Um Madeira Ser­ci­al ad­mi­ra­vel­men­te se­co e fres­co

Publico - Fugas - - VINHOS -

Cos­sart Gor­don é uma das mar­cas da Madeira Wi­ne Com­pany. A mais co­nhe­ci­da e im­por­tan­te é a Blandy’s, que leva o no­me da família pro­pri­e­tá­ria da em­pre­sa. Os vi­nhos são fei­tos na mes­ma ilha e com as mes­mas cas­tas, mas, por tra­di­ção, os Cos­sart são ge­ral­men­te mais se­cos. Não são, por is­so, tão co­mer­ci­ais. No en­tan­to, é um estilo que po­de le­var ao céu os que gos­tam de vi­nhos Madeira mais ten­sos e menos do­ces (co­mo é o meu ca­so).

O vi­nho des­ta se­ma­na, o Cos­sart Gor­don Ser­ci­al 1985, apre­sen­ta­do es­ta se­gun­da-fei­ra em Lis­boa, é um bom exem­plo. Tra­ta-se de um Fras­quei­ra (tem que passar pelo menos 20 anos em cas­cos; es­te pas­sou 33 anos) de uma só cas­ta e de uma só co­lhei­ta. Pro­ve­ni­en­te de vi­nhas si­tu­a­das no nor­te da ilha, mais hú­mi­da e mais ba­ti­da pelo mar, é um Madeira ad­mi­rá­vel. Tem ape­nas 54 gra­mas de açú­ca­res re­si­du­ais e uma aci­dez ele­va­da, em­bo­ra não tan­to co­mo é cos­tu­me em alguns vi­nhos des­ta cas­ta, apro­pri­a­da­men­te cha­ma­da de “qu­e­bra den­tes”. Tra­ta-se de um Ser­ci­al mais “ci­vi­li­za­do” e com­ple­xo, com um mai­or equi­lí­brio ál­co­ol/ do­çu­ra/aci­dez.

Os Madeira Ser­ci­al são os vi­nhos mais se­cos da ilha e, por is­so mes­mo, os mais in­di­ca­dos para ser­vir co­mo ape­ri­ti­vo ou a para fe­char uma refeição. São menos en­cor­pa­dos e den­sos do que um Mal­va­sia ou um Bu­al, mas, em con­tra­par­ti­da, são mui­to mais vi­bran­tes. A sua mar­ca aro­má­ti­ca é do­mi­na­da pelo So­to­lon, subs­tân­cia que re­sul­ta da oxi­da­ção dos ál­co­ois do vi­nho e que dá no­tas se­me­lhan­tes ao ca­ril. Mui­to comum nos vi­nhos de Xe­rez e em alguns cham­pa­nhes ve­lhos, o So­to­lon é um “de­fei­to” que en­ri­que­ce o bou­quet do vi­nho. Nes­te Cos­sart, dá-lhe um fo­go es­pe­ci­a­do, que exal­ta ain­da mais as su­ges­tões de fru­ta se­ca e cris­ta­li­za­da e de ma­dei­ras exó­ti­cas tam­bém pre­sen­tes. Na bo­ca, mos­tra lo­go as no­tas de evo­lu­ção, mas de­pois o que so­bres­sai é a sua de­li­ci­o­sa se­cu­ra e a sua aci­dez. Gra­ças a es­ta aci­dez mui­to vi­va, o vi­nho pa­re­ce nun­ca mais ter­mi­nar. De be­ber e cho­rar por mais. Pe­dro Gar­ci­as

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