­dos pe­la UNESCO. A meio ca­mi­nho fi­ca, cla­ro, o mar Mor­to, on­de flu­tu­ar é de gra­ça.

Um se­gre­do

Mes­mo quem gos­te de vi­a­jar sem qua­se na­da mar­ca­do e ao rit­mo dos ape­ti­tes diá­ri­os não po­de dei­xar de or­ga­ni­zar um al­mo­ço no de­ser­to. Se es­ti­ver em Aqa­ba é per­fei­to – é pre­ci­so en­co­men­dar que aqui na­da po­de ser im­pro­vi­sa­do, tu­do le­va tem­po. Ca­ma­das e ca­ma­das, ar­roz, car­nei­ro, ar­roz, ga­li­nha, car­nei­ro, ar­roz, tu­do co­zi­nha­do no ca­lor da areia, num fun­do bu­ra­co es­ca­va­do com a ha­bi­li­da­de de gen­te que o faz des­de sem­pre. O fes­tim pas­sa en­tre oi­to e 12 ho­ras en­ter­ra­do, tem de che­gar lá de noi­te pa­ra o seu al­mo­ço. Vê-lo sair das en­tra­nhas e des­fa­zer-se de pron­to é um pra­zer em si mes­mo. Se vi­a­jar sem ne­nhum guia, per­gun­te nos ho­téis ou agên­ci­as de vi­a­gem. Da­mas­co era uma ci­da­de co­nhe­ci­da por mes­qui­tas, ca­sas apa­la­ça­das trans­for­ma­das nos mais be­los res­tau­ran­tes e souqs de en­can­tar. Mas tam­bém por re­a­li­da­des mais ter­raa-ter­ra, co­mo o chei­ro do jas­mim, as li­mo­na­das com men­ta ou o me­lhor ge­la­do de pis­tá­cio do mun­do. Co­mo na Jor­dâ­nia vi­vem ho­je cen­te­nas de mi­lha­res de re­fu­gi­dos sí­ri­os, va­le a pe­na pro­cu­rar os seus res­tau­ran­tes (co­mi­da co­mo a sí­ria não se en­con­tra fa­cil­men­te). E sim, pro­var o ge­la­do ver­de e de­li­ci­o­so que um sí­rio de­ci­diu

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